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Seguro mais seguro

23 de Abril, 2012por Vicente Jorge Silva
António José Seguro saiu fortalecido do tumulto interno no PS, com o discurso que fez no encerramento das Jornadas Parlamentares do seu partido em Bragança.

Talvez inesperadamente, Seguro terá conseguido ultrapassar a situação pantanosa em que se encontrava o PS, enredado na aprovação do recente Tratado europeu ao lado da maioria governamental.

Foi um discurso claro, vigoroso, com propostas alternativas concretas à política do Governo. Nomeadamente, em sectores cruciais como a energia, onde se anuncia uma nova vaga de aumentos de preços enquanto se mantêm as rendas excessivas e as remunerações milionárias do capital até 13,5 por cento. Oportunos e incisivos foram também os alertas para a desertificação do interior e as desigualdades cada vez mais insustentáveis na repartição das medidas de austeridade.

O contraste tornou-se mais evidente no momento em que o primeiro-ministro e o ministro das Finanças dão sinais crescentes de descontrolo político e incapacidade de responder às expectativas sobre a regeneração económica do país.

As nuvens negras não param de crescer, com a queda das receitas fiscais e a fuga dos certificados de aforro e do Tesouro, complicando ainda mais o financiamento do Estado. Ao mesmo tempo, soube-se que as verbas disponíveis, através do QREN, para estímulo à economia, vão ficar abaixo dos dois mil milhões de euros anunciados.

Tudo isto e o mais que se conhece – ou ainda não… – coincide com um novo agravamento da conjuntura europeia e a entrada da Espanha numa zona de alto risco. Mas, numa entrevista à revista brasileira Veja, Passos Coelho persiste numa perigosa cegueira e num exercício sadomasoquista, ao afirmar que a situação portuguesa não tem nada a ver com a Europa e se deve apenas a «más decisões internas».

Será que a vocação de ‘melhor aluno europeu’ se confunde já com um impulso irreprimível de dar tiros nos pés? As «más decisões internas» foram altamente responsáveis pelas nossas aflições presentes, mas Portugal não é uma ilha isolada no mapa da crise europeia. E esse culto culpabilizante da insularidade só serve para tornar-nos ainda mais frágeis e subservientes.

Valha-nos, pelo menos, a lucidez e a combatividade que António José Seguro veio agora introduzir no debate político, revigorando o papel do principal partido da oposição. Sejam quais forem as nossas opiniões políticas, só por incurável sectarismo se poderão recusar as vantagens que isso traz à democracia.    




4 Comentários
JoaquimVaz1234
24.04.2012 - 21:18
Num "golpe de asa" Antónjo José Seguro fez tudo o que Vicente Jorge Silva diz...
Num ápice!
Afinal, ser político custa muito pouco!
É só Vicente Jorge Silva querer... e escrever!
Haja decoro!

jsequeira
24.04.2012 - 12:03
Sejam quais forem as nossas opiniões políticas, infelizmente, só nos resta admitir que pensar ou agir de forma difrente da deste Governo, significa regressar à política que nos levou ao descalabro financeiro em que nos encontrava-mos,antes dele tomar posse.
Sejam quais forem as nossas opiniões políticas, dá para ver que, com qualquer que seja a ideologia predominante, o caminho a seguir passa pelo sacrifício de todos os Portugueses, à semelhança de uma família que sofre privações, graças à desmesurada mania de grandeza de um Pai que, na sua cavalgada, se esqueçe do futuro dos filhos.
Sejam quais forem as nossas opiniões políticas, resta-nos olhar para a história e verificar que as más decisões internas,imperam na nossa sociedade desde os faustos momentos que nos propiciaram os descobrimentos. Dai resultaram a fragilidade e a subserviência, útil, perante uma Europa que, de alguma forma sempre soube aproveitar a nossa histórica incapacidade de gerar riqueza.
Sejam quais forem as nossas opiniões e mesmo ideologia política, será caso para dizer que chegados a este momento, só por incurável sectarismo se poderão recusar as vantagens que as medidas, verdadeiramente duras para alguns Portugueses que nunca as mereceram, e que este Governo teve a coragem de implementar trarão, não à democracia, porque ela como elemento subjectivo da nossa sociedade de nada disso necessita, mas a todos quantos diáriamente contribuem, com o seu trabalho, para a construção de uma sociedade onde impere a justiça, a igualdade e o prazer de viver.
Platao
24.04.2012 - 02:00
Vantagens a democracia? Nao vejo nenhuma.

Quando um individuo tenebroso se esforca por branquear tudo aquilo que levou um pais a ruina, nao vejo que qualquer reforco da sua posicao possa trazer o que quer que seja de positivo, muito menos a democracia. Opiniao divergente tera quem insiste no mesmo logro, por cumplicidade ou por accao directa no esbulho. Tao obvio e claro como a agua.

MPortugal
23.04.2012 - 20:33
Esperemos que não venha a dizer ded Seguro o que disse de Sócrates.


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