Peugeot-Citroën, Alcatel, Air France: o novo Governo socialista francês está a braços com sucessivos anúncios de despedimentos em grandes empresas, numa altura em que o desemprego no país cresce e atinge níveis históricos.
A Peugeot-Citroën, maior construtor automóvel francês, anunciou este mês a supressão de oito mil postos de trabalho no país e o encerramento de uma fábrica nos arredores da capital.
A empresa de equipamento de telecomunicações Alcatel anunciou hoje o corte de 5 mil postos de trabalho em todo o mundo, face às perdas na ordem dos 254 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano.
O gigante farmacêutico Sanofi anunciou também hoje que o seu plano de reorganização terá um «impacto sobre o emprego», embora não tenha avançado números.
Também a companhia aérea Air France deverá suprimir mais de 5 mil postos de trabalho.
Estes anúncios são más notícias para os trabalhadores, mas também para o Presidente da República, François Hollande, eleito em Maio com promessas de medidas de estímulo à economia para retomar o crescimento económico. Para além disso, acontecem numa altura em que o desemprego no país atinge valores recordes.
Segundo dados da OCDE, em Maio deste ano, o desemprego em França era de 10,1 por cento.
Em Junho, havia no país quase 3 milhões de pessoas à procura de emprego. Este número sobe para mais de 4 milhões se se considerarem também as pessoas que exercem uma actividade reduzida.
Perante este quadro, o executivo socialista tem tentado reagir. Na quarta-feira anunciou um plano de apoio ao sector automóvel e criticou a «concorrência desleal» da Coreia.
O ministro da Reindustrialização, Arnaud Montebourg, afirmou mesmo que «a Europa está aberta mas não pode ser oferta».
«Não podemos aceitar medidas de ‘dumping’ desleais nos planos social ou ambiental», defendeu.
Lusa/SOL