O ex-ministro do Trabalho e da Economia Vieira da Silva considera que o novo acordo de concertação social poderia ser «mais equilibrado» e que é preciso confiar no Governo quando diz que Portugal não pedirá mais dinheiro aos credores internacionais.
«Há algumas medidas de mudança na legislação laboral que me preocupam. Agora, também depende muito da forma como forem concretizadas», disse hoje o deputado socialista, que falava aos jornalistas no final de uma conferência sobre consolidação orçamental, no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, na qual participou também a ex-ministra das Finanças do PSD Manuela Ferreira Leite.
As medidas que «preocupam Vieira da Silva» são «aquelas que têm a ver com uma individualização mais acentuada das relações laborais», considerando que neste aspecto o acordo de concertação social assinado na semana passada poderia ser «talvez mais equilibrado».
Para o antigo ministro do Trabalho, responsável pela anterior reforma laboral, de 2009, algumas das mudanças anunciadas já estavam previstas, «de alguma forma», no acordo da ajuda externa, «ainda que numa perspectiva mais de avaliação do que se deveria fazer». O resultado final representa «alguns riscos», mas tudo depende agora do «bom senso» e do «equilíbrio» com que o acordo for aplicado.
Vieira da Silva realçou ainda que «é bom para o pais haver acordos concertação social».
«Obviamente, nem todos são tão bons quanto gostaríamos, este podia ser um bocadinho melhor, mas enfim», conclui.
Questionado também sobre a possibilidade de Portugal ter de pedir um novo pacote de ajuda financeira, o deputado socialista respondeu «que muito do que se passa hoje em Portugal e se passará no futuro depende do que se passa noutras sedes» porque «já há muito tempo» o pais escolheu «partilhar as decisões com outros, que têm mais poder, mais votos, mais gente».
«[Mas] o Governo diz que não é necessário um segundo resgate e eu julgo que devemos acreditar nessa afirmação e não estar a engrossar as vozes e a especulação de que estamos à beira de outro resgate. Confiemos na capacidade de quem nos governa para evitar essa situação que seria obviamente prejudicial para Portugal», acrescentou.
Vieira da Silva disse ainda que não é vantajosa a «obsessão» portuguesa de ser «câmara de eco daquilo que se escreve e diz em todas as capitais da Europa e do mundo».
«Muitas vezes, o que se escreve e diz não é inocente e muitas vezes, para não dizer a maioria das vezes, não é favorável aos interesses de Portugal», sublinhou.
Questionado também sobre o processo de privatizações, o antigo ministro disse que aquilo que o «preocupa» é que o Governo ainda não tenha produzido legislação para defender os interesses estratégicos nacionais nestes processos, como ficou previsto na nova lei das privatizações aprovada no ano passado pela Assembleia da República, algo que os socialistas têm vindo a denunciar.
Lusa/SOL