
Activistas da oposição ao governo ucraniano envolveram-se hoje em confrontos com a polícia. Depois de os deputados terem aprovado legislação que poderá valorizar a língua russa no país, o presidente do Parlamento demitiu-se e vários deputados vão começar a fazer greve de fome.
A legislação em causa, que ainda tem de ser assinada pelo Presidente para ter força de lei, deixará o ucraniano como única língua de estado, mas permitirá a utilização do russo nos tribunais, escolas e outras instituições públicas das regiões onde se fala a língua do país vizinho.
Alguns opositores pró-ocidente dizem que uma lei deste tipo diminuirá a influência da língua ucraniana, ao remover qualquer incentivo a milhões de cidadãos daquelas zonas para aprenderem a língua do país. Além disso, alegam, colocará de novo a Ucrânia na órbita de Moscovo e afastará Kiev do caminho de aproximação com a União Europeia.
Deputados leais ao Presidente Viktor Yanukovych levaram a proposta ontem à noite ao Parlamento, sem que a oposição pudesse opor-se com conhecimento de causa durante o debate.
Volodymyr Lytvyn, líder do Parlamento, não estava presente quando tudo ocorreu e demitiu-se por considerar o sufrágio ilegítimo, apesar de membros do seu partido a terem votado. Sete deputados anunciaram greve de fome.
Cerca de dois mil manifestantes, alguns com vestuário tradicional, começaram também uma greve de fome e, depois de tentarem bloquear o acesso a um edifício onde Viktor Yanukovych ia dar uma conferência de imprensa. A polícia de choque foi ao local, onde foi alvejada com garrafas de água e outros objectos. Depois foi atirado gás pimenta de parte a parte.
AP/SOL