O embaixador português na UNESCO, Francisco Seixas da Costa, revelou hoje que foram as diligências diplomáticas portuguesas realizadas esta semana que permitiram a classificação como Património Mundial das Fortalezas e do Centro Histórico de Elvas.
Na reunião do Comité do Património da UNESCO em São Petersburgo que decorre esta semana, estava em cima da mesa uma proposta do Centro do Património Mundial (o organismo que gere os processos de concurso deste tipo) de chumbar a candidatura portuguesa, revelou à Lusa Seixas da Costa, considerando que a classificação daquela que é a maior fortificação abaluartada do mundo era de «toda a justiça».
O embaixador explicou que foi só depois de várias diligências feitas pela delegação portuguesa, é que se conseguiu convencer os elementos do comité. Entre os países participantes no encontro, foi possível uma «unanimidade» na recusa daquela proposta do Centro do Património Mundial e «Elvas passou a entrar no Património Mundial, conforme era o nosso desejo», salientou.
Seixas da Costa reconheceu que, quando chegou a São Petersburgo, não estava convencido de que isso pudesse ser conseguido.
No entanto, «foi possível ao longo destes dias trabalhar a matéria de forma a ter um resultado positivo», afirmou o embaixador, considerando que esta foi uma segunda vitória da diplomacia portuguesa contra as propostas do Centro do Património Mundial.
Durante a reunião em São Petersburgo, foi também rejeitada uma proposta do Centro do Património Mundial que previa a imediata suspensão dos trabalhos de construção da barragem no Tua por causa dos impactos «graves» e «irreversíveis» que vai provocar no Alto Douro Vinhateiro.
De acordo com esta proposta, a construção da barragem, entre os concelhos de Alijó e Carrazeda de Ansiães, poderia colocar em causa o estatuto da região como Património Mundial.
Os membros do comité votaram, por unanimidade, a proposta do Governo português que tem em vista um «abrandamento significativo» das obras, em alternativa à suspensão.
Francisco Seixas da Costa disse que esse ritmo de trabalhos se vai manter até à apresentação do relatório de uma nova missão, que já foi solicitada por Portugal em abril.
Esta visita ao Douro está agendada para finais de Julho e será composta por especialistas internacionais indicados pelo Centro do Património Mundial da UNESCO.
O relatório final deverá ser apresentado, segundo Francisco Seixas da Costa, ainda em 2012.
Lusa/SOL