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Equívocos do poder

22 de Fevereiro, 2012por Inês Pedrosa
Austeridade não é sinónimo de autoridade. A austeridade pode impor-se, mas só será eficaz se for consequência de uma autoridade reconhecida como tal por aqueles que sofrem a imposição.

Recordo muitas vezes a história de um jornalista que, viajando de carro com um membro do Governo na Roménia de Ceausescu, o avisou de que estavam a entrar por uma rua de sentido proibido. A resposta do governante foi esta: «On peut tout: on a le pouvoir» (Podemos tudo: temos o poder). Felizmente o tempo veio demonstrar a falsidade escandalosa desta afirmação.

Há demasiados países cujos governantes estão convictos de que o poder é uma distinção suprema que lhes permite todos os atropelos sobre os outros.

Mesmo nas democracias, há inúmeros redutos (normalmente, os que a um olhar turístico parecem mais bucólicos) onde a vida real funciona assim. Existem vilas onde o maior amigo do homem que espanca a mulher é o chefe da Polícia, e municípios onde só se cumprem as ordens dos senhores que detêm o poder.

Com uma ressalva importante: se em democracia as coisas funcionam assim, é porque a populaça cala, acata, consente – na esperança do favorzinho futuro.

A autoridade autêntica é feita de exemplo e acto – nunca de queixumes e culpabilizações. Não basta ganhar eleições para se conquistar autoridade – aquilo a que as vitórias eleitorais comprometem os vencedores é a merecerem ser respeitados como líderes.

A linguagem tem a importância de um enunciado de exame: pode ser estimulante, aborrecida, clara ou confusa – mas exige resposta, e a resposta, em política, exprime-se através da acção, ética em movimento.

Muito mais do que simplesmente ouvir, a capacidade de escutar é essencial a um líder, seja qual for a área da liderança. Vivemos uma era de lideranças múltiplas e interactivas – o que devia significar melhores ideias e um acentuado desenvolvimento. Na ciência e nas artes, essa multiplicação de competências cruzadas tem sido extraordinariamente criativa e rentável.

Pelo contrário na política assistimos a um declínio de ideias e eficiência radicalmente devastador.

Porquê? Porque ao desmoronar das ilusões comunistas se sucedeu um deslumbramento bacoco com as aparentemente infinitas capacidades de prestidigitação do capitalismo.

Um pouco de conhecimento de História bastaria para acalmar a febre do ouro que atacou fatalmente os yuppies do fim do milénio passado – mas, na infinita arrogância que a candura arrasta consigo, eles prescindiram de perder tempo e ganhar rugas debruçados sobre os alfarrábios de História (já para não falar dos de Filosofia, que gastariam ainda mais tempo e contenderiam com o nervosismo da ânsia de sucesso).

Ao contrário do que se pensava, não foi a sida a peste do fim do século – essa, graças aos cientistas, acabou por se tornar uma doença crónica entre muitas outras. E a devastação física e afectiva que causou acabou por convocar as pessoas para esse fundamento moral da existência que é o amor, nas suas múltiplas modalidades. A sida teve pelo menos essa consequência regeneradora: a de levar as pessoas a serem solidárias e a aprenderem a olhar o outro com compaixão (no seu sentido original de paixão partilhada).

O caos financeiro mundial provocado pela genuflexão da política face à especulação financeira não parece ainda ter qualquer efeito no pensamento e no rumo dos líderes políticos democráticos.

Não perceberam o bê-á-bá do funcionamento das sociedades, nem sequer esta coisa elementar: a economia é um meio ao serviço de um fim, que é a dignidade das populações.

inespedrosa.sol@gmail.com




3 Comentários
JoaquimVaz1234
29.02.2012 - 17:15
Violência Doméstica
Poder é o direito de deliberar, agir e mandar e também, dependendo do contexto, a faculdade de exercer a autoridade, a soberania, ou a posse do domínio, da influência ou da força.
Existem, dentro do contexto sociológico, diversos tipos de poder: o poder social, o poder económico, o poder militar, o poder político...
A sociologia define-o como a capacidade de alguém impor a sua vontade soberana sobre os outros, sem alternativa para a desobediência, mesmo que alguns destes resistam...
O poder político, quando reconhecido como legítimo e sancionado como executor da ordem estabelecida, coincide com a autoridade, salvo nos períodos de revolução ou em ditadura.
Dentre as principais teorias sociológicas relacionadas com o poder destacam-se, entre outros – calcule-se! - o machismo e o feminismo!
Afirmei na minha intervenção anterior:
“A afirmação de que existem vilas onde o maior amigo do homem que espanca a mulher é o chefe da Polícia parece extraída de um qualquer relity show da vida dos sheriffes do Far Oeste: uma das muitas figuras de estilo com que compõe a narrativa...
Um pensamento digno de um delírio kafkaniano cujo estilo literário retracta indivíduos preocupados com pesadelos...”
O caso dos homens que batem nas mulheres está, porém, a tornar-se muito recorrente.
Por isso, senti a necessidade de aprofundar um pouco mais o tema.
A violência doméstica é um problema transversal, ocorrendo em diferentes contextos, independentemente de factores sociais, económicos, culturais, etários. Embora seja exercida na grande maioria sobre mulheres, atinge directa, ou indirectamente crianças, idosos e outras pessoas mais vulneráveis ou com deficiência física.
Restringindo a análise aos conflitos ente cônjuges, verifica-se que por cada 6 mulheres agredidas tamém 1 homem é agredido (fisicamente), devendo termos em atenção que as agressões podem ter outra forma que não a física.
A violência contra as mulheres, é um dos aspectos, mais preocupantes da sociedade portuguesa. A protecção é assegurada, mas não na sua plenitude.
A violência doméstica é considerada um Crime Público, mesmo que não seja apresentada queixa. O Ministério Publico tem permissão para investigar a ocorrência, desde o momento que tome conhecimento que, alguém sofre actos de violência.
Os médicos são obrigados a comunicar à polícia casos suspeitos de agressão física.
Defender a mulher dos maus tratos do marido, é uma necessidade imperiosa.
O medo de represálias faz com que, em muitos casos, os autores de maus tratos, acabem por não sofrer consequência nenhuma. Isto deve-se ao receio das mulheres, apresentarem queixa às autoridades.
Em Portugal, existem mais mulheres que homens e, os divórcios estão cada vez mais na moda. Brutalidade e ciúmes são os ingredientes a acrescentar a uma relação de intolerância.
De facto, uma mulher pouco tem a ganhar em fazer queixa na Polícia:
- A polícia dá seguimento à queixa?
- Entra em cena a Judiciária?
- Onde estão as Comissões de Protecção à mulher, que nunca aparecem?
- E o Ministério Público?
- O assunto vai para Tribunal? O que se ganha com isso? Condena o agressor? Quando a mulher estiver morta? Decide o quê? Manter os cônjuges de costas voltadas mas juntos na mesma casa? Prende-o? E quando sair da prisão, o que espera a mulher?
Queixa é divórcio certo que não assegura à vítima o direito ao sossego!
É, seguramente, um tema a abordar pele Sociologia.





JoaquimVaz1234
25.02.2012 - 23:00
Austeridade

Fui à Infopédia ver:

Poder:

ter autorização para; ter o direito de; estar arriscado a; ter razões para;
ter força, coragem para; ser capaz de; ter ocasião ou oportunidade de; capacidade legal de fazer algo; direito; capacidade de agir sobre algo; autoridade; domínio; força; influência; recursos; meios; característica física de uma substância; potência; eficácia
força física ou moral; manifestação dessa força; situação dos que detêm autoridade; jurisdição; força política na sua relação com o cidadão; soberania; exercício ou manifestação dessa força política; conjunto dos órgãos que asseguram a administração de um Estado; governo de um estado; força militar; autorização que uma pessoa ou uma entidade recebe de outra para agir em seu nome, delegação, procuração, mandato; poder de compra capacidade financeira de um grupo social, de uma pessoa ou de uma moeda para adquirir produtos e serviços; poder espiritual autoridade eclesiástica; poder executivo órgão de soberania do Estado, encarregado de fazer executar as leis; exercer o governo e a administração, governo; poder judicial órgão de soberania do Estado a que compete assegurar a aplicação das leis que garantem os direitos de cada indivíduo, fazendo aplicar sanções àqueles que as transgredirem; poder legislativo órgão de soberania do Estado encarregado de fazer e discutir as leis...

O que contrasta completamente com a asserção:

“Austeridade não é sinónimo de autoridade”

“A austeridade pode impor-se, mas só será eficaz se for consequência de uma autoridade reconhecida como tal por aqueles que sofrem a imposição.”

E para que servem, então as eleições, e os órgãos reguladores: a Assembleia da República e o Presidente da República?

Não será verdade que “aqueles que sofrem a imposição” legitimaram as políticas de austeridade?

A austeridade pode impor-se, mas também pode ser tomada voluntariamente por cada um de nós como opção de vida: tendo a integridade e a inteireza de nos abstermos de gastar o que não temos. Não é, pois, forçoso que a autoridade nos seja imposta.

“Há demasiados países cujos governantes estão convictos de que o poder é uma distinção suprema que lhes permite todos os atropelos sobre os outros.”, é verdade...

Como é verdade, também que há demasiados governantes que postergam os direitos das gerações futuras para viverem sem austeridade: uma cobardia, já que as gerações futuras ainda não estão cá para defenderem os seus direitos...

A afirmação de que existem vilas onde o maior amigo do homem que espanca a mulher é o chefe da Polícia parece extraída de um qualquer relity show da vida dos sheriffes do Far Oeste: uma das muitas figuras de estilo com que compõe a narrativa...

Um pensamento digno de um delírio kafkaniano cujo eu estilo literário retracta indivíduos preocupados com pesadelos...

Não devemos esquecer que a violência humana tem muitas outras formas (verbal, psicológica...) e nem sempre se traduz em bater.

Há quem se insurja contra a autoridade, contra qualquer tentativa de direcção e chefia baseada na hierarquia, preferindo que “as coisas” se acertem pela coordenação divina...
O anarquismo do poder ou o poder a cair na rua.

Os que “não procuram fazer a diferença” sempre tiveram maus atributos: são invejosos, procuram o “empenho” e o “favorzinho”, as “cunhas”; são “mesquinhos” e estão sempre a levantar “suspeições” sobre o talento e a competência dos que, por competência, sobem na vida... e, se em democracia, as coisas funcionam assim, é porque essa “populaça” cala, acata, consente – na esperança do favorzinho futuro...”

A mesma “populaça” que tolera os yuppies que trabalham nas suas profissões de formação e seguem as últimas tendências da moda): os merceeiros da troika, já se vê, os ministros das finanças de Itália e Grécia e, já agora, os ministros portugueses das finanças e da economia...

O caos financeiro mundial provocado pela genuflexão da política face à especulação financeira não parece ainda ter qualquer efeito no pensamento e no rumo dos líderes políticos democráticos... “E há também aqueles que, políticos ou não, parecem desconhecer que é o crédito que alimenta a especulação: quem não pede emprestado não fica submetido à genuflexão.

A Economia não é um meio ao serviço da dignidade das populações. Para isso servem outras disciplinas como, por exemplo, a Sociologia.

A Economia serve para criar riqueza e a Política para a redistribuir equitativamente.

A Economia também não uma ciência pura, pois está submetida aos movimentos sociais caprichosos e extravagantes, (como, por exemplo, a moda) das sociedades modernas.

Tem, por isso tanto de Ciência como de Arte, exigindo uma habilidade infinita para lidar com o desconhecido.

Só com os “movimentos de massas” devidamente “controlados”, numa “economia dirigida”, a Economia poderia ter a ambição de ser uma Ciência pura. Mas isso tem elevados custos sociais como o estabelecimento do colectivismo e a supressão da liberdade individual.

E dos acontecimentos mundiais como a globalização, a “perestroika”, a reunificação alemã, o fiasco das “subprimes”, o gigantismo chinês, os países emergentes, o colapso do ocidente, não podemos ainda tirar todas as conclusões devidas.
Rufia
23.02.2012 - 12:59
Ilustre Inês, foi um prazer, mais uma vez.
Quando o poder é temido mas não é respeitado..., o caldo fica entornado, mais dia, menos dia, digo eu que sou Rufia...


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