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Uma greve quixotesca

5 de Dezembro, 2011por José António Saraiva
A greve de quinta-feira passada não era uma greve como as outras.

Não era uma greve contra os patrões, para reivindicar aumentos de ordenado.

Nem era bem uma greve contra o Governo, que está encostadoà parede com as metas da troika.

Nem era, obviamente, uma greve contra a troika, que não era afectada pela greve e da qual depende a vinda de dinheiros para pagar ordenados.

Contra quem era, então?

Não era contra ninguém em concreto: foi um grito de revolta que fez lembrar as investidas de D. Quixote contra os moinhos de vento.

A DIFICÍLIMA situação do país tem que ver com duas coisas:

1) Um défice crónico do Estado e um endividamento crescente das famílias, que algum dia tinham de dar problemas;

2) A decadência do Ocidente, que todos os dias perde capacidade para competir com os chamados países emergentes.

Ora as greves não podem contribuir para resolver nem uma coisa nem outra.

O endividamento excessivo exige que o Estado, por um lado, e as famílias, por outro, gastem menos.

E para as pessoas gastarem menos têm de ter menos dinheiro.

A isto chama-se austeridade.

E todos aqueles que a contestam, argumentando que há outros caminhos e que as medidas podiam ser mais brandas, não passam de vendedores de ilusões.

Não adianta suavizar as medidas: quanto mais depressa se atacar o mal, melhor.

QUANTO à decadência do Ocidente, ela é inelutável.

Todas as civilizações têm uma fase de ascensão, de apogeu e de declínio.

Ora o Ocidente está já na fase de declínio.

Com o avanço da globalização, as grandes fábricas começaram a transferir-se em ritmo acelerado de Ocidente para Oriente, onde encontram melhores condições.

Estando os países emergentes noutro estádio de desenvolvimento, os trabalhadores têm aí menos regalias, ganham menos e trabalham mais horas – tornando os custos de produção muito mais baixos.

E, como consequência disso, as grandes marcas preferem produzir lá – podendo depois colocar os produtos nos mercados ocidentais a preços imbatíveis.

ISTO É um ciclo infernal: as fábricas fogem para o Oriente, os produtos vindos de lá invadem o Ocidente a preços módicos, o Ocidente perde emprego, perde encomendas e perde receitas, o Oriente cresce.

Como combater este fenómeno?

Só pondo uma muralha à volta da Europa e dos Estados Unidos, e fechando o mercado ocidental aos produtos vindos do China ou da Coreia do Sul.

Mas, mesmo que isso fosse possível, não seria praticável – porque o Ocidente precisa do Oriente para exportar os produtos que ainda são feitos na Europa e nos EUA.

Não há solução, portanto.

O Ocidente vai continuar a empobrecer – enquanto a China, a Índia, o Brasil, mesmo a África vão sain-do lentamente da miséria.

Nenhuma lei pode parar este movimento.

POR ISSO eu disse que a greve geral foi uma luta quixotesca.

D. Quixote investia, impotente, contra os moinhos de vento, vendo aí perigosos guerreiros inimigos.

As centrais sindicais lutam, impotentes, contra as consequências da globalização.

São combates desiguais, condenados ao fracasso.

D. Quixote, já velho e arruinado, representava a caduca fidalguia que o progresso simbolizado pelos moinhos de vento veio matar.

As centrais sindicais representam as caducas formas de luta do tempo da revolução industrial, que estão igualmente condenadas.

Porque os culpados pelo empobrecimento dos trabalhadores já não são os patrões, já não são os governos – é um fenómeno difuso que dá pelo nome de globalização.

Um fenómeno que certamente não se combate com manifestações e greves – como os moinhos de vento não podiam vencer-se com a lança de D. Quixote.




17 Comentários
surpreso
10.12.2011 - 19:25
Foi uma"agiprop" do PCP ,com o "amarelo" Proença de reboque
finito
10.12.2011 - 17:31
O Senhor José António Saraiva é o actual João Coito. Lembra-se dele?
salazarento
08.12.2011 - 20:05
fdx que o outra vez é um inteligente do carago,topu parvo
Rui Pedro
08.12.2011 - 14:20
PARA, JOSÈ ANTÒNIO SARAIVA:
COMO O Sr. MUITO BEM SABE,ESTA GREVE, NÃO TEVE COMO PROPÓSITO....NADA! TEVE SIM A PARTICULARIDADE DE, MAIS UMA VEZ, NOS COMPORTAMOS, EXATAMENTE, COMO ,eles; e nòs;ESPERÁVAMOS, UM TRISTE BANDO DE FIGURAS QUIXOTESCAS,LUTANDO CONTRA MOINHOS DE VENTO, MAS ANTES DO Sr.JOSÉ A.SARAIVA, EU RUI LIBÓRIO COSTA, JÁ AQUI HAVIA DITO O MESMO, INVOCANDO CERVANTES, NO MESMO CONTEXTO, MAS NÃO SENDO ASSIM TÃO DERROTISTA;O Sr. APONTA FACTOS INEGÁVEIS,SEM DÚVIDA, MAS NÃO APONTA SOLUÇÕES,EM CONTRAPONTO EU PONHO A ÚNICA SOLUÇÃO (POR AGORA INVIÁVEL) QUE SERIA, SABER QUEM , COMO, QUANDO, QUANTO E ONDE ,ESTÃO OS NOSSOS MUITOS MILHÕES, QUE SALAZAR NOS DEIXOU.
ARRECADAR OS CULPADOS,PELO MENOS OS 4 OU 5 MIL MAIS CULPADOS, COMEÇANDO PELAS PRESIDENCIAS PRIMEIROS MINISTROS, SECRETÁRIOS, ADJUNTOS E TODOS OS CORRUPTOS QUE SEGUEM ESSA CORJA DE BANDIDOS , QUE TRNSFORMARAM O PAÍS EM QUE EU NASCI , COM 2.123.615 Km2, NESTE BOCADINHO DE 91.971 Km2, E PRETENDEM VIVER Á GRANDE E Á FRANCESA, SEM O MINIMO RESPEITO PELO POVO, QUE LHES PERMITIU,(E CONTINUA A PERMITIR) RIREM-SE, EM ALMOÇOS, VIAGENS, PASSEIOS ETC ETC.
SABERÁ ACASO, " É EVIDENTE QUE SABE QUANTOS PAÍSES CONHECEU MÁRIO SOARES" COM O NOSSO DINHEIRO? E TODOS OS OUTROS?
SABE ONDE ESTAVA SÓCRATES QUANDO DO TREMENDO TEMPORAL QUE DEIXOU CENTENAS DE FAMILIAS NA MISÉRIA?
SABE, POR ACASO ,ONDE ESTAVA O SUPRA-CITADO QUANDO O PAÍS FOI ASSOLADO, PELA MAIOR VAGA DE INCENDIOS, QUE ASSOLOU O NOSSO "buraquinho"? A FAZER ESQUI NOS ALPES.
DA SEGUNDA VEZ, ELE MAIS A COMITIVA ESTATAL E NÃO SÓ --NUMA CAÇADA EM ÁFRICA!!!
ESTES SÃO EXEMPLOS SEM SIGNIFICADO(PARA ELES) DE COMO SE AFUNDA UM PAÍS
DESCULPE, MADS QUEM NÃO SE SENTE , NÃO É FILHO DE BOA GENTE!!!
A MINHA IDADE E O MEU ESTADO FISICO, NÃO ME PERMITEM, VER COMO ISTO VAI ACABAR, MAS , NÃO SENDO PÉSSIMISTA, DIREI, QUANDO O POVO ACORDAR JÁ VAI TARDE.
DESCULPE O INCÓMODO
UM ABRAÇO
RUI LIBÓRIO COSTA
Carlos Sa
07.12.2011 - 23:42
A greve é contra a ignorancia (nos perdemos regalias e os paises do norte da europa aumentam),os politicos incapazes e que não zelam pelos seus cidadãos, contra a corrupção do sistema e dos seus representantes.
Se isto não são melhores razões que lutar por aumentos de 1,2%, por menos 1 hora de trabalho. Algum tempo um ministro disse que eramos a , em China da europa, para o proximo ano vamos ser a India e para 2013 o Vietename e não há razões para lutar?
parasol
07.12.2011 - 11:26
Mu Deus! O JAS está a perder qualidades... já se esquece de dizer que a culpa é do Socrates...
zedaesquina
07.12.2011 - 08:12
Então como vamos combater esse fenómeno?
De joelhos, de cu para o ar?
Ou fazemos uma guerrazinha matando todos os pobres que são quem trabalha? sim porque os outros querem é que se trabalhe para eles de graça.
Jalopes
06.12.2011 - 22:03
Concordo com JAS: “As centrais sindicais representam as caducas formas de luta do tempo da revolução industrial, que estão igualmente condenadas”. São "correias de transmissão" do PCP e do PS.
antoniopestana
06.12.2011 - 19:44


SE O OCIDENTE ESTÁ EM DECADÊNCIA,COMO EXPLICAR O AUMENTO DO INVESTIMENTO EXTERNO NOS ESTADOS UNIDOS?

Decadente é apenas a tentativa de resolver o problema da dívida externa com medidas de austeridade que paralizam a economia.

Lisboa, 26 jul (Lusa) -- A Europa foi a sub-região que atraiu menos investimento direto estrangeiro (IDE), em 2010, ao passo que os Estados Unidos começaram a recuperar nesse ano, evidencia um relatório das Nações Unidas para hoje divulgado.

De acordo com o 'World Investment Report 2011', da agência da ONU para o Comércio e Investimento (UCNTAD), "a Europa foi a sub-região cujas entradas [de IDE] caíram mais acentuadamente": em 2010 ficaram nos 313 mil milhões de dólares (215 mil milhões de euros), menos 19 por cento do que no ano anterior.

Esta perda de IDE deve-se, entre outros fatores, às medidas de austeridades tomadas pelos governos europeus e à crise de dívida soberana europeia, aponta o relatório.

jordi24
06.12.2011 - 18:49
Elementar, meu caro Saraiva: é o principio dos vasos comunicantes.
Sensor
06.12.2011 - 18:46
Desta vez em total sintonia com JAS.

Este é mais o tempo para rezas e améns e benzeduras que para outra coisa; até porque é Outono e se aproxima o Inverno.

Mas também por duas Razões Fundamentais. Quais?

1) devemos confiar em quem nos quer bem; os políticos. Especialmente estes que acampam lá agora. Temos deles as melhores recordações e as mais singelas provas de confiança.

2) Porque não devemos temer confiar o nosso dinheiro e o nosso trabalho nas mãos honradas dos grandes deste mundo. Eles sofrem muito com esta crise. E, afinal de contas, é nas mãos honradas deles que reside a caridade para com os servos que os sobrecarregam de preocupações e tanta responsabilidade.

Oremos.
filipefeio
06.12.2011 - 16:51
Nesses pontos, com que pretende explicar a dificílima situação do país, inclua, se não for pedir muito, a corrupção que mina o interior dos partidos que nos têm governado - e tudo aquilo que daí advém. Essa é que é uma das principais causas do estado a que chegámos. Quanto ao endividamento das famílias (para além de ser muito mais uma consequência do que uma causa do problema, sendo que não me vou dar ao trabalho de lhe explicar porquê!), é uma ideia falaciosa à qual se recorre reiteradamente no sentido de perpertuar esta mistificação de que a culpa é de todos. Está claro que não é...
Outravez
05.12.2011 - 20:55


As greves na europa são o farol para os povos dos outros continentes.



Logo a a greve é conveniente para encarecer a mão de obra nos mercados concorrenciais, com o melhoramento das condições sociais dos povoas vitimas da globalização.


Outravez
05.12.2011 - 20:48

America de costas a europa e a conquista da Asia.



http://www.spiegel.de/fotostrecke/fotostrecke-75276.html




Outravez
05.12.2011 - 20:44



«Ora o Ocidente está já na fase de declínio.


Com o avanço da globalização, as grandes fábricas começaram a transferir-se em ritmo acelerado de Ocidente para Oriente, onde encontram melhores condições.


Estando os países emergentes noutro estádio de desenvolvimento, os trabalhadores têm aí menos regalias, ganham menos e trabalham mais horas – tornando os custos de produção muito mais baixos.»


Em Italia por exemplo uma hora da trabalho custa 25 euros.


Na Asia custa somente 2 euros.


Salario minimo para Alemanha é de 1300 Euros.



Mas ao fazer Shopping devemos comprar fabricado na europa. é mais caro mas a qualidade recompensa.

/
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«Como combater este fenómeno?


Só pondo uma muralha à volta da Europa e dos Estados Unidos, e fechando o mercado ocidental aos produtos vindos do China ou da Coreia do Sul.


Mas, mesmo que isso fosse possível, não seria praticável – porque o Ocidente precisa do Oriente para exportar os produtos que ainda são feitos na Europa e nos EUA.


Não há solução, portanto.»


Claro que não há...Porque ao combater as importações vindas da asia não resolvia nada porque importava-se ainda mais caro e logo o defice seria muito maior.



Outravez
05.12.2011 - 20:30

A Psicologia dos mercados.


Eu vendo um vínculo Grécia porque acabo irritado com alguma coisa. Os outros vendem porque acreditam que eu tenho informação significativa. E o último investidor privado a chegar ao mercado, acha que todos vendem, é porque alguma coisa negativa se passa.


E assim se gera o panico na bolsa porque alguém não acordou bem disposto.
Outravez
05.12.2011 - 20:27

«Assim pode cair o euro.
Muitos economistas ver o infográfico da zona do euro, mesmo antes do colapso. Certos desenvolvimentos na política e fatores externos podem realmente causar. Um cenário.»
*
1-Cimeira EU a 9 de Dezembro.
*
Os países do euro não chegam a um acordo. Embora terminar uma alteração do contrato em favor de uma supervisão mais forte, mas ainda não tem formulação definitiva. Nem Bonds nem um € para apoio ilimitado das compras de títulos do BCE são decididas. Itália e Espanha disseram que não havia sido apresentado um pedido subsidiário e não tinha a frente.
*
2- os mercados entram em greve.
*
Os mercados estão decepcionados. O rendimento dos títulos italiano e espanhol saltou mais de oito e até nove por cento. Todo mundo fica em problemas denominados em euros de emissões. Euro cai para 1,30 dólares. Se trata de um ataque do investidor. Investidores de fora da zona do euro para fugir.
*
3-O governo grego cai.
*
O intercâmbio voluntário de títulos gregos com um desconto de 50 por cento falharam em janeiro, porque os bancos muito menos de participar como esperado. Porque o pacote de ajuda seguinte é ligado a ele, agora todos esperam que um governo rápida falência do país. O governo rompe Papademos, Samaras líder da oposição apela a uma retirada do euro.
*
4-Economia cai na ruina
*
O comércio mundial de produção e de confiança dos consumidores na quebra da zona do euro. Português e italiano diariamente milhares de milhões de euros para a transferência de contas bancárias na Alemanha e na Suíça. Vários bancos na zona euro será fechado por reguladores e tomado por estados. Chanceler Merkel assegurou que todas as contas alemães são seguros.
*
5-os conselheiros do BCE não chegam a um acordo.
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Euro cai abaixo de 1,30 dólares. Itália e Espanha falhar com emissões de títulos múltiplos. Você se aplica para as linhas de crédito com EFSF e do FMI. O BCE não pode neutralizar suas compras de títulos, há um debate feroz no Conselho do BCE. No Bundestag, já não há uma coalizão majoritária de novas ferramentas.
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6-O Parlamento italiano exige o regresso do país a lira italiana.
*
Parlamento da Itália rejeita propostas pelo Governo de Monti para medidas de austeridade ainda mais difícil. A Liga do Norte pede a reintrodução da lira. Mais e mais empresas alemãs para escrever contratos para compra de "pagamento em euros ou a aplicável no momento da entrega em conformidade com a taxa alemã de câmbio." O interesse por títulos italiano e espanhol a subir mais de dez por cento.
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7-A Pressão politica
*
As partes Euro-crítica vitória de entrada, as greves estão aumentando. Mais e mais pessoas têm a sensação de que a UE prejudica-los. Sarkozy ameaça a campanha eleitoral com uma divisão na UE e manter uma mente aberta, se ele vai para o lado do norte ou sul. Obama grita com Merkel ao telefone.
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8--A saida do euro
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Durante a preparação de uma cimeira especial terminar a Grécia e Portugal, na saída do euro. Presidente do Conselho Van Rompuy se demite. Em todo o sul da Europa surgem cartazes Weidmann com um bigode de Hitler. Um movimento estudantil e estudante "Nossa Europa" reúne centenas de milhares, mas chega tarde demais.
*
9-Os bancos vão a falencia e o fim do tratado europeu.
*
Bancos e empresas na economia real entrará em colapso. Os líderes da UE, reunidos nos tratados europeus. O BCE é confiada com o cálculo das taxas de câmbio para as moedas nacionais


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