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Os sete clichés do filme de sábado à tarde

22 de Fevereiro, 2012por José Cabrita Saraiva
Sempre me pareceu um enorme desperdício passar a tarde de sábado em frente à televisão, sobretudo quando está bom tempo.

Mas também não acho que quem tome essa opção mereça ser castigado, como acontece, com filmes de uma qualidade mais do que duvidosa. Nos últimos tempos, sempre que ligo o aparelho num sábado à tarde, por alguma razão aparece-me no ecrã Steven Seagal (a propósito, há actores que identificam de imediato um mau filme). O que me leva a perguntar: será sempre o mesmo filme repetido ou o rei da pancadaria fez centenas de fitas? Em qualquer dos casos, não dá bem para perceber a diferença.

Segue-se uma lista dos principais clichés do cinema de acção americano que é apanágio dos canais generalistas nas tardes de sábado. Uma sugestão, se me é permitida:sempre que identificar uma das situações abaixo assinaladas mude de canal –está a ver um mau filme.

1. A bomba-relógio

A obsessão dos terroristas pelos EUAé correspondida por uma obsessão dos EUApelos terroristas. Desde a série MacGyver, se não estou em erro, que a cena da bomba-relógio que está prestes a explodir é um clássico. Por sorte, costuma haver por perto um especialista que, com 50% de hipóteses de acertar, consegue desactivar a bomba cortando um fio cuja cor varia consoante o filme.

2. ‘Saia do carro!’

Não há filme de sábado à tarde sem uma perseguição. E quando o bandido foge num carro, o polícia, que está a pé, não faz mais nada:põe-se no meio da estrada e aponta uma arma ao primeiro condutor que lhe aparece à frente. ‘Saia do carro, já!’. Vimos esta cena tantas vezes que não nos espantava nada se um dia estivéssemos a conduzir no meio da cidade e alguém nos apontasse uma pistola carregada sem termos cometido qualquer infracção.

3. Que coincidência!

Geralmente, sempre que o protagonista liga a televisão, está a começar um noticiário que abre justamente com uma história que lhe diz respeito. Que coincidência dos diabos!

4. O amigo dos arquivos

Filme de acção que é filme de acção tem um detective reformado. Quando começa a investigar um caso que não lhe diz respeito, voilà!, liga para o amigo que trabalha nos arquivos, o qual lhe responde invariavelmente:

«Bom, Marty, tu sabes que eu não posso fazer isso. Mas se fores rápido, desta vez vou fechar os olhos e deixar-te dar uma espreitadela».Desta vez?!É preciso ter descaramento. Quantas vezes já vimos este filme?

5. O som dos computadores

Os computadores dos filmes são diferentes dos da vida real. Quando há uma transferência bancária, por exemplo, aparece uma barra que dá conta do progresso da transacção, como se estivéssemos a ver o dinheiro a passar de uma conta para a outra. Quando há um código para ser violado, surge ‘ACCESSDENIED’ a piscar, algo que não acontece, por exemplo, quando me engano no código do meu banco online. E, por fim, os computadores dos filmes são tão sofisticados que até emitem uns beeps, qual besouro, quando se carrega nas teclas.

6. Agravação comprometedora

No final do mau filme de acção, o vilão é apanhado. Apesar de ser um homem maquiavélico e inteligentíssimo, comete um erro de palmatória. Durante 90 minutos conseguiu iludir tudo e todos, até que chega o momento em que decide debitar todas as suas patifarias para um gravador oculto. Já não tem escapatória possível.

7. O tiro de raspão

É o último dos grandes clichés do cinema de acção. O filme está quase a terminar e o nosso herói é atingido. Sustemos a respiração. Como foi possível ele morrer assim? Calma:pouco depois aparece uma ambulância e o nosso protagonista deitado numa maca a sorrir. «Foi só de raspão». Faz lembrar um antigo jogador de futebol que tinha tanta pontaria que acertava sempre nos postes.

jose.c.saraiva@sol.pt




1 Comentário
celestino
24.02.2012 - 15:45
Bravo! Faz falta alguma crítica negativa à porcaria que passa nas nossas TV's!!!


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