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Alemanha foi o primeiro dos PIGS

17 de Junho, 2012por Luís Gonçalves
A crise das dívidas soberanas na zona euro é a mais grave da história da UE e países como a Grécia, Irlanda, Portugal – e agora Espanha – são hoje os ‘maus alunos’ da Europa. São o exemplo a não seguir e alvos de um acrónimo (PIGS, ‘porcos’ em inglês) escolhido para descrever este grupo de economias que sofrem de fraco crescimento, desemprego elevado, bancos endividados e governos pouco responsáveis na gestão das contas públicas.

Mas até há poucos anos, a 'Grécia' ou os 'periféricos' da UE eram os que são vistos como exemplares hoje: Alemanha, Suécia, Finlândia ou Holanda. Entre 1995 e 2004, os germânicos eram o alvo de chacota da Europa com uma economia estagnada e um desemprego de quase 10%, quando a restante UE crescia 3 a 4% ao ano. O sistema financeiro nórdico, por seu lado, faliu nos anos 90 devido à especulação imobiliária e o excessivo crédito (num caso semelhante ao irlandês e espanhol) com consequências desastrosas para a economia.

Estas crises, todas elas de carácter estrutural, levaram cerca de dez anos a resolver com 'instrumentos' conhecidos: medidas de austeridade, resgate de bancos e reestruturações de dívida.

A Alemanha viveu praticamente estagnada nos finais da década de 90 e sobretudo nos primeiros anos do euro com a economia a crescer abaixo de 1%, desemprego acima de 10% em vários anos e uma indústria que estava a ser ultrapassada por norte-americanos e japoneses. Muitas das regiões alemãs estavam igualmente em insolvência.

Face a este cenário, o Governo de esquerda de Gerhard Schröder iniciou um programa de austeridade e reformas estruturais que seria o mais violento no país desde o final da guerra com elevados custos sociais: corte para metade da duração do subsídio de desemprego, redução dos encargos com a saúde, aumento da idade da reforma para 67 anos, congelamento de pensões por dois anos, entre outras.

O boom germânico viria só após 2005 com o crescimento das exportações para a zona euro que importava em massa produtos (entre tecnologia e automóveis) com o crédito barato e a nova moeda europeia. Em 2000, as vendas ao exterior alemãs representavam 30% da economia, hoje são quase 50% do PIB.

Antes da Irlanda ou Espanha, Suécia e Finlândia sofreram no início dos anos 90 uma crise financeira que fez falir todo o sistema financeiro. As razões são as de sempre neste tipo de crises: liberalização dos mercados financeiros acompanhada de supervisão deficiente que permitiu concessão de crédito excessivo e criação de 'bolhas' – nos países nórdicos também no sector imobiliário.

A crise levou à falência de inúmeros bancos e as duas economias viveram uma recessão com dimensões semelhantes às da Grécia ou Portugal. Na Finlândia, a economia esteve em recessão quatro anos (1990 a 1993), um período em que o PIB contraiu 14% e o desemprego jovem atingiu 31,5%. Na Suécia, as ajudas à banca fizeram o défice orçamental atingir os dois dígitos entre 1991 e 97 com um pico nos 12% do PIB.

online@sol.pt

 




24 Comentários
concei01
18.06.2012 - 07:24
Contas públicas falsificadas, o povo que não quer apertar o cinto, etc, etc, se fosse eu a Merkel, bye bye Grécia, ajudar vocemessê nem pensar!
DEIXALA
18.06.2012 - 07:11
Dizem que é boato!?
Vampire
18.06.2012 - 01:40
Esqueceu-se de dizer que a Alemanha teve a reunificação...
Milhões de empresas que tiveram de ser reestruturadas.
E Dezenas de milhões de pessoas que tiveram de mudar de vida.
00SEVEN
18.06.2012 - 01:17
Ó Manel:

Manuel Rocha Rocha
17.06.2012 - 19:36

Desde "Adão e Eva" que os pecadores pagam pelos seus pecados!

Andam, tal como os portugueses, a comer lavagante regado com "Alvarinho Reserva" , há muitos anos e, agora, que aparece a conta, dizem que quem encomendou o repasto foram os tipos da mesa ao lado!

Para já perdoaram-lhes 70% da dívida que tinham para os investidores privados!

Quem é que hes quer emprestar mais dinheiro?

Eu não!

Vão para a '''' que os deu à luz!

E este prícípio é fundamental e transversal!
00SEVEN
18.06.2012 - 01:02
Á diferença é que a Alemanha já sofreu o "bail out" de ter que absorver a economia falida da Alemanha de Leste, comunista, para a elevar ao seu nível económico!

Mas todos falavam alemão e tinham as mesmas raízes culturais e históricas!

O mesmo não acontece agora!

São latinos que gostam do sol, da farra e não gostam de trabalhar!
quijote
17.06.2012 - 22:05
Os gregos não se sabem governar sozinhos, não merecem ser independentes.
mirodri
17.06.2012 - 20:39
Manuel Rocha Rocha
17.06.2012 - 19:36

esqueceste que a grécia já incumpriu mais de 70% da dívida portanto esse texto nada vale
Manuel Rocha Rocha
17.06.2012 - 19:36
A dívida alemã, por Manuel António Pina
"Gostaria de ver os arautos dos "mercados" que moralizam que "as dívidas são para pagar" (no caso da Grécia, com a perda da própria soberania) moralizarem igualmente acerca do pagamento da dívida de 7,1 mil milhões de dólares que, a título de reparações de guerra, a Alemanha foi condenada a pagar à Grécia na Conferência de Paris de 1946.
Segundo cálculos divulgados pelo jornal económico francês "Les Echos", a Alemanha deverá à Grécia em resultado de obrigações decorrentes da brutal ocupação do país na II Guerra Mundial 575 mil milhões de euros a valores actuais (a dívida grega aos "mercados", entre os quais avultam gestoras de activos, fundos soberanos, banco central e bancos comerciais alemães, é de 350 mil milhões).
A Grécia tem inutilmente tentado cobrar essa dívida desde o fim da II Guerra. Fê-lo em 1945, 1946, 1947, 1964, 1965, 1966, 1974, 1987 e, após a reunificação, em 1995. Ao contrário de outros países do Eixo, a Alemanha nunca pagou. Estes dados e outros, amplamente documentados, constam de uma petição em curso na Net reclamando o pagamento da dívida alemã à Grécia.
Talvez seja a altura de a Grécia exigir que um comissário grego assuma a soberania orçamental alemã de modo a que a Alemanha dê, como a sra. Merkel exige à Grécia, "prioridade absoluta ao pagamento da dívida."
antunano
17.06.2012 - 19:28
Só parte do artigo é verdade. E mesmo que fosse todo verdade, deve lembar-se q em Portugal nunca nunca nunca souberam poupar. O que fizeram foi criar empregos no Estado para votarem nos partidos e quando deram contam tinham 300 mil funcionários a mais. Ora, esse dinheiro com mais do dobro que as autarquias gastam que n deviam gastar, se fosse para a economia produtiva como fizeram as economia do centro e norte da Europa, bem diferente estávamos agora. Deve estar lembrando q Soares, apesar de receber dinheiro às toneladas, chamou o FMI por duas fezes as mesmas que foi 1º ministro.Portanto o defeito está em quem nos des governa e n nos outros.
quijote
17.06.2012 - 19:18
Não temos nada para exportar para a China.
antoniopestana
17.06.2012 - 19:08
Tal como a Alemanha depois da crise teve o seu boom económico quando começou a exportar para a UE ,também nós teremos o nosso boom quando exportarmos para a China.Em vez de Euros seremos pagos em malgas de arroz.
quijote
17.06.2012 - 18:22
Os comunistas não são portugueses, caro Biafra. São soviéticos de segunda.
forreta
17.06.2012 - 17:35
Onde estava esta Senhora que podia ter salvo a Europa? Mas demagogos há muitos esta é mais uma, que aparece com varinha mágica QUANDO LHE CONVEM, só demagogia.
Tantos politicos em Portugal como na europa sao oportunistas e nao defendem os interesses do povo mas sim os interesses financeiros deles proprios... e nao vejo o povo fazer nada contra estes gajos... por isso fuji, sim fuji para um pais neutro que é a Suiça... quem kisere que venha para ca e percebera o que se passa na europa... se precisam de ajuda para vir para a Suiça visitem este site : woorkle.com (coloque-o nos seus favoritos que é muito util, nunca se sabe)
BIAFRA
17.06.2012 - 17:20
quijote.
o seu amado PR disse estes dias que os portugueses devem-se unir para os dias dificeis que aí veem........siga essa orientação........
BIAFRA
17.06.2012 - 17:14
a europa vai transformar-se muito rapidamente numa churrascaria gigante...........
o que a URSS não conseguiu vai agora a Russia conseguir........e sem misseis atómicos......e a CHINA está atenta.......enquanto os USA estão a patinar como nós......é chegada a altura de Portugal utilisar a velhinha politica do páu de dois bicos......
quijote
17.06.2012 - 17:10
Esta peça de desinformação é apenas mais um exemplo da facciosidade da imprensa portuguesa. Os jornalistas estão vendidos ao PCP, serão mal pagos e ainda não receberam.
Zeus
17.06.2012 - 16:38
!
Zeus
17.06.2012 - 16:38
O que é cada vez mais claro para toda a gente é a morte do Euro e da UE. E isso é mesmo o melhor que poderia acontecer à Euorpa. Esta UE que está a ser construida contra a vontade dos seus Povos e à sua revelia é contra a Democracia e vai inevitavelmente conduzir a Europa a novas Guerras, em vez de as evitar. O egoísmo e a falta de visão dos países mais ricos da UE, os Países BIFAG - Benelux, France, Austria & Germany – (não confundir com a abreviatura de Bi-Faggot, BIFAG) conduziram ao fim do Euro e da UE.

Vladimir Bukovsky, o mais famoso dissidente Soviético, mostra no seu video as semelhanças que existem entre a construção desta UE e a da ex-União Soviética.

“The European Union - the New Soviet Union?”
(http://youtu.be/bM2Ql3wOGcU)

Isto para não dizer queo sr. Nigel Farage acertou a 100% em todas as previsões que fez sobre o Euro e a UE nos últimos anos. O que contrasta com as previsões da Comissão Europeia que foram 100% erradas.

“Nigel Farage Was Right!”
(http://youtu.be/Wb-MWoZKYmg)

A única coisa sensata a fazer em relação ao Euro e à UE é acabar com eles o mais depressa possível de uma forma controlada. Continuar a insistir no Euro e na UE quando todos os sinais mostram que é anti-Democrática, que é contra a vontade da maioria esmagadora dos Povos da Europa, só irá conduzir a Europa a novas Guerras.
Zeus
17.06.2012 - 16:36
O egoísmo e a falta de visão dos países mais ricos da UE, os BIFAG - Benelux, France, Austria & Germany – (não confundir com a abreviatura de Bi-Faggot, BIFAG), só poderia resultar nisto. Não lhes bastava terem decidido insultar os países do Sul da UE criando o acrónimo PIGS (Portugal, Italy, Greece & Spain). Foram mais além impondo-lhes programas catastróficos de austeridade. Os resultados estão à vista de todos. Os líderes dos Países BIFAG estão a ter o que merecem. E com o fim mais do que certo do Euro e da UE os BIFAGs (não confundir com Bi-Faggots) terão o que merecem: graves crises económicas.

A actual crise nos países do Sul da UE deve-se sobretudo às políticas desastrosas da Boche Merkla na Bochelândia. Com o Dumping Social que fez na última década (os salários Alemães subiram 7% enquanto no resto da UE subiram em média 27%) reduziu o poder de compra dos Alemães e criou uma vantagem competitiva não legítima.

Deve-se por outro lado ao endividamento forçado dos países do Sul seguido de políticas de austeridade e privatizações criminosas que deixaram no desemprego e na miséria dezenas de milhões de cidadãos. Está tudo explicado em detalhe nos 2 documentários disponíveis na Internet:
“Catastroika” (http://youtu.be/Qam7h1jMIwI)
“Dividocracia” (http://youtu.be/nwlJDAufvnM)
jooliveira
17.06.2012 - 15:32
Pois é sr Jornalista Luís Gonçalves mas nem uma para se referir à reunificação da Alemanha.
Porque será?
Desconhecimento, incompetência, ou necessidade de atirar areia para os leitores deforma a branquear a incompetência dos governos nacionais para o desastre que foi o desinvestimento nos sectores primários e secundários e o grande investimento em betão, asfalto e obra (da ADREM) de que o ataul PR é o expoente máximo de delapidação dos dinheiros da CEE.
Lei muita História Contemporânea e seja objectivo nas suas análises!



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