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O que vai acontecer para o ano?

16 de Abril, 2012por José António Saraiva
Nos jornais e nas televisões vemos notícias que são repetidas quase diariamente.

Em crónica anterior, já falei de um caso desses.

Quantas vezes já não vimos repetida a afirmação de que Portugal «não precisa de mais tempo nem de mais dinheiro»?

Perdi-lhes a conta.

Pedro Passos Coelho, Vítor Gaspar e Miguel Relvas já repetiram esta frase à exaustão.

Mas depois vem uma agência financeira dizer o contrário – e lá vão perguntar ao primeiro-ministro, ao ministro das Finanças, ao ministro dos Assuntos Parlamentares se confirmam ou desmentem, e eles lá repetem o que disseram.

Depois vem um estrangeiro mais ou menos desconhecido dizer o contrário – e o filme repete-se.

Depois vem Vítor Constâncio dar mais um palpite – e sucede o mesmo.

E assim sucessivamente.

OUTRA repetição recorrente diz respeito ao 13.º e ao 14.º meses.

Outra ao regresso de Portugal aos mercados em 2013.

Outra ainda ao início da retoma, ou seja, à inversão do ciclo económico.

Um dia Pedro Passos Coelho diz que calcula que no fim deste ano, princípios do próximo, o ciclo poderá inverter-se.

Mas depois há um jornalista que lhe pergunta:

– Pode jurar que isso irá acontecer?

Passos Coelho responde que jurar não pode.

E lá se publica mais uma mão-cheia de notícias a dizer que, se o primeiro-ministro não pode jurar, é porque há uma forte probabilidade de as coisas correrem mal.

E quando não há coincidência entre o que dizem dois governantes, então é o delírio completo.

Organizam-se logo debates nos vários canais para discutir o assunto.

VIVEMOS tempos demenciais.

No meio da vertigem, não percebemos que essas discussões são perfeitas inutilidades.

Porquê?

Porque tudo o que agora se diga sobre o 13.º e o 14.º meses, sobre a necessidade ou não de mais tempo ou de mais dinheiro, ou sobre o início da retoma, não interessa nada.

Ou interessa muito pouco.

São previsões, são cálculos, por natureza muitíssimo falíveis.

Nenhuma pessoa responsável pode ‘jurar’ o que vai ou não vai acontecer em Portugal daqui a um ano, quanto mais a dois ou a três.

Basta ver as correcções que estão constantemente a sofrer as previsões das entidades mais idóneas.

A EVOLUÇÃO da economia e das finanças portuguesas depende de múltiplos factores que nem o Governo nem ninguém controla.

Ninguém sabe como vai evoluir a economia europeia (e a espanhola, em particular), da qual depende boa parte das nossas exportações; ninguém sabe como se vai comportar o investimento privado, do qual dependem o crescimento e o emprego; ninguém sabe como vai evoluir a situação da banca, de cujo crédito depende boa parte do tecido económico; e por aí fora.

Ninguém domina todos estes factores.

Um Governo pode criar condições para isto ou aquilo acontecer – mas a concretização não depende dele, depende de circunstâncias internas e externas, relacionadas com a situação internacional, com os mercados, com os financiadores, com os investidores privados, etc.

A austeridade pode ser decretada pelo Governo – aumentando os impostos, cortando regalias aos funcionários públicos ou fechando organismos e mandando gente para a rua.

Mas o crescimento não pode ser decretado pelo Governo.

O Governo pode fazer a cama onde os privados se vão deitar – mas não pode substituir-se a eles debaixo dos lençóis.

PORTANTO, caro leitor, não estranhe se vir notícias sobre o mesmo assunto dizendo exactamente o oposto.

Podem ser ambas legítimas.

E às vezes duas notícias aparentemente antagónicas são apenas as duas faces da mesma notícia.

Se Vítor Gaspar disser: «Não haverá mais medidas de austeridade este ano se nada de anormal ocorrer», um jornal pode titular: Gaspar afirma que não haverá mais austeridade, enquanto outro pode escrever: Gaspar admite novas medidas de austeridade se a evolução não for positiva.

É a eterna questão de como vemos o copo: se meio cheio, se meio vazio.

MAS, para lá do optimismo e do pessimismo, para lá das opções ideológicas, a questão é que ninguém sabe como isto vai evoluir.

Assim, resta-nos ir cumprindo o memorando da troika.

Pelo menos sabemos que, se o cumprirmos, melhoraremos a nossa imagem lá fora – e teremos a ajuda dos outros países europeus se as coisas não correrem bem.

Se não cumprirmos o memorando, sucederá o contrário: alimentaremos a fama de que somos um povo indisciplinado e pouco fiável, e não teremos amanhã ninguém que nos ajude.

P.S. – A questão das reformas antecipadas é diferente. Secretismo à parte, essas reformas (que muitas vezes são usadas como expedientes e tendem a aumentar) constituem um encargo insustentável para o sistema e uma sobrecarga injusta para os que estão no activo.




29 Comentários
parasol
23.04.2012 - 11:56
redblade
20.04.2012 - 09:50 Regalias? A reforma é uma regalia?
Não sabes do que falas, pois não?

parasol
23.04.2012 - 11:55
jsequeira
22.04.2012 - 20:27 Tirar o véu é facil... agora as tuas vendas deve ser muito dificil: a luz do dia podia cegar-te definitivamente...
Mas provavelmente não notavas a diferença...
jsequeira
22.04.2012 - 20:27
Como sempre, mais um artigo com cabeça, tronco e membros. Esclarecido e esclarecedor da actual situação política e económica do nosso País e da normal incerteza dos tempos futuros. Pena é que a parte "Demente" da nossa Sociedade não levante, um pouco que seja, por pouco tempo que seja, o véu ideológico que lhe tapa a visão da realidade! Em tempos como estes, seria um pouco mais fácil para todos!
tratorderasto
22.04.2012 - 15:19
Fantástico-o Eusébio ganha duas taças dos campeões e só joga uma,fantástico novamente.
redblade
20.04.2012 - 09:50
Essas regalias só podem ser reintroduzidas quando,e se,forem sustentadas pela economia.Como economia portuguesa é débil,acho que nunca voltarão,qualquer que seja o Governo.A menos que se descubra petróleo no off shore ou gás natural.
52A49128Y
19.04.2012 - 13:46
Ninguém sabe… …de acordo, ninguém é Adivinho mas os governantes têm a obrigação de ter uma visão do futuro, indicar direcções. E’ muito cómodo dar sempre a culpa à conjuntura internacional, cujo grande papel e influência não podemos negar, mas que não absolve governantes e eleitores de desenvolver bem o seu trabalho. As crianças podem ser amedrontadas com o “Papão” para as obrigarem a fazer certas coisas, um cidadão normal, a que pedem sacrifícios todos os dias, tem que saber qual é a perpectiva do seu futuro, senão fica desesperado e desmotivado.
Se as frases se repetem “das duas, quatro”: ou não há nada para dizer de novo, ou o que dizem serve para distrair a atenção sobre outras questões de não menor importância, ou batendo sempre na mesma tecla querce vencer e convencer de qualquer “verdade” ou, o que é mais grave, substimam, com presunção, que os Portugueses não compreendem e então é preciso repetir, repetir… …
amdsa
19.04.2012 - 08:18
plagacio

ISSO É O QUE QUERIAS

VIVA O 25 DE NOVEMBRO, QUE SE REPETIU NAS URNAS
plagacio
18.04.2012 - 17:13
A plagiar um director de jornal!!!
plagacio
18.04.2012 - 17:08
QUE VERGONHA! Um "primeiro ministro" ex-estudante que terminou uma licenciatura da treta aos 37 anos e ex-gestor de chafaricas insolventes do padirinho, a plagiar um director de um jornal! QUE VERGONHA! QUE VERGONHA! QUE VERGONHA!
plagacio
18.04.2012 - 17:06
O canalha do pm tem de ser processado por plágio dos artigos do Zé Tó Saraiva! O plágio é um crime punido com pena de prisão! Cadeia com o incompetente! Cadeia com o irresponsável! Cadeia com o emproado!
plagacio
18.04.2012 - 17:04
Zé Tó, já leste o "artigo" do canalha no FN? Tão bons conselhos que lhe dás, que o incompetente anda a plagiar os teus artigos e a escrever no FT! Topas? Achas que aquilo saiu da cabeça daquele irresponsável? Aquilo é um copy paste deste texto, ai não!
ACFILIPE
18.04.2012 - 15:15
Porque é a voz do dono, JAS é obrigado a reconhecer, a influência da realidade económica internacional na econonomia nacional.
No tempo do anterior governo PS defendia que a economia internacional pouca influência tina na economia nacional, e que o Sócrates era o grande culpado do descalabro do país. Incongruências.
Jalopes
18.04.2012 - 12:29
Concordo com JAS: “ Vivemos tempos demenciais (…) e ninguém sabe como isto vai evoluir”. Muitos jornalistas e comentadores, que vivem só no presente, e vivem de expedientes fáceis, provocam alguma instabilidade em gente mais influenciável e talvez com pouca formação.
Aderitos
18.04.2012 - 00:02
Só lhe falta dizer que este artigo foi escrito à luz dum candeeiro apagado, que vai sair num jornal sem letras e que com esta crise mais vale perder a vida do que morrer.
Justus
17.04.2012 - 17:35
JAS pretende tornar-se o "orientador político" deste governo e do 1º ministro!

"Não façam isto, não digam aquilo, estejam quietinhos, porque só assim conseguirão manter-se no poder por mais algum tempo"!

Tanto quanto baste para desbaratarem e "roubarem" o país, deixando os portugueses na completa miséria e pobreza e sob o jugo dos estrangeiros!

Agora JAS chega ao ridículo de querer dar orientações aos políticos, aos empresários, aos trabalhadores e a todos aqueles que apontam os erros e criticam a actuação deste governo!

JAS não percebe que a democracia serve para apontar os erros dos adversários, para criticar as ideias, princípios e projectos que lhes pareçam inadequados ao bem estar dos povos.

E também não percebe que é neste apontar de erros e criticas que a sociedade se desenvolve, progride e se torna cada vez melhor.

JAS sabe que Passos Coelho não se pode queixar da situação em que o país está porque foi ele que a criou.

Não foi ele que, durante meses a fio, andou a dizer mal da nossa economia, a propalar défices e mais défices, a levantar suspeitas, a pedir auditorias?

Agiu irresponsavelmente, sem postura de estadista e agora tem o que merece.

Se as agências de rating não confiam nele, se os mercados financeiros também não e afundam, se o BCE, o FMI e esta e aquela instituição dizem que Portugal não escapa a novo resgate é porque sabem que o país, na miséria e na pobreza em que o colocaram, nunca poderá sair desta situação, quanto mais pagar as suas dívidas.

Por isso Passos Coelho mente e contradiz-se! Hoje diz uma coisa e amanhã outra, hoje promete fazer isto e amanhã o seu contrário!

"Rouba" vencimentos, subsídios e pensões dizendo que é por 2 anos, logo a seguir por 3 ou 4 e depois já não sabe por quanto tempo!

Lança impostos e mais impostos, impõe austeridade e mais austeridade e nunca sabe porquê e para quê. É a contradição em pessoa!

E JAS defende esta contradição e não quer que dela se fale! Ele lá sabe porquê.
parasol
17.04.2012 - 14:11
parasol
17.04.2012 - 14:11
joseAldrabarte
16.04.2012 - 21:33 Aldrabão.
joseduarte
16.04.2012 - 21:33
JAS LAVA MAIS BRANCO

É Primeiro-Ministro de um país arruinado, e quer manter os responsáveis impunes?

Tem que encher compinchas e lobbies mamões, mas isso dá muito nas vistas?

Está a arruinar ainda o mais o país, para manter toda a mama e impunidade?

Mentiu descaradamente em campanha, para ganhar as eleições?

Tem um Ministro das Finanças confuso, com graves problemas de dicção?

Passa a vida a trocar factos importantes, contradiz-se a torto e a direito?

Já ninguém acredita em si, as crianças chamam-lhe nomes, os reformados prometem-lhe porrada?

Não fique triste: o Sol pode ajudar!

Para si que tem cartão laranja, disponibilizamos o serviço JAS - um serviço de branqueamento semanal, que o ajudará a limpar esses momentos menos felizes.

Todas as sextas-feiras, especialmente para si... no Sol.
Antonyjunior
16.04.2012 - 19:51
Rufia
16.04.2012 - 19:09

Se continuar a falar em abstrato ainda vou acreditar que é irmão do plagacio...
parasol
16.04.2012 - 19:36
Meu Deus! Será que o Relvas deixou de por publicidade no SOL?
A coisa vai de mal a pior...



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