O secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Domingos Simões Pereira, que está a deixar o cargo, foi hoje homenageado durante a IX conferência de chefes de Estado e de Governo do bloco lusófono, em Maputo.
Na declaração de apreço divulgada pela organização, os países reconhecem «o papel esclarecido e empreendedor» do secretário-executivo.
O documento diz que o guineense Domingos Simões Pereira «desempenhou na condução dos destinos do secretariado executivo, no período de Julho de 2008 a Julho de 2012, nomeadamente na projecção e reforço do prestígio internacional da CPLP, e na prossecução da reforma institucional da organização».
A organização teve em conta «o seu papel activo na aproximação da CPLP à sociedade civil» e o «seu empenho pessoal na promoção e divulgação dos seus objectivos, princípios e valores dentro e fora do espaço da comunidade».
A entidade expressou um voto de louvor a Domingos Simões Pereira «pela dedicação, elevada competência e determinação com que serviu a CPLP durante o seu mandato».
O próximo secretário-executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa é o actual embaixador de Moçambique em Brasília, Murade Murargy.
Durante a conferência foram também homenageados três líderes lusófonos que morreram recentemente: Aristides Pereira, Malam Bacai Sanhá e Francisco Xavier do Amaral.
A CPLP prestou homenagem à memória de Aristides Pereira, Presidente da República de Cabo Verde entre 1975 e 1991, que morreu a 27 de Setembro de 2011.
A organização lusófona recordou Aristides Pereira como «o insigne combatente da liberdade e a figura incontornável da luta de libertação nacional dos países africanos de língua portuguesa».
«Enquanto político experiente e estadista nato, muito contribuiu para a imagem de tranquilidade, dignidade e prestígio de que goza Cabo Verde no mundo. Foi um destacado activista cujo legado extravasa o campo político e as fronteiras de Cabo Verde», indicou o documento.
De Francisco Xavier do Amaral, primeiro Presidente de Timor-Leste (1975 a 1978), que morreu a 06 de Março, a CPLP referiu que «revelou uma visão e estatura moral que conduziu os primeiros anos da resistência à ocupação (da Indonésia), tendo sido, após a sua captura pelo ocupante, submetido durante os 22 anos subsequentes em termo de residência em Bali».
Segundo a CPLP, Amaral «sempre acreditou no poder do diálogo e do direito inalienável do povo timorense à autodeterminação tendo refundado um movimento político após a libertação da pátria, para participar activamente na vida política democrática do país».
A CPLP prestou também homenagem à memória do Presidente Malam Bacai Sanhá, Presidente da Guiné-Bissau falecido a 9 de Janeiro de 2012, «no decurso do seu mandato, recordando o seu contributo na defesa dos valores da paz e democracia na Guiné-Bissau».
«Malam Bacai Sanhá esforçou-se por promover a estabilidade governativa, após sucessivos golpes de Estado militares e constitucionais. O seu legado deve servir de inspiração para a resolução da actual crise militar, política e institucional que a Guiné-Bissau atravessa», completou a nota.
Os líderes dos membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reuniram-se hoje, em Maputo, com a segurança alimentar, a situação política na Guiné-Bissau, o pedido de adesão da Guiné Equatorial e a revisão de estatutos na agenda.
Moçambique assume a presidência rotativa da organização durante os próximos dois anos.
A CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Lusa/SOL