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Mali – que fazer?

27 de Novembro, 2012por Jaime Nogueira Pinto
A situação no norte do Mali é um exemplo típico da corrente e crescente incapacidade da chamada ‘comunidade internacional’ para lidar com os problemas dos ‘territórios’ e dos focos de insegurança, crime e terrorismo que eles tendem a originar.

Aos exemplos históricos dos últimos trinta anos – o Líbano, o Afeganistão, a Somália – que cada um a seu modo persistem como áreas de conflito latente, de guerra e sede de pirataria – junta-se agora esta larga zona entre o Magrebe e a África subsaariana.

A insustentabilidade, a desordem e a subversão da região são históricas, com base na resistência dos tuaregues ao poder maliano, que consideram uma continuação do poder colonial francês. Várias rebeliões ilustraram esta resistência e a sua repressão pelo Exército maliano levou, periodicamente à migração dos tuaregues para a Argélia e para a Líbia. Da Líbia voltaram, agora com armas e munições, muitos deles, que faziam parte das forças de segurança do coronel Kadhafi.

A queda da ditadura líbia acelerou algumas tendências que já vinham a registar-se: primeiro vieram os salafistas que criaram em 2007 a AQMI – Al-Qaeda do Magrebe Islâmico, instalando vários Katibas de combatentes. Depois, na linha da reivindicação independentista, surgiu o MNLA (Movimento Nacional para a Libertação de Azawad), ‘Azawad’ é o nome que os independentistas dão ao Norte do Mali. E mais dois movimentos armados apareceram – Ansar Dine e MUJAO.

Estes grupos, que se têm aliado e combatido numa geometria variável de fragmentação, entendimento e conflito ocupam hoje uma área maior que a Península Ibérica; têm armas e munições em abundância; têm e fazem reféns cidadãos europeus e argelinos que negoceiam, financiando-se também com os resgates; estão em contacto e mantêm relações comerciais com os narcos das Américas, via Bissau; estão todos os dias a receber voluntários da região e internacionais para a Guerra Santa. E estão a organizar o poder nas cidades, a impor a charia às populações e a prepararem-se para ficar.

Perante isto, a impotência regional e euroamericana parecem a toda a prova: a CEDEAO fala numa força de 3000 homens, a mobilizar, organizar e treinar para intervir e restaurar o poder central. Mesmo que o conseguisse fazer – seria quantidade irrisória para o número e a combatividade dos rebeldes.

Os Estados Unidos e a França proclamaram a necessidade de acção mas vão dizendo que nem pensar em contar com tropas suas para a operação consequente.

É que a questão é essa. Não há força disponível. Nos países NATO – democráticos – nem pensar hoje em utilizar tropas fora de missões que não sejam a defesa do território nacional e operações de salvamento de nacionais em risco fora do território. Outras intervenções, que podem implicar baixas em combate e carecem de apoio unânime da opinião pública, estão vetadas pelo risco político que trazem para os Governos.

Então o que fazer, uma vez que se reconhece a necessidade imperiosa de parar este novo ‘território’ perigoso, às portas-sul da Europa?




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