A deputada do BE Ana Drago anteviu hoje uma «luta social sem paralelo» nos próximos tempos, avisando o ministro da Economia de que não terá paz social, porque os trabalhadores não aceitam ser humilhados.
«Não espere uma união que não existe, aquilo que vai acontecer nos próximos tempos em Portugal é uma luta social sem paralelo, não aceitamos esta humilhação», afirmou Ana Drago, durante o debate de actualidade agendado pelo BE sobre as alterações às leis laborais que decorreu esta tarde na Assembleia da República.
Dirigindo-se directamente ao ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, a deputada do BE advertiu-o para que «não crie ilusões» sobre o que está em causa com o acordo de concertação social assinado esta manhã, recusando a ideia de que os portugueses estão unidos em torno das novas medidas.
«A única união que houve aqui é entre o Governo e o patronato», frisou Ana Drago, considerando que o acordo «tem uma certa sensação de cheiro a bafio» e «um regresso a uma ideia que se pode desrespeitar quem trabalha e quem cria riqueza».
Insistindo que para o Governo «vale absolutamente tudo», a deputada do BE reiterou os avisos para o Governo não esperar "uma união que não existe" e aconselhou Álvaro Santos Pereira a «ter muito cuidado quando fala de paz social, porque não vai ter paz social».
«Neste país em que há gente pobre, que tem dificuldades, que tem atrasos estruturais, há uma coisa que se chama dignidade e os trabalhadores vão lutar muito e vão lutar sempre para derrotar todas estas ideias, porque a ideia base que está neste acordo é que não há cidadãos, não há pessoas que têm as suas vidas», acrescentou ainda Ana Drago.
Já no final do debate, o BE e o Governo protagonizaram um pequeno ‘incidente' parlamentar, desencadeado pelo pedido da secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares, Teresa Morais, à mesa da Assembleia sobre a existência ou não de mais pedidos de intervenção por parte da oposição.
Teresa Morais justificou a pergunta alegando que o Governo só poderia responder a todas as perguntas depois de saber se os grupos parlamentares não têm mais questões a colocar.
«A menos que o BE utilizando uma habilidade queira mais uma vez ser o último para depois dizer que o Governo não respondeu», acrescentou ainda a secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares.
Depois de uma troca de argumentos que acabou por envolver a bancada parlamentar do PSD, a última intervenção do debate acabou mesmo por caber ao BE, com Ana Drago a enumerar algumas das questões que o ministro da Economia não respondeu, nomeadamente relativamente à diminuição dos salários e à desregulação dos horários.
Já depois do ministro da Economia, que terminou o debate com um ‘saldo positivo' de tempo de 44 segundos, ter saído do plenário, as bancadas do BE, PCP e PSD continuaram a fazer interpelações à mesa, com o líder parlamentar comunista a lamentar que Álvaro Santos Pereira tenha «batido em retirada com medo do confronto e do debate».
«Queria aproveitar o ensejo para dizer às bancadas da oposição, em particular do BE e do PCP, que todos nós percebemos que o debate não vos correu bem, estão a tentar alimentá-lo, mas a verdade é que o Governo esteve aqui e o ministro da Economia deu as resposta que devia ter dado», contrapôs o líder da bancada parlamentar do PSD.
Lusa/SOL