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Acidente LAM: Perícias em curso

6 de Dezembro, 2013por Ana Cristina Câmara e Mário Domingos*
Já estão a ser analisados os restos mortais das vítimas do avião da LAM que se despenhou há uma semana na Namíbia. Não há previsão de tempo para identificação dos corpos e Portugal tem dois especialistas em Windhoek, que vão ajudar na investigação forense.

Os restos mortais das vítimas do acidente de aviação das Linhas Aéreas de Moçambique começaram ontem a ser analisados na morgue da capital namibiana, Windhoek, após a queda da aeronave Embraer 190, que fazia a ligação Maputo-Luanda e se despenhou há uma semana no Parque Nacional de Bwabwata, no Norte da Namíbia - sem deixar sobreviventes.

A informação foi dada ao SOL por fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que explicou que este «trabalho inicial consistirá em fazer uma primeira avaliação», não existindo ainda «previsão do tempo que levará o processo de identificação até à entrega dos corpos».

A bordo do avião da LAM seguiam 27 passageiros e seis tripulantes, tendo havido alguma confusão acerca da nacionalidade dos mesmos. Foi avançado que seriam 16 moçambicanos, nove angolanos, um chinês, um francês, um brasileiro e cinco portugueses, mas por questões de dupla nacionalidade verificou-se que um passageiro seria luso-brasileiro e outro luso-angolano.

Entre as vítimas nacionais estão quatro empresários, um dos quais um antigo jogador de andebol do Sporting. Do lado angolano, somam-se as mortes do músico Action Nigga, DJ Maskarado e três inspectores do Ministério das Finanças de Angola - os três técnicos tinham participado em Maputo na conferência anual das Inspecções Gerais da CPLP.

A mesma fonte do MNE avançou que «não estão famílias nem representantes das mesmas na Namíbia» e que o Ministério «acompanha de perto o evoluir de todo o processo e continuará a informar as famílias dos desenvolvimentos dos trabalhos de investigação forense».

Foi enviada para aquele país africano uma equipa portuguesa - «uma médica especialista em medicina legal e um antropólogo, com experiência em situações desta natureza». Estes dois profissionais realizarão as perícias «ao ritmo e segundo as directivas que estão a ser implementadas pelas autoridades namibianas em relação a todo o processo e a todas as vítimas, em coordenação com equipas de outras nacionalidades».

Peritos provenientes de Moçambique, Namíbia e Brasil foram para o terreno apurar as causas da queda do avião e estão já a escutar as comunicações da tripulação, gravadas nas duas caixas negras entretanto recuperadas. Um destes dispositivos grava pelo menos os últimos 30 minutos de conversas no cockpit, enquanto o outro regista os dados técnicos e parâmetros de até cerca de duas horas de voo.

Apurar causas

Embora as causas do acidente estejam por identificar, informações dão como hipótese o mau tempo (ver texto ao lado). Aliás, as equipas de busca e resgate só conseguiram chegar aos destroços no sábado, um dia após o desaparecimento do avião, devido a chuvas torrenciais.

Tobias Günzel, responsável do Instituto de Avião Civil da Namíbia, declarou à CNN que a aeronave começou a perder altitude aos 38 mil pés (mais de 11.500 metros) - e a descer rapidamente.

«Conseguíamos ver isso no nosso radar, que estava a descer muito depressa, a cerca de 30 metros por segundo», recordou Günzel. Depois o avião desapareceu dos ecrãs quando estava nos 900 metros de altitude.

A Embraer, fabricante brasileira da aeronave, afirmou num comunicado de 30 de Novembro «lamentar profundamente o acidente» - mas sublinhou que o avião que operava na rota TM470 era novo, tendo sido «entregue à companhia aérea em Novembro de 2012».

A LAM, por seu lado, anunciou que vai mudar o nome da rota TM470/471 para TM500/501, «em respeito pelos passageiros e tripulação que perderam a vida» e comprometeu-se a indemnizar os familiares das vítimas: «Todas as famílias têm direito a indemnização, assim como nós também iremos recuperar a aeronave, porque temos um seguro», explicou à imprensa Marlene Manave, administradora delegada da LAM.

A responsável garantiu que, apesar do episódio, não serão interrompidos os três voos semanais entre Maputo e Luanda.

A LAM - recorde-se - está proibida por questões de segurança de voar no espaço europeu desde 2011, sendo que, apesar de ter renovado a sua frota, continua banida de sobrevoar a região.

ana.c.camara@sol.ptmario.domingos@sol.co.ao

*com Cláudia Muguande




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