O jornalista Pedro Rosa Mendes anunciou hoje que irá processar o director-geral de Conteúdos da RTP, Luís Marinho, por «acusações e insinuações baixas», proferidas na terça-feira no Parlamento.
«As acusações e insinuações baixas que o dr. Luís Marinho fez aqui [comissão parlamentar para a Ética, Cidadania e Comunicação] ontem [terça-feira] não me merecem outra resposta que não um processo por difamação e ele terá oportunidade, com certeza, de repetir em tribunal as versões que têm sido espalhadas nos últimos dias na imprensa portuguesa pelo ex-porta-voz do presidente angolano, José Eduardo dos Santos», anunciou Pedro Rosa Mendes.
Recordando que foi «difamado» em sede de comissão parlamentar pelo director-geral da RTP, «de uma forma, absolutamente vil e, diria, cobarde», Rosa Mendes afirmou ainda não admitir «a ninguém que questione a minha relação profissional, nomeadamente deontológica, precisamente com um país em que o seu Presidente e o seu fornecedor de armas me colocaram dois processos por difamação, que perderam ao fim de sete anos».
Luís Marinho citou na terça-feira a imprensa diária na referida comissão parlamentar, dando credibilidade a um artigo segundo o qual Pedro Rosa Mendes teria viajado para Luanda, a expensas do Governo angolano, para pedir pessoalmente desculpa ao Presidente angolano por um trabalho que tinha assinado e evitar assim um consequente processo em tribunal.
Na mesma declaração, Luís Marinho afirmou ainda que o jornalista diz também ter sido despedido da agência Lusa, quando, na verdade, lhe foi dada a possibilidade de continuar como correspondente da agência em Paris, ou de vir trabalhar para a agência em Portugal.
Hoje, a deputada social-democrata, Catarina Rodrigues, pediu a Rosa Mendes que esclarecesse afirmações alegadamente suas publicadas nos últimos dias segundo as quais terá sido «despedido duas vezes pelo ministro [adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas]», perguntando ao jornalista se «alguma vez disse isso, e se o disse em que se baseia para fazer essa afirmação».
«Eu fui despedido da Lusa», afirmou Rosa Mendes. «A meio de Julho [último] foi-me anunciada a renovação do vínculo como delegado da Lusa em Paris, pelo administrador, Afonso Camões, que quinze dias depois me ligou – dia 2 de Agosto - dizendo exactamente isto: a delegação vai fechar. Não há a renovação do vínculo. Lamento isto, mas estou a cumprir instruções expressas do ministro Miguel Relvas. Passou meio ano sem que estas afirmações tivessem sido desmentidas, até à semana passada», declarou ainda.
Quanto à segunda vez que Rosa Mendes alega ter sido despedido pelo ministro da tutela, o jornalista remeteu para o que tem «dito na imprensa»: «Há, pelo menos, aqui uma responsabilidade política. Já não sou cronista da RDP, que era aliás, o último trabalho que tinha como jornalista neste país», disse.
Pedro Rosa Mendes afirmou hoje na Assembleia da República que «os factos estão em cima da mesa» e «apontam para uma relação - uma reacção mecânica - entre a minha crónica e o fim da rubrica ['Este Tempo']» na Antena1.
Na crónica em causa, o jornalista Pedro Rosa Mendes lançou fortes críticas ao programa da RTP 1 Reencontro, emitido no dia 16 de Janeiro a partir de Luanda, e que contou com a presença, entre outros, do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, e do chefe da Casa Civil da Presidência angolana, Carlos Maria Feijó, para além de empresários de grandes empresas portuguesas.
A comissão parlamentar para a Ética, Cidadania e Comunicação irá ouvir, eventualmente na próxima semana, segundo indicou hoje o seu presidente José Mendes Bota, o ex-diretor-adjunto de Informação da Antena 1, Ricardo Alexandre, e o provedor do ouvinte da rádio pública.
Lusa/SOL