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Acordo ortographico

20 de Fevereiro, 2012por José António Saraiva
Quando o Acordo Ortográfico foi assinado, em 1990, numa cerimónia no Palácio da Ajuda, o jornalista Francisco Bélard escreveu uma notícia com muita graça na qual utilizava um grande número de palavras que iriam mudar de ortografia.

A ideia era brilhante e o resultado era expressivo: a notícia causava enorme estranheza, revelando-se mesmo de muito difícil leitura.

Quem a lesse não precisava de mais nada para, naquele preciso momento, se tornar um adversário acérrimo do Acordo Ortográfico.

E muitos intelectuais da época assumiram a mesma posição, uns por conservadorismo, outros – talvez – pelo facto de o Acordo resultar de uma iniciativa de Cavaco Silva e ser negociado por Santana Lopes, então secretário de Estado da Cultura.

A ONDA era essa – e convenci-me de que o meu pai (autor de uma História da Literatura Portuguesa) também teria a mesma atitude.

Para mim, isso era líquido.

Foi, pois, com a maior surpresa que, quando o assunto veio à baila, o ouvi dizer:

– A oposição ao Acordo Ortográfico é um enorme disparate. O nosso grande património é termos uma língua comum com o Brasil, com Angola, com Moçambique… Tudo o que pudermos fazer para aproximarmos a grafia uns dos outros é decisivo para nós. Perante isso, não tem qualquer interesse discutir chinesices, como a escrita desta ou daquela palavra.

Esta posição, assumida com a maior convicção, mudou o meu modo de olhar para o Acordo.

Senti-me mesmo um pouco envergonhado por ter defendido a posição contrária.

É ÓBVIO que não entrarei em discussões técnicas sobre este assunto com Vasco Graça Moura ou qualquer outro especialista.

Eles saberão certamente muito mais do que eu.

Só que a questão essencial não é essa.

O essencial não é discutir o resultado – é admitir que são úteis todos os esforços que se façam no sentido de os países onde a língua oficial é o português aproximarem as suas grafias.

E são especialmente importantes para nós, portugueses.

Portugal tem 10 milhões de habitantes – mas o Brasil tem 200 milhões.

Só por arrogância ou por capricho se pode defender que devemos ficar ad aeternum agarrados às nossas regras.

O nosso papel deverá, mesmo, ser o oposto: levar os países que ainda não adoptaram o Acordo, como Angola, a fazê-lo rapidamente.

O QUE VALE aqui é o princípio.

É termos permanentemente na cabeça a ideia de que todos ganham se em Portugal, no Brasil, em Angola, em Moçambique, em S. Tomé, em Cabo Verde, na Guiné e em Timor se escrever do mesmo modo.

Alegar razões de ‘consciência’ para rejeitar o Acordo é simplesmente ridículo: a ortografia não envolve princípios nem valores.

Não é como o aborto, por exemplo, que choca com o valor da vida.

A escrita é uma convenção – e mexe essencialmente com o hábito.

Por isso, a resistência à mudança é sobretudo um problema de conservadorismo.

CLARO que ser conservador não é nenhum crime.

Mas não deixa de ser curioso que muitos dos opositores ao Acordo sejam intelectuais de esquerda, em princípio ‘progressistas’.

Ou será que, também nesta área, a esquerda se está a tornar conservadora?

Um conservadorismo, adiante-se, em estado quase puro, pois antes de mais diz respeito a hábitos visuais.

Estranhamos ver ‘aspecto’ escrito sem ‘c’.

Mas os nossos avós também estranharam na época ver ‘farmácia’ escrita com com ‘f’ – e nós estranhamos vê-la escrita com ‘ph’ nas fachadas antigas.

E os nossos filhos ou netos que aprenderem na escola a escrever já com a nova ortografia olharão com estranheza para este texto que o leitor está a ler.

Porque a escrita, repito, é uma convenção e um hábito.

A verdade é que, quando falamos em defender a ‘língua de Camões’, esquecemo-nos de que o poeta assinava Luiz de Camoëns.

P.S. - Percebo que as TV tenham de encher muitas horas de emissão. Mas, francamente, ver pessoas supostamente sérias passarem tempos sem fim (como as alcoviteiras nos pátios) a discutir o diz-que-disse é patético. ‘Ai, o PR disse que não conseguia viver com o ordenado’; ‘ai, o PM disse que os portugueses eram piegas’; ‘ai, o ministro das Finanças alemão falou em ajustamento’; ‘ai, o Vítor Gaspar disse o contrário’. Sejamos adultos!




25 Comentários
amarx
28.02.2012 - 11:32
Totalmente absurdo este argumento de aceitar qualquer coisa só porque há 200 milhões de "lusófonos" no Brasil. De facto é essa a única orientação do acordo: satisfazer interesses brasileiros. Não é melhorar a língua e a prova, além do óbvio nojo que provoca a nova ortografia, é a maioria dos especialistas não ter sido a favor. Um detalhe menos técnico, mas não menos importante, é a democracia. Se se faz referendos sobre o aborto e a regionalização como é que se deixa meia-dúzia de "entendidos" (tendo à cabeça, do lado português, um indiano especialista em português brasileiro...) decidir sobre um património tão importante como a língua? A universalidade pode ser muito bela para um utópico, mas Portugal ainda existe e ainda tem identidade, e um povo, e uma língua.
JJBAUBAU
26.02.2012 - 01:51
Se Vexa. falasse só da grafia o mal era menor, o problema é o completo assassinato da língua pela verbalização de adjectivos, substantivos e em casos mais graves no uso estapafúrdio e contínuo de palavras estrangeiras. O brasileiro comummente falado pouco têm de português, é língua pouco erudita, assente na ignorância e preguiça intelectual, e não falo do linguajar sertanejo, mais expressivo do nosso português clássico. Assim da alteração da grafia corre-se grande risco da alteração do léxico, coisa de certeza que a opinião do seu pai não defenderia. É que nestas coisas, Portugal é senhor não só da língua como às vezes da razão, e os brasileiros demoraram quase duzentos anos, a perceber que a sua grandeza se deve à teimosia de um Rei, que era português de vários costados, e não a um qualquer cacique independentista.
mariosantos13
25.02.2012 - 19:07
assim vai o nosso pais miseravel . Já nem a lingua se safa. Cambada de vendidos.
cevaso44
25.02.2012 - 19:05
Completamente de acordo !
"Só por arrogância ou capricho se pode defender que devemos ficar ad aeternum agarrados ás nossas regras."
Este acordo não é para nós. É sobretudo para os nossos filhos,netos e bisnetos. Esse é o nosso contributo. Uma língua grande. Com que sonhava Pessoa.
"A minha pátria é a minha língua".
Mas tem gente que parece não querer compreender isso ! ! !
zaha
25.02.2012 - 11:41
pois mas o Brasil tem 200 milhões de alfabetos. ainda na terça feira de Carnaval estive num café que por acaso estava num canal brasileiro e deu para ver as noticias que estavam a passar em rodapé e foi mais difícil para mim ler aquelas coisas do que ler em inglês não pensei que eles tratassem tão mal a língua portuguesa. ''cuidaram'' das escrita e o que fizeram à leitura?
A minha filha aluna de altas notas A TODAS AS DISCIPLINAS agora vê-se a braços com notas menos boas a português sabe-se lá porquê estive para coloca-la de castigo por causa disso. só podia vir duma pessoa instruída, culta como o Santana Lopes deve ter redigido esta treta numa mesa da discoteca capital. Bom do outro nada mais se podia esperar a ver pelos amigos que ou estão fugidos do país ou estão presos.
parasol
23.02.2012 - 17:40
De quantas mais "opiniões" vai o JAS envergonhar-se?
parasol
22.02.2012 - 14:58
É engraçado... numa coisa que nada tem a ver com o Socrates o JAS até parece ter tido um breve momento de lucidez...


parasol
22.02.2012 - 14:57
1304
21.02.2012 - 21:04 Devo ser muita estuspido! Podes explicar-me o que é que tem ser de direita com o acordo ortografico?
Fokun
22.02.2012 - 13:20
A ponte Salazar já não o é. Foi bem errado trocarem o seu nome, mas seria bem mais errado perder-se tempo em discussões tendo em vista a reposição daquele nome!
1304
21.02.2012 - 21:04
Eu sou ideológicamente de direita e contra este aborto ortográfico. Depois de lêr J.A.S. e os comentários, abaixo, apenas cheguei à conclusão que são todos parvos e não merecem mais comentários.
Jalopes
21.02.2012 - 20:04
Concordo com a posição inteligente e sensata de JAS: “A oposição ao Acordo Ortográfico é um enorme disparate (…) a ortografia não envolve princípios nem valores. Não é como o aborto, por exemplo, que choca com o valor da vida”.
GabrielBernardo
21.02.2012 - 19:41
Totalmente de acordo com José António Saraiva. Infelizmente, parece que muitos portugueses ainda preferem continuar "orgulhosamente sós", agarrados a orgulhos e vaidades idiotas!
Sensor
21.02.2012 - 19:05
Excelente! Lúcido e coerente este manifesto pró-acordo!

Só não vê isto quem por manifesta má-vontade quer persistir na estupidez malévola de pretender afirmar o direito ao seu capricho atávico."Porque a escrita, ..., é uma convenção e um hábito."
antoniopestana
21.02.2012 - 18:29
Na era da globalização é simplesmente absurdo defender ou deixar de defender acordos ortográficos porque deixou de fazer sentido a existência de mais do que uma língua universal.
Os milhares de línguas ainda existentes devem-se a um passado de isolamento.Com os meios de comunicação hoje disponíveis passaram a ser um empecilho ao desenvolvimento ,um incentivo ao isolamento,exploração,incompreensão e desavenças entre povos.
GabrielOrfaoGoncalves
21.02.2012 - 15:48
No primeiro dos meus comentários, no 3º §, queria obviamente ter escrito "Ah!", em vez de "Há".

É o "alzaimar" já a atacar-me..
GabrielOrfaoGoncalves
21.02.2012 - 15:46
Mais: muitos erros já vêm do passado:

Dever-se-ia escrever

"Sêde piedosos. Eu tenho sede. A séde da empresa tal é ali."

3 coisas. 3 palavras diferentes. (Que eu saiba, nunca se diferenciou entre a primeira e a segunda, que foram durante muito tempo "sêde". Mas dever-se-ia fazê-lo, para tornar mais compreensível a língua, nomeadamente aos estrangeiros que a querem aprender!)

Mas não: tudo é sede!

Dever-se-ia escrever:

"Que côr vibrante. Eu sei de cór o poema"

Mas não: é tudo cor. Ou então dever-se-ia dizer:

"Que cor vibrante. Eu sei de cór o poema"

Mas alguma diferença deveria haver!

Todos os derivados de pôr deveriam manter o acento: se a musicalidade é a mesma, deveria haver uniformização: propôr, antepôr, contrpôr.

Note-se que não me refiro a casos de convenção em que trocar uma coisa por outra não levanta problemas de racionalidade (hoc sensu, uniformização, obediência aos mesmos princípios quando de se trata das mesmas realidades fonéticas, e diferenciação quando se trata de realidade fonéticas diferentes). Assim, não me choca que pharmácia tenha passado a farmácia, ou que os advérbios tenham perdido o acento grave (ex.: ordinàriamente)

Mas choca-me que eléctrico seja escrito como é hoje (mesmo sem aborto ortográfico): é que se o c antes do segundo "e" está lá para abrir a vogal, por que (e não porque, como tanto burrinho escreve) leva então acento o "e"?!?

Muito mais haveria a dizer, mas não tenho pachorra.

Vejam só isto:

http://www.ciberduvidas.pt/pergunta.php?id=22438

e pasmem

Uma língua é uma convenção.

Agora uma convenção irracional é que não.

Já basta as irracionalidades que existem mesmo sem este aborto pornortográfico!
GabrielOrfaoGoncalves
21.02.2012 - 15:30
Não o choca que fora ("lá fora chove") e fora (mais-que-perfeito de ir. Ex.: Ela fôra embora para nunca mais voltar) sejam escritos com a mesma grafia?!?, ou seja: fora e... fora?!? (E isto nem sequer tem que ver com o novo acordo ortográfico, tanto quanto sei.)

O mesmo para fôr, que é desde há muito um mísero "for". Já só falta escrevem "por" e "pôr" da mesma maneira!

Há, mas ouvi dizer (corrijam-me se eu estiver enganado) que pêlo e pelo (esta última muitas vezes erradamente pronunciada como a primeira!!!) vão ser... simplesmente "pelo": o contexto que faça o leitor descobrir de que realidade se trata.

Não o choca que para (preposição) e pára (imperativo de parar) sejam escritos, segundo o novo acordo, com a mesma grafia?, ou seja: para e... para?!?

Não o choca que "lêem", "vêem", passe a ser escrito "leem", "veem"?!?

Muita coisa não me incomoda no novo aborto pornortográfico.

Mas o que é demais é demais!
Frame
21.02.2012 - 00:46
Ainda chegou a tempo de salvaguardar a sua lucidez.
Chega a ser ridículo ver tanta gente de reconhecido recorte intelectual em bicos de pés, revoltada com a quase ideia de perda nacional. Já somos mais de 260 milhões de falantes de português...e quantos somos nós, portugueses? Isso, uma gotinha.
Só uma achega, caro senhor, Vasco Graça Moura pode ser, e é, com todo o respeito, um grande poeta, escritor, tradutor de obras gregas e latinas de renome, um ensaísta, etc, etc, mas não é linguístia. Terá sensibilidade linguística mas não é especialista na matéria.
Fico aparvalhada com algumas das suas argumentações. Uma delas li-a ontem e faço a paráfrase: este acordo leva a que se altere a pronúncia de muitas palavras.
Confesso que esta afirmação foi das mais ridículas e talvez própria do nosso tudólogo, também ele "gafiento", Miguel Sousa Tavares, mas um Graça Moura? Todos sabemos, os prós e os contras, que este acordo contempla sobretudo a fonética da língua,afastando-se, assim, da grafia etimológica, por outras palavras, aproxima-se da lingua falada, não desvirtuando a pronúncia. O que não se pronuncia, não se escreve: é de faCto um ato que é um rePto...Agora se o senhor ainda pronuncia "bapetista", "ópetimo", "aqueção" " excepeção"{ grafias erradas mas para melhor demonstrarem a pronúncia) convém que reveja a sua pronúncia e que não se imagine como o outro da auto-estrada: todos vinham em sentido contrário, excepto ele.
Não há qualquer tipo de subalternidade! Quando leio certos comentários parece-me escutar os últimos estertores colonialistas.
Ninguém é dono da língua.


Gostaria que me explicassem a razão pela qual alguns locutores apresentadores de telejornais, e não só ( o caso de Marcelo Rebelo de Sousa) pronunciam sistematicamente "quaisi".
Loxyr
20.02.2012 - 22:24
O Acordo ortográfico é positivo porque unifica o idioma.

Veja-se o caso da cultura e língua Angolana que é praticamente as mesmas que se usa em Portugal.

Já que a Guiné, e Moçambique, Timor e alguns estados Brasileiros tem um acento linguístico que não favorece o próprio desenvolvimento cientifico do país ou essas regiões.
Loxyr
20.02.2012 - 22:17
.O negocio dos anéis

.1

.Até Junho 2011 para a china Sócrates valia um pedido de empréstimo de 5 mil milhões de euros e como (quase) a certeza que podia perder em parte esse valor num próximo haircut nacional.

.Para a China em 2012 Passos Coelho vale 3 mil milhões de euros e recebe em troca a jóia da coroa nacional EDP/REN.
.2

.As Grandes multinacionais já não pedem dinheiro aos bancos, mas sim directamente aos chamados mercados institucionais, soberanos, e fundos de pensões. os investidores emprestam directamente a Mercedes e Siemens sem passar pelos bancos. Bancos que cada vez mais perdem influencia nas economias globais.

.Agencias de Rating e Bancos são o problema e não mais a solução. por isso outros caminhos foram encontrados para não precisarem mais dos bancos como no passado acontecia..

.Com por exemplo, das lojas do negocio do ouro que passam a perna aos bancos e não pagam IVA.

.3

.Alemanha Precisa de imigrantes para trabalharem nas suas industrias.
Portugal precisa de industria imigrante.

.Como Alemanha tem uma população numa espiral de envelhecimento. devia as fabricas alemães deslocarem-se para Portugal.

.Tem a Palavra o poder político nacional a convencer os alemães deslocarem a sua produção para Portugal.

.A BASF vai investir no mundo até 2020 30 mil milhões de euros. Alqueva Espera por um tal investimento.

.Para a recuperação da Alemanha do leste Berlim criou um pequeno imposto para para se financiar. Uma espécie de mini-IVA para a recuperação do leste.


.Também o Algarve devia ter um mini-IVA para financiar a sua SCUT e acabar de vez com portagens do estilo do tempo do império romano,e acabar de vez com o protesto dos turismo não vir para Portugal e travar a epidemia da morte nas estradas secundárias.

.Um mini-mini IVA da mobilidade rodoviaria todo o consumo contribuiria para esta tarefa.Em especial o turismo no verão.

.Pagar um Passe social de 30 euros por mês com direito a autocarro e motorista as ordens, também não cobre de facto o principio retórico do utilizador pagador.

.4



.Turismo industria que o PSD nunca gostou, alimento para a galinha dos ovos de ouro não existe.

.9 meses de governo ainda esta para nascer a capacidade de uma visão nacional.

.Um governo em que os ministérios nucleares ainda não visitaram a sul do país, regiões as mais ricas em matérias primas e turismo. e com a maior rentabilidade nas exportações, que tirando o complexo de Sines e Autoeuropa. são exportações com matéria prima 100% nacional.

.5
.Não basta dizer (as imagens mostram) estar no meio do povo (?) mas ao mesmo tempo estar rodeado de fardas com pistola no colte.
.6
.Portugal devia pagar os juros dos empréstimos até 3%. Acima dos 3% pagava o BCE a diferença. Juros subvencionados para dar capacidade ao pais crescer porque juros a cima dos 3% não são mais individualmente pagáveis.

.como devidas acima dos 90% do PIB ...e Portugal tem uma devida acima dos 110% do seu PIB, não é mais possível o estado investir na economia.
Cont…



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