A crise económica deverá dominar a XV cimeira União Europeia-China, que se realiza hoje em Bruxelas, tendo ambas as partes reconhecido à partida a necessidade de cooperarem entre si, especialmente na actual conjuntura.
Do lado europeu, os presidentes da Comissão Europeia, Durão Barroso, e do Conselho, Herman van Rompuy, que representarão a UE, disseram esperar que esta nova cimeira permita aprofundar a cooperação entre as duas partes, «indispensável no mundo de hoje».
José Manuel Durão Barroso destacou que o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao – que participou em todas as cimeiras com a União Europeia desde 2003 –, «tem desempenhado um papel importante na consolidação das relações entre UE e China», e referiu que a reunião de hoje constituirá uma nova oportunidade de discutir formas de «nutrir estes laços e aumentar a cooperação em assuntos globais».
Van Rompuy sublinhou a necessidade de conjugação de forças para ultrapassar as dificuldades actuais no quadro da crise económica, apontando que a cimeira será uma oportunidade de discutir o estado de ambas as economias e formas de juntar forças para as impulsionar.
As palavras de Durão Barroso e Van Rompuy estão em sintonia com a «antecipação» da cimeira feita pelo lado de Pequim, tendo na véspera um vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Song Tao, defendido também que «mais do que nunca, é necessário que a China e a União Europeia trabalhem juntas», referindo-se à «incerta conjuntura internacional».
A crise da dívida soberana na zona euro «está a ter um impacto negativo nas relações económicas» entre a China e a UE, realçou também o responsável, mas Pequim continua a manifestar confiança no futuro da zona euro e apoio ao processo de integração europeia.
A União Europeia é, há oito anos consecutivo, o maior parceiro comercial da China e este país é a principal fonte de importações dos 27.
No final da cimeira não haverá lugar à tradicional conferência de imprensa após as reuniões celebradas entre UE e os seus parceiros, já que, tal como em 2010, no anterior encontro na capital belga, as partes não chegaram a acordo sobre o seu figurino, tendo fontes diplomáticas europeias explicado que, uma vez mais, esteve em causa a vontade de Pequim de poder «vetar» jornalistas, algo que Bruxelas não aceitou.
Lusa/SOL