A saída da Grécia da zona euro seria «um fracasso colectivo de toda a Europa» e um problema para todo o projecto europeu que não pode «de forma alguma» ser permitida, defendeu hoje Mariano Rajoy.
«Que a Grécia saísse da zona euro ou que alguém possa abandonar a zona euro seria um fracasso colectivo de toda a Europa. Não seria apenas um problema da Grécia, mas de toda a Europa. Não o podemos permitir de forma alguma», disse Rajoy.
O chefe do Governo espanhol falava numa conferência de imprensa conjunta com o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, depois de um almoço de trabalho que mantiveram em Madrid.
«Estou convencido que o Governo grego está a cumprir os seus compromissos e estou confiante que, tal como outros Governos, os vai cumprir», disse.
Durante o encontro entre ambos, Rajoy disse ter defendido que a Europa avance nos processos de maior integração económica e financeira, insistindo na importância da união bancária e fiscal.
«É muito importante que tenhamos uma união bancária em Dezembro, uma autoridade de supervisão única e um fundo de garantia de depósitos e que se possa permitir a recapitalização directa das entidades financeiras», considerou.
Rajoy afirmou ainda que é crucial que se continuem a tomar medidas em defesa da zona euro, especialmente no que toca ao combate à especulação em torno das dívidas soberanas.
O chefe do Governo espanhol afirmou ter transmitido a Van Rompuy que Espanha «continuará a fazer as reformas necessárias para sair da crise», combatendo o défice e concretizando reformas estruturais.
Rompuy, por seu lado, saudou os esforços do Governo espanhol para combater a crise económica e financeira «criada basicamente pelo endividamento privado devido ao boom imobiliário».
«Todos os parceiros europeus nos dão conta da magnitude das reformas adoptadas. São ajustes difíceis em qualquer momento mas se os desafios dos mercados persistem, os líderes europeus demonstraram a sua vontade de ajudar Espanha», disse.
Questionados sobre um eventual recurso de Espanha a mais apoio europeu, nomeadamente através de instrumentos do BCE, Rajoy reafirmou que o seu Governo «fará tudo para os interesses gerais dos espanhóis».
«Esse será o critério com base no qual tomaremos as nossas decisões. Nenhuma decisão está tomada», disse, considerando «inaceitável que pelas dúvidas em torno ao euro existam estas diferenças nas dívidas soberanas e as dificuldades de vários países em financiar-se».
«O risco de dívida continua a ser inaceitável e não responde a nenhum dos fundamentos da economia», disse.
Rompuy, por seu lado, disse que corresponde ao Governo espanhol uma eventual decisão de pedir ajuda adicional, ressaltando que Espanha «assumiu compromissos valentes».
Lusa/ SOL