
A onda de revisões em baixa das notações de bancos, empresas e Câmara de Lisboa por parte de duas agências de rating, esta semana, revela mais do que incompetência: mostra má fé.
As análises das principais agências não levam em conta os progressos verificados na maior parte dos bancos, empresas e, no caso de Lisboa, na Câmara. Quem faz as notações não sabe, aparentemente, o que anda a fazer. Pior: não se coibe de causar danos gratuitos, batendo em quem já está no ‘chão’, com motivações obscuras. É grave que assim seja e – já o escrevemos – que não existam consequências. Quem avalia as agências de rating? Quem as faz serem transparentes? Onde investem elas os seus lucros? Que interesses estão por detrás de quem as gere? Perguntas que dificilmente terão resposta enquanto não houver um movimento concertado de Estados, grandes bancos e empresas, de quem elas dependem para viver.
Entretanto, o desemprego atingiu níveis trágicos, o que, não espantando demasiado tendo com conta o contexto, deve preocupar-nos, até porque é previsível que continue a aumentar. É que as dificuldades de financiamento das empresas – também geradas pelas análises irresponsáveis das agências de rating – vão agravar-se, o que vai criar mais barreiras ao crescimento. O combate ao desemprego é um desígnio nacional. Deve, por isso, envolver todos, do Governo ao Parlamento
ricardo.d.lopes@sol.pt