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Itália e Espanha terminam semana com juros da dívida a bater máximos

20 de Julho, 2012
Os juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida pública espanhola e italiana continuam a subir, num movimento que foi hoje intensificado depois de a Comunidade Valenciana ter formalizado o pedido de ajuda ao Governo central espanhol.

Em Espanha, o diferencial relativo à dívida alemã (que serve de referência aos países que usam a moeda única) nas maturidades a 5 anos e a 30 anos subiu para o nível mais alto desde que o país aderiu à zona euro, situação semelhante à verificada no que toca à dívida italiana com prazo de dois anos.

«O pedido de assistência feito por Valência sublinha os receios sobre a capacidade que o Governo central espanhol terá para sarar as 'feridas' das comunidades», afirmou à agência de informação financeira Bloomberg Richard McGuire, estrategista do Rabobank International em Londres.

«Esta situação coloca a Espanha sob uma pressão considerável», assinalou.

As taxas da dívida soberana espanhola a cinco anos dispararam 47 pontos base, para 6,88 por cento, depois de terem tocado nos 6,903 por cento, o valor mais alto desde que o país aderiu à zona euro. Já a 30 anos, as taxas também atingiram novo máximo, negociando nos 7,35 por cento.

O especialista do Rabobank realçou que «Espanha enfrenta uma 'espiral da morte', já que as taxas mais elevadas fazem subir os custos de financiamento, e isso aumenta a preocupação de que o país não seja capaz de suportar a sua dívida».

O custo dos seguros para fazer face a um eventual incumprimento de Espanha também cresceu para o nível mais alto do último mês, situando-se agora nos 600 pontos base.

O reflexo do pedido de ajuda de Valência também se fez sentir na bolsa espanhola, com o índice de referência (IBEX 35) a desvalorizar hoje quase 6 por cento, a maior queda da Europa.

A Comunidade Valenciana vai recorrer ao auxílio do Governo espanhol, acedendo ao Fundo de Liquidez das Autonomias (FLA), um mecanismo criado há uma semana pelo Executivo liderado por Mariano Rajoy, não sendo ainda conhecido o montante da ajuda.

Paralelamente, os ministros das Finanças da zona euro aprovaram hoje em teleconferência o programa de ajuda financeira à banca de Espanha, anunciou o comissário dos Assuntos Económicos, Olli Rehn.

«O objetivo deste programa é muito claro: garantir que os bancos de Espanha permaneçam [economicamente] saudáveis, efectivamente regulados e rigorosamente supervisionados, capazes de alimentar o crescimento económico sustentável», declarou o comissário numa declaração no final da teleconferência que aprovou o memorando de entendimento para o resgate da banca de Madrid.

Na declaração conjunta do Eurogrupo, é referido que os ministros das Finanças da moeda única aprovaram de forma unânime o programa de ajustamento que visa a «recapitalização das instituições financeiras» tida como essencial para «salvaguardar a estabilidade financeira na zona euro como um todo».

O resgate à banca atingirá um montante até 100 mil milhões de euros, como já havia sido anunciado anteriormente.

Lusa/SOL




2 Comentários
parasol
21.07.2012 - 11:29
Que estranho! A Itália e a Espanha são governadas por politicas de "rigor", "verdade" e "transparencia"... deviam ser muito respeitados (Sr Silva dixit)...
Carapeteiro
20.07.2012 - 22:36
Isto não é surpresa nenhuma, o problema dos mercados não é de "nervos", mas sim de oportunidades de ganharem biliões de euros numa situação facílima. que me dera ser uma desses mercados, poder ir ao BCE pedir emprestado a menos de 1% (a taxa baixou há pouco tempo) e depois ir vender o dinheiro à Espanha e à Itália a cerca de 7%. escusado será dizer, que os governos desses países estão proibidos de receber crédito do BCE e são obrigados a ir aos tais mercados, que até manipulam as regras do jogo à sua vontade, como se viu recentemente com o escândalo das taxas euribor.
Como é que a Merkel e os seus apaniguados, tão virtuosos, tão trabalhadores, tão inteligentes não vêem isto?
Isto para não falar dos licenciados Relvas e Coelho, com tantos méritos reconhecidos nos seus diplomas.


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