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O dia em que 8 mil trabalhadores da Peugeot ficam sem emprego

25 de Julho, 2012
O grupo automóvel Peugeot-Citroën detalha hoje o seu «plano social», que inclui uma redução de 8.000 postos de trabalho em França, e divulga os resultados da empresa este ano, enquanto o Governo apresenta um plano de ajuda para o sector.

A imprensa francesa considera estes dois anúncios «cruciais para o futuro da indústria automóvel no país».

O maior fabricante de automóveis de França – e o segundo maior da Europa – anunciou, no dia 12 de Julho, que vai cortar 8.000 postos de trabalho no país e fechar, em 2014, a unidade de produção a 30 quilómetros a norte de Paris, onde trabalham mais de 3.000 pessoas, incluindo pouco mais de 300 portugueses ou luso-descendentes.

Hoje, a empresa deve detalhar o «projecto de reorganização das actividades industriais e de redução de efectivos» que anunciou há duas semanas. Deste plano faz ainda parte um abrandamento da actividade da fábrica do grupo em Rennes, no noroeste de França.

Quanto a resultados financeiros, o grupo já avançou que teve prejuízo no primeiro semestre deste ano. Os responsáveis estimam que não será possível equilibrar as contas antes do final de 2014.

De acordo com o delegado sindical António Reis, operário na fábrica de Aulnay-sous-Bois, algumas centenas de trabalhadores deverão concentrar-se em frente à sede do grupo na capital francesa, a partir da hora marcada para o início da assembleia-geral extraordinária, às 09:00 (10:00 em Lisboa).

Há 20 anos que a França não via fechar uma fábrica do sector automóvel. Os sindicatos declararam “guerra” à Peugeot-Citroën. O Presidente francês, François Hollande, considerou a decisão da empresa «inaceitável» e afirmou pretender que ela fosse «renegociada».

O Governo multiplicou-se, primeiro, em condenações, duvidando publicamente das alegadas dificuldades financeiras da empresa, depois em encontros com os principais responsáveis do grupo, e representantes dos trabalhadores.

O executivo encarregou ainda um perito de fazer uma avaliação sobre a situação financeira da empresa. As primeiras conclusões dessa análise devem ser conhecidas no final do mês.

Na segunda-feira, depois de um encontro com o primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, o presidente da empresa, Philippe Varin, disse aos jornalistas que o grupo se comprometeu a levar a cabo «um diálogo social exemplar».

«Comprometemo-nos a encontrar uma solução para o problema de emprego de cada assalariado, e a fazer o máximo para assegurar a reindustrialização de Aulnay-sous-Bois», afirmou.

Sobre o plano governamental de ajuda ao sector, o ministro da Reindustrialização, Arnaud Montebourg, afirmou apenas que consistirá num «apoio massivo» à produção de veículos «inovadores e de energia limpa», em troca de «contrapartidas».

Em Junho, as vendas na Europa de veículos particulares e de veículos utilitários produzidos pela Peugeot-Citroën caíram 18 por cento, em relação ao mesmo mês de 2011. O grupo realiza quase 60 por cento das suas vendas no velho continente.

Lusa/SOL




2 Comentários
ravp
25.07.2012 - 17:22
Onde anda o Hollande?
GUEDES1955
25.07.2012 - 14:15
A zona euro devia penalizar gravemente todas as multinacionais que transfiram as suas fábricas para países onde a mão de obra é muito barata!
A Peugeot Citroen não devia despedir ninguém, devia isso sim receber incentivos estatais ou da comunidade europeia para manter os postos de trabalho, e arranjar maneira de dar a volta a esta fase má que atravessa.
Deslocalizar produção, seja ela qual fôr nunca devia ser permitido pelas leis europeias, se o fizessem estes grupos economicos , eram impedidos de regressar à europa por um periodo de 50 anos!


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