Em pouco mais de 48 horas o Governo paquistanês assistiu a uma reviravolta de gigante que, em vez de contribuir para assentar a poeira levantada pela condenação e posterior destituição do primeiro-ministro Yousuf Raza Gilan, apenas serviu para aumentar a turbulência política.
Makhdoom Shahabuddin foi o nome escolhido pelo Presidente para ocupar o lugar vazio deixado por Gilan, mas depressa se revelou uma escolha infeliz para a estabilidade política da região. Esta quinta-feira, apenas algumas horas após a nomeação, um juiz paquistanês emitiu um mandado de detenção do futuro chefe de Governo por suposto envolvimento em crimes de importação de droga.
O recém-nomeado primeiro-ministro, ministro do sector têxtil e militante do Partido do Povo do Paquistão (PPP) - partido maioritário no país -, está a ser indiciado por suspeita de crimes de envolvimento em importação de droga, que terá praticado durante o Governo de Benazir Bhutto, quando dirigia a pasta da Saúde, em 2010.
Permanece, no entanto, incerto se este envolvimento na justiça irá pôr em causa a sua nomeação para o executivo. A verdade é que os processos judiciais contra políticos são relativamente comuns no país, sendo muitas vezes interpostos por outros políticos como forma de enfraquecer os rivais.
E acresce outra questão. Caso Shahabuddin seja efectivamente nomeado primeiro-ministro tal como ontem foi proposto pelo Presidente, o mandado de detenção pode ser imediatamente descartado uma vez que os chefes de Governo desfrutam de imunidade judicial.
O primeiro-ministro cessante, Yousuf Raza Gilan foi condenado em finais de Abril pelo Supremo Tribunal por desrespeito a ordens do tribunal, por ter recusado a reabertura de uma série de casos de corrupção contra o actual Presidente Asif Ali Zardari e outras figuras políticas do país.
A decisão de destituir o então primeiro-ministro, anunciada na terça-feira pelo Supremo Tribunal, que tornou Gilan «inelegível» em futuras eleições, foi o último desenvolvimento da já longa luta entre o poder político e o poder judicial no Paquistão.
Acontece que o próximo primeiro-ministro também deverá enfrentar a mesma ordem do Tribunal de reabrir a investigação a Zardari. Nesta lógica, tudo indica que a instabilidade política no Paquistão veio para ficar. Pelo menos até Março de 2013, altura em que termina legalmente o mandato do Governo em funções.
AP/SOL