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Europa de olhos na Grécia

17 de Junho, 2012por Nuno Escobar de Lima
A Grécia e a Europa preparam-se para o rescaldo das eleições de domingo equacionando três cenários: a formação de uma coligação de partidos pró-troika; uma vitória da Syriza que abra as portas à saída do euro; e um novo impasse criado pela falta de uma coligação maioritária.

Mas nenhum dos cenários parece corresponder às ambições de Bruxelas: ver as «autoridades gregas» respeitar «os compromissos estabelecidos», segundo o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso. Isto porque, perante a votação de Abril que deu 68% aos partidos anti-troika, agora até os partidos que assinaram os memorandos fazem campanha a apelar à renegociação: «Prometo não criar mais impostos e não fazer mais cortes horizontais», garante Antonis Samaras, o líder da Nova Democracia (ND), que é apontado por algumas sondagens como vencedor da votação de domingo.

Outras indicam que a coligação de esquerda, Syriza, pode culminar a sua histórica ascensão com um primeiro lugar. Alexis Tsipras, o seu líder, mantém o discurso da primeira votação – apodado de radical – e apresentou um programa que prevê a revogação da redução do ordenado mínimo, a extensão do subsídio de desemprego para dois anos e uma despesa pública entre os 43% e os 46% do PIB, ao contrário dos 36% acordados com a troika.

Mas Tsipras garante que as suas políticas não têm como objectivo a saída do país da moeda única: «Não queremos sair do euro e isso nem é uma opção», afirma, defendendo que a «continuação de políticas de austeridade, especialmente em doses elevadas, é que levará a Grécia a sair do euro».

 

Kouvelis pode ser chave

Tsipras e Samaras representam duas ambições manifestadas pelo eleitorado que, para Bruxelas, não são conciliáveis: a renúncia à austeridade e a manutenção no euro. Entre eles está um homem que poderá ser a chave das negociações pós-eleitorais: Fotis Kouvelis, o líder da Esquerda Democrata – que em 2010 se separou da Syriza. Ao mesmo tempo que puxa a direita para a renegociação dos acordos de resgate, Kouvelis exige à esquerda moderação, rejeitando a anulação dos acordos proposta por Tsipras.

Seja qual for o vencedor, é quase certo que terá de satisfazer as pretensões de Kouvelis para formar um governo maioritário, pois as sondagens afastam o cenário de uma maioria de partido único, mesmo com a regra que dá ao vencedor 50 deputados extra num Parlamento com 300 representantes. E tanto Kouvelis como Venizelos, o candidato do PASOK, apelaram esta semana à formação de uma coligação de esquerda que ponha um fim ao vazio de poder e inicie uma «renegociação credível» que passe essencialmente pelo alargamento dos prazos de pagamento até 2017. «O povo grego não aguentará mais austeridade, a renegociação é realista», afirmou Kouvelis, que após as eleições de Abril rejeitava qualquer hipótese de coligação com os partidos pró-troika, ND e PASOK.

 

UE prepara o pior cenário

Sem abrir para já a porta para uma renegociação, Bruxelas prepara-se para todas as hipóteses, incluindo a saída imediata da zona euro por parte dos gregos. A Reuters noticiava na segunda-feira que um grupo de especialistas financeiros tem um plano para o pior dos cenários: limitar o levantamento de dinheiro no multibanco, suspender o espaço Schengen e limitar as transferências de dinheiro são as primeiras medidas de um plano, não assumido oficialmente, que pretenderá estancar ao máximo as consequências de uma saída que, ao agravar a situação de países como Portugal, Espanha, Irlanda e Itália poderá mesmo deixar em risco a moeda única.

Mas sem uma posição oficial, os jogos de bastidores vão sendo conhecidos por declarações menos cuidadas, como a do ministro das Finanças britânico. «Não sei se o Governo alemão precisa de uma saída da Grécia para explicar ao eleitorado por que razão tem de aceitar medidas como a união bancária, as eurobonds e outras», afirmou George Osborne, já depois do homólogo alemão, Wolfgang Schauble, ter dito que «se a Grécia decidir sair do euro» a Europa «não pode obrigá-la a ficar».

nuno.e.lima@sol.pt

 




9 Comentários
AJPC
17.06.2012 - 16:32
A partir de hoje, os gregos vão começar a comer coelho pelo rabo...
forreta
17.06.2012 - 16:12
Europa com olhos nos escravos...
Somos todos escravos, desde dos descobrimentos que aplicamos escravatura e as riquezas roubadas nao eram investidas mas usadas para o bem estar da monarquia... hoje em dia nada mudou... fujam desse pais, venham para Suiça que vos ajudarei.
Deixo aqui um motor de busca para encontrar trabalho na Suiça: woorkle.com
Niajar
17.06.2012 - 14:23
Os gregos anseiam por comer m**** ...deixa-los comer a vontade o Syriza que vença por maioria absoluta
pontaesquerda
17.06.2012 - 13:23
syriza não implica saida do euro!...

...implica o fim dos juros-porno!...

...o futuro é mudar este sistema socioeconomico e financeiro!...

...a bem ou a mal vai mudar!...
veritatis
17.06.2012 - 12:48
A esquerda jenuina deveria dormar uma internacional europeia para correr com os bandidos corruptos que arruinaram os países mais pobres da Europa e ainda os sugam com juros agiotas e criminosos como faz a troyka em Portugal tendo como coniventes aqueles que causaram a ruina e exploram as populações em tudo que podem até ao desespero levando ao suicidio. Até as juntas médicas atribuem 60% de incapacidade a uma velha que nem sequer consegue ir sozinha à casa de banho como aconteceu a semana passada em Viseu. Até no que concerne a direitos os cidadadãos são esbulhados.
Este país está uma vergonha miserável sem controlo pois o Estado é o primeiro vampiro dos cidadãos...
Sensor
17.06.2012 - 12:41
A Europa anseia por uma coça à Grega!

Viriato Pedrada
17.06.2012 - 12:21
Diz o povo que para grandes males grandes remédios. Isto de a Europa não ser carne nem peixe, não leva a bom porto de certeza. Esta Europa tal como está não passa de uma anedota e é assim que os EUA a veem e o resto do Mundo olha para ela como um sonho de esperança. Sou um europeísta convicto do Atlântico aos Urais, única maneira de conseguir sobreviver nos tempos que se aproximam.

http://viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/06/o-euro-e-os-custos-de-financiamento.html

http://viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/06/resgate-portugal-nao-era-necessario.html
lillyrose
17.06.2012 - 11:36
VENCIMENTO mínimo na Grécia 605 euros!!!!
GALAICOLUSITANO
17.06.2012 - 11:34
A EUROPA É m****...... NÃO HÁ SOBERANIA EUROPEIA PORQUE O EURO NA REALIDADE É VIRTUAL PORQUE O BCE NÃO EMITE, NÃO HÁ UM GOV PRÓPRIO, NÃO SE SABE QUEM MANDA....................
A MIM NENHUM CÃO EUROPEU ME ENGANA...... DEPOIS QUEIXAM-SE DOS MERCADOS............ CLARIFIQUEM TUDO E OS MERCADOS ACALMAM SEUS CAMELOS EUROPEUS.


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