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Egipto 'em guerra': presidente enfrenta militares e tribunal

10 de Julho, 2012por Diogo Pombo
Mohamed Morsi, presidente egípcio, ao centro, quer restaurar o parlamento, eleito em Março, que foi dissolvido pelo Conselho Geral das Forças Armadas (SCAF), liderado por Hussein Tantawi, à direita. Os militares agiram sob ordem do Tribunal Constitucional, que considerou ilegais as eleições legislativas ©AP
Guerra aberta na política egípcia. O primeiro presidente democraticamente eleito do país, a 30 de Junho, pretende devolver o parlamento egípcio ao poder, após ter sido dissolvido, quinze dias antes, pela Junta Militar que governa o país desde a queda de Hosni Mubarak, antigo ditador, em Fevereiro de 2011. Pela frente, Mohamed Morsi tem o Tribunal Constitucional.

A deposição de Mubarak abriu uma porta no Egipto: a da democracia, cujas bases têm sido edificadas lentamente e com pés de barro, com o receio de quais serão as reacções nas ruas e de como deve ser governado um país que, nos últimos 40 anos, tinha apenas conhecido o punho de ferro de um ditador.

Em Março, foi dado o primeiro passo. As primeiras eleições legislativas livres deram a vitória e a maioria aos Islamitas nos 508 lugares do parlamento no Cairo, capital do país. O seu mandato, porém, durou pouco mais de quatro meses, quando a 15 de Junho o Conselho Geral das Forças Armadas (SCAF), sob ordem do Tribunal Constitucional (TC), dissolveu o parlamento evocando a inconstitucionalidade do sufrágio.

Em causa esteve a ocupação ilegal na assembleia de lugares destinados a candidatos independentes por deputados pertencentes a vários partidos políticos. Uma causa que sustentou a decisão do TC, que assim devolveu o poder à Junta Militar do SCAF, que governava o Egipto desde a deposição de Mubarak.

Em Junho, seguiu-se outro passo histórico no país. Os egípcios regressaram às urnas para escolher, numa inédita eleição democrática, o seu próximo presidente. A vitória caiu nos ombros de Mohamed Morsi, candidato da Irmandade Muçulmana, que ontem deu indícios de querer restaurar o poder legislativo ao parlamento eleito em Março.

Porém, esta terça-feira, o El País noticiou um comunicado divulgado pelo TC egípcio, que sublinhou a sua decisão de dissolver o parlamento como «vinculativa para todas as instituições do país», erguendo assim um muro onde a intenção de Morsi colidiu, e dificilmente ultrapassará.

Por seu lado, e quiçá procurando evitar um descontentamento nas ruas, a Junta Militar emitiu o seu próprio comunicado, onde defendeu ter agido em conformidade com a lei e com o mandatado pelo TC. A CNN citou o seu líder, Mohamed Hussein Tantawi, que no sábado realçou que os militares «cumpriram as obrigações e a promessa que fizeram perante Deus e o povo [egípcio]».

Hoje, terça-feira, o parlamento eleito em Março voltou a reunir-se, num encontro que se estendeu apenas por cinco minutos. No rescaldo, Saad el-Katatny, o líder eleito, ressalvou de acordo com o The Guardian que o parlamento vai respeitar a lei egípcia. A Assembleia só deverá voltar a reunir quando uma decisão definitiva for tomada. Leia-se, quando a poeira erguida pela colisão entre Morsi e o TC/Junta Militar assentar.

Uma poeira que também deverá ser levantada nas ruas do Cairo. Em protesto contra a intransigência do TC, a Irmandade Muçulmana convocou uma manifestação de um milhão de pessoas para a capital do país, embora não seja claro se a mobilização vá decorrer hoje ou apenas amanhã, na quarta-feira.

Resta aguardar para ver de Mohamed Morsi continuará a forçar o seu braço de ferro com os militares e o mais poderoso tribunal egípcio. Para já, e qualquer que seja a sua decisão, a disputa voltou a reforçar ao país o que tanto queria evitar na antecâmara das suas primeiras eleições legislativas e presidenciais como selo democrático: a instabilidade.

diogo.pombo@sol.pt




13 Comentários
vendap
12.07.2012 - 03:21
pedrox
11.07.2012 - 13:51
Chegou-me às mãos sem querer.
vendap
12.07.2012 - 03:19
vicentearaujo2
11.07.2012 - 17:20
Pois é embora dê para perceber que já a têm mas não dá para ter a certeza. É como Israel, tem, não tem...
factos
11.07.2012 - 18:31
Dois navios de guerra russos partem para a Síria


O navio de desembarque "César Kunikov" da Frota do Mar Negro,com uma unidade de fuzileiros a bordo, partiu em direcção ao Mediterrâneo, hoje, para visitar uma base russa no porto sírio de Tartus, diz uma fonte diplomática- militar russo.

"A missão prevê a entrada no porto de Tartus para aprevionarse. A bordo do navio à uma unidade de fuzileiros", disse o militar.

Dois rebocadores Shajtior e SB-5, saiu hoje do Mar Negro rumo ao Mediterrâneo.

Ontem, um outro navio de guerra da Frota do Mar Negro, o cruzador "Smetlivi" começou a jornada para o mesmo lugar, segundo fontes navais,russas .

A missão da Frota do Mar do Norte, irá juntar-se a outros navios de guerra da frota russa do Mar Báltico e Mar do Norte,no Mediterrâneo "para realizar manobras conjuntas", diz o Ministério da

Defesa da Rússia.

A Frota do Mar do Norte, compreendendo o navio anti-submarino "Almirante Chabanenko" e três navios de desembarque, saíram do porto de Severomorsk.

Como o "César Kunikov" vai fazer escala em Tartus, o único porto que dispõe a Marinha russa no Mediterrâneo.

A estes navios irão juntar-se mais tarde "Yaroslavl Mudri" frota russa do Mar Báltico, e outras unidades de apoio.

O "Almirante Chabanenko", com uma tripulação de 220 homens, além de ser armado com mísseis supersónicos "Moskit" transporta também helicópteros Ka-27.

Gogue e Magogue se Preparam para o Juízo Final...
vicentearaujo2
11.07.2012 - 17:20
vendap,12:59

Não sei qual o mais importante, ter a dita cuja, ou deixar assim como está -tem ou não tem?- e deixar a "comunidade internacional" embasbacada.
pedrox
11.07.2012 - 13:51
Ok vendap fume lá o charrito e continue alucinando!
vendap
11.07.2012 - 13:12
Em 10 de Fevereiro de 2014 quando se completarem 35 anos da revolução islâmica será feita a 1ª experiência do artefacto. Curiosamente terá o nome de Trinity em persa.
vendap
11.07.2012 - 12:59
Irão já tem a dita cuja!
vendap
11.07.2012 - 12:55
Operação Hazrat Qaem começou hoje. Esquadra chinesa junta-se à esquadra russa no dia 16. Fica o quadro completo. Rússia, China, Irão e Síria farão exercícios militares em conjunto.
vendap
11.07.2012 - 12:33
pedrox
11.07.2012 - 11:22
A Rússia não pretende atacar o ocidente mas sim defender a Síria.
pedrox
11.07.2012 - 11:22
Ó vendap não me diga que a Rússia atacaria o ocidente??????Vcé mesmo um cómico do caraças!!!! porra tanta criancice!!!!O ocidente alem de dar um apoio de porcaria aos rebeldes ,está-se marimbando para a Síria ,o que é de uma grande hipocrisia ,quanto a Rússia esta-se cagaando de alto também para a Síria, resumindo Síria é caso que não interessa a nenhuma das partes ,portanto não efabule como sempre faz ,vc até parece que que está debaixo da Mesa do Assad aparando as migalhas.
Na minha Modesta opinião os rebeldes acabaram por fazer ao tirano do assad o que fizeram ao tirano do Kadhafi,alias bem merecido ,portanto nao se apoquente muito Porque o pau para enfiar no Kú do Assad, os Sírios o farão sem ajuda infelizmente da hipocrisia dos ocidentais!
Só tenho a felicitar a liga Arabe e a Turquia pelo apoio efectivo que tem dado ao martizizado povo Sirio,essse genocida merece a morte pelos crimes hediondos cometidos ,basta de ditadura familiar desde 1063 ,e se eu fosse a si tinha vergonha na cara em defender aquele filho de uma vaca e vergonha ainda mais tinha de dizer que era comunista ,porque vc comunista não pode ser ,talvez mais um OTÁRIO a dizer calinadas!
vendap
11.07.2012 - 10:22
Entretanto a Rússia vai a caminho e dá um sinal ao 'ocidente' para que não cometa a burrice de atacar a Síria.
http://www.presstv.ir/detail/2012/07/10/250243/russia-sends-warship-to-syrian-port/
Baruch100
11.07.2012 - 04:18
Ehehehehe esses MERDHAS tribalistas a quererem darem uma de estadistas...Uhauhauhaua E como Servos metidos a patrões que são, macacos de imitação a 'La ocidente' rsrsrsrs Ridículos ! É o que dá uma descolinização e independências a esses paus-mandados esparros sub - raça ... Só a rirmos das caras feias dessa gentalha ! Ingleses e italianos, Reassumam essa porcaria fétida.
vicentearaujo2
11.07.2012 - 00:03
Primavera árabe, democracia e coisa-e-tal mas... em termos... A "comunidade internacional" deve continuar puxando os fios da marionete da hora.


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