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Medicamentos genéricos com transparência

29 de Dezembro, 2011por José P. Lopes Nunes e H. Luz Rodrigues
A grave crise económica justifica plenamente uma aposta franca nos medicamentos genéricos, como forma de reduzir os gastos do Estado e os custos para o doente.

De igual forma, justifica-se uma aposta nos medicamentos inovadores, tendo em conta os extraordinários benefícios para a saúde decorrentes da mais-valia terapêutica que estes medicamentos podem trazer para tratamento de doenças como as cardiovasculares, as oncológicas e as infecciosas.

A controvérsia que se tem ouvido nos últimos tempos sobre os medicamentos genéricos pode resumir-se a uma palavra: desconfiança. Os portugueses necessitam de sentir confiança relativamente a este tipo de medicamentos, quer sejam doentes, quer sejam médicos.

O aumento da confiança nos genéricos tem que passar por aumentar dramaticamente a transparência. É inútil continuar a insistir que os genéricos são iguais aos medicamentos originais ou que são iguais entre si. A substituição indiscriminada dos medicamentos genéricos pode ser perigosa porque estes não são comparados entre si, mas são apenas comparados com o medicamento original.

A quantidade do medicamento que está no sangue de cada doente a quem é administrado um genérico pode estar ligeiramente ‘acima’ ou ligeiramente ‘abaixo’ da que é cedida por um medicamento original – e estas diferenças poderão ainda ser maiores entre medicamentos genéricos.

Para evitar estas flutuações nas quantidades da substância activa presentes no sangue, decorrentes da troca dos medicamentos, é necessário que cada doente no seu tratamento crónico mantenha, sempre que possível, o mesmo medicamento, independentemente de ser ou não genérico.

No entanto, poderá haver dificuldades em manter o respeito por este princípio, com a consequente necessidade de realizar mudanças pontuais no medicamento regularmente utilizado.

Nestas circunstâncias, os médicos necessitam de conhecer os estudos já realizados em que os medicamentos genéricos foram comparados com o medicamento original. Estes estudos são designados de bioequivalência e devem ser obrigatoriamente do conhecimento médico. Com esta informação, o médico poderá adaptar a sua prescrição aos perfis das concentrações plasmáticas dos medicamentos, escolhendo o mais adequado.

Por exemplo, se um doente está a utilizar um medicamento com um perfil ligeiramente ‘acima’ do original, e há necessidade de proceder a uma alteração do medicamento, a troca deverá ser por outro com a mesma característica, evitando-se a troca por outro medicamento com um perfil ligeiramente ‘abaixo’, devido ao risco de uma possível quebra da bioequivalência, e consequente perda da eficácia terapêutica.

A transparência não custa dinheiro e é a solução para acabar com a conflitualidade nesta área – e Portugal tem problemas bem mais prementes nos quais se deve concentrar.

José P. Lopes Nunes e H. Luz Rodrigues

Professores da FM-UP e FM-UL

Tags: Opinião



1 Comentário
Peliteiro
03.01.2012 - 21:07
As conclusões deste artigo «não são científica e tecnicamente correctas», esquecem as taambém possíveis variações entre lotes do mesmo medicamento e contrariam a prescrição por DCI praticada, sem problemas, na Madeira, na Espanha e em muitos países de primeiro mundo.


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