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Esta política está certa?

23 de Abril, 2012por José António Saraiva
Amaior dúvida que todos os portugueses hoje têm, perante as opiniões contraditórias com que diariamente são bombardeados, é a seguinte: esta política de austeridade imposta pela troika e adoptada pelo Governo de Passos Coelho está certa ou está errada?

Têm razão os que dizem que estamos no bom caminho e não nos devemos afastar dele – ou os que defendem que nos encontramos perante um enorme logro e devíamos estar a apostar em políticas de crescimento?

Esta última é a posição do PS, mais mitigada no que respeita a Seguro, mais agressiva no que toca aos socráticos como Pedro Silva Pereira, Augusto Santos Silva, etc.

Normalmente em política não é possível fazer a contraprova – mas neste caso é.

A aposta no crescimento era basicamente a receita de Sócrates.

Um crescimento em que o Estado desempenhava o papel de locomotiva – e daí a aposta em projectos como a Parque Escolar, o Magalhães, a multiplicação de auto-estradas, o novo aeroporto de Lisboa, o TGV ou a requalificação da Zona Ribeirinha.

O problema é que não havia dinheiro para fazer nada disto – e o que foi feito implicou um maciço recurso ao crédito.

E assim a dívida foi crescendo de forma assustadora, os juros subiram e Portugal chegou a uma situação de pré-insolvência.

A intenção podia ser boa, mas não tinha sustentação.

A Parque Escolar seria um projecto excelente – «as crianças portuguesas têm direito ao melhor que há», como disse uma ex-ministra – se tivéssemos dinheiro para o pagar; só que não tínhamos.

E com as famílias passava-se o mesmo: o crédito barato permitia que fossem pedindo empréstimos para comprar isto e aquilo.

O endividamento constante e sem fim à vista fez de Portugal um carro que avançava direito ao precipício e que, em vez de travar, acelerava sempre mais.

Assim, quando chegou ao poder, este Governo fez o óbvio: travou a fundo.

E depois inverteu a marcha, passando do investimento ao corte generalizado.

Mas, sendo inquestionável que o caminho anterior estava errado, o que garante que este esteja certo apenas por ser o oposto do outro?

Há um dado recente muito encorajador.

Comparativamente ao ano passado, as nossas importações baixaram perto de mil milhões de euros e as nossas exportações cresceram quase outro tanto.

O saldo da nossa balança comercial melhorou, pois, em quase dois mil milhões de euros.

Ora, independentemente de tudo o resto, o caminho terá de ser este: vivermos daquilo que produzimos.

Não consumirmos acima das nossas possibilidades.

Não gastarmos mais do que recebemos.

Claro que a baixa do consumo interno afecta a economia, afecta os comerciantes e algumas empresas.

Mas o consumo interno tinha de baixar por uma razão óbvia: a maior parte dos produtos que consumimos são importados.

E, como não temos dinheiro para os comprar, o aumento do consumo traduz-se directamente no aumento da dívida ao exterior.

Os últimos dados da balança comercial lançam, pois, algum optimismo na descrença generalizada.

É assim – reduzindo por um lado o défice público, equilibrando por outro lado a balança comercial – que poderemos chegar a algum lado.

Deitar dinheiro para cima da economia sem grande retorno, ou concedendo crédito fácil às famílias, como estávamos a fazer, não nos levava a lado nenhum.

Por isso, não percebo como é possível que ministros do Governo anterior, como Silva Pereira ou Santos Silva, venham criticar as políticas actuais.

Eles tiveram a sua oportunidade e desperdiçaram-na.

São corresponsáveis por uma estratégia que se revelou suicida.

Se as suas ideias estivessem certas, eles teriam tido sucesso.

Sendo legítimo pôr todas as políticas em causa, é absurdo fazê-lo em nome de outras que foram experimentadas com péssimos resultados.




11 Comentários
lady63
29.04.2012 - 13:58
Tanto a nivel nacional como europeu, devia haver uma politica, preocupada com o bem estar e segurança das pessoas, menos com a proteção dos mercados, que nos ultimos anos tem sido os causadores de uma boa parte dos problemas de muitos paises. Politicos sérios, que não se deixem "capturar" pelo poder económico, e coloquem bancos, seguradoras, empresas financeiras, no seu devido lugar. Eles fazem parte da economia, têm direito aos seus lucros, mas não ao dominio escandaloso sobre os cidadãos, que não têm quem os defenda.Eles ditam as regras do jogo, decidem das nossas vidas,delegamos o poder no governo para nos defender, mas eles passaram-se para o lado do inimigo....
Justus
26.04.2012 - 15:55
Todos nós nos lembramos daquele ministro do Iraque (não me lembro do nome) tido como "ministro da propaganda", simpático mas inventor e deturpador da realidade.

Quando o Iraque e Bagdad estavam totalmente cercados e os soldados americanos já entravam pelo palácio presidencial ele não se cansava de proclamar na TV os feitos das forças iraquianas que dizimavam tudo e todos e rechaçavam para longe o inimigo!

JAS parece este ministro iraquiano ao defender o indefensável! É patético e ridículo!

Quando quase toda a gente, incluindo altos dirigentes e militantes do partido do poder, dizem à boca cheia que vamos de mal a pior e que a austeridade não nos leva a lado nenhum a não ser à pobreza e miséria, JAS continua a "pregar" que este é que é o caminho certo!

Quando a própria troika começa a duvidar das medidas que implementou em Portugal e, juntamente com os governos de nuitos países europeus, já advoga soluções de crescimento e emprego, JAS mantém-se a esbracejar e defender a austeridade à proa do navio que se afunda e donde já se vêm ratos fugindo!

Como disse é patético e ridículo!!!

Mas isto é próprio dos "saudosistas" do passado, dos "velhos do Restelo" que nunca digeriram o progresso nem uma vida melhor para todos!

Como este governo, JAS parece apostado apenas e tão só na pobreza e na miséria dos portugueses!
Sensor
26.04.2012 - 13:22
É a decrepitude. O Saraiva está a ficar xéxé, isso é patente. A senilidade é terrível quando se apodera do totiço de um tipo. Agarra-se-lhe aos pirolitos e nada feito.

O homem bem tenta.
Portucalem
25.04.2012 - 17:04
JAS vê virtudes na política restritiva do governo, penalizadora de quem trabalha, assente numa falta de legitimidade gritante pois a maioria resultante das eleições legislativas foi eleita com base em promessas clamorosamente quebradas, fazendo-se precisamente o contrário do que se prometera em campanha. Para quem apelidava Sócrates de mentiroso e pinóquio, e se dizia trazer a ética e a verdade para a política, estamos conversados.
Apenas resta dizer que, mais uma vez nos últimos tempos, JAS erra na análise, como recentemente fez ao criticar a juíza que prendeu e soltou Isaltino, que desonhecia que um desembargador mudou o efeito de devolutivo para suspensivo a um dos recursos do autarca e foi ilibada pelo CSM ao contrário deste. Esperamos, apenas, que num caso e no outro, JAS venha a reconhecer, aqui, que errou, se é que não entende que apenas os outros erram...Ficava-lhe bem!
52A49128Y
24.04.2012 - 09:03
obviamente leia-se:
“O único lugar onde “Sucesso” vem ANTES de “Suor” è o Dicionário!!!
52A49128Y
24.04.2012 - 08:31
Não sei se esta política está certa, ou melhor, se tem um futuro, mas é inegável que um País que não cresce será sempre exposto a colonização com as relativas consequências.
Criar medidas para o crescimento é imprescindível para qualquer governo, de qualquer país indipendentemente da cor política.
Qualquer plano de investimento deve conter a discriminação dos meios financeiros e um calendário para a recuperação do montante investido.
Equilibrar as contas só com impostos e cortes é uma visão cega, injusta e sem futuro.
E’ evidente que se pedem hoje tantos sacrifícios aos Portugueses, mas os objectivos devem ser claros (não ouso escrever transparentes porque na política nem o ar é obviamente transparente); deve-se saber para quê e para quem? Por quanto tempo? Quais as vantagens e inconvenientes?
Concordo com quem disse que: “O único lugar onde “sucesso” vem depois de “suor” è o Dicionário!!!
antoniopestana
24.04.2012 - 00:10
ccardozzo
23.04.2012 - 23:12

Se fosses Madeirense dir-te-ia qua estás nas lonas e a precisar de uma sopa do Cardozo.Como és do "contenente" digo que devers estar com uma grande larica de causa indecifrável.
ccardozzo
23.04.2012 - 23:12
Tenho pena que a inteligência do JAS que eu acompanho desde o Expresso em 1987, não seja mais lida nas crónicas sobre as coisas da vida, vou ter saudades...
plagacio
23.04.2012 - 19:13
Zé Tó, tu não te queres mesmo convencer que estes rapazes não passam de um bando de canalhas incompetentes e irresponsáveis chefiados por um pedante emproado, que estão a levar o país para um abismo sem retorno, não é?
parasol
23.04.2012 - 16:17
Desta dou a mão à palmatória: o JAS consegue "vêr" o que eu não vi: a politica deste governo.

Vou vêr se procuro melhor.
antoniopestana
23.04.2012 - 11:57
Esta opinião é tendenciosa,está na linha do que este governo mais sabe fazer,que é bater em mortos porque não estão cá para se defender e para desviar a atenção dos erros que estão a ser feitos.
É claro que Socrates errou em muita coisa,mas não errou certamente quando apostou no crescimento.
Hoje continua a não errada essa aposta,apenas deve ser feita de outra forma porque o contexto é bem diferente.
É preciso não esquecer que ao perder o crédito fácil,as pessoas perdem a capacidade de sonhar,e por conseguinte baixa a produção,as empresas perdem capacidade de investir e despedem,aumentando o desemprego.Mesmo que isso leve a uma diminuição das importações.

SÓ UMA PESSOA MUITO MAL INTENCIONADA E EMPENHADA EM BATER EM MORTOS ,NÃO É CAPAZ DE VER QUE OS MIL MILHÕES QUE O PAÍS POUPOU NO ÚLTIMO ANO COM AS IMPORTAÇÕES,NÃO SÃO SUFICIENTES PARA PAGAR OS SUBSÍDIOS DE DESEMPREGO DOS MAIS DE CEM MIL DESEMPREGADOS QUE ENTRETANTO SURGIRAM POR FALTA DE CRESCIMENTO!


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