Portugal estará em condições de manter uma boa relação com os Estados Unidos, se resolver o problema europeu e valorizar a sua posição no sistema global, considerou hoje o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado.
«Se formos capazes de resolver o problema europeu (…), capazes de valorizar a nossa posição no sistema global em mudança e em reconfiguração rápida (…), estaremos em condições de manter uma boa e saudável relação com os Estados Unidos», disse numa conferência a convite da Associação de Amizade Portugal - EUA.
Primeiro é preciso «garantir a solução deste problema interno gravíssimo (…) que vai por à prova a capacidade de coesão política, social e nacional que os portugueses têm de saber garantir», afirmou.
O ex-governante considerou que tal «exige um esforço de grande concentração colectiva e de grande responsabilidade a todos os níveis, do sistema político, mas também do sistema institucional e do sistema social, da sociedade em geral».
Trata-se de «uma batalha dificílima», disse, precisando que «a partir de Janeiro de 2013 dependemos de nós e ou temos capacidade para honrar os compromissos e temos o apoio necessário sem o qual será impossível honrarmos esses compromissos ou então (…) teremos um problema gravíssimo para resolver lá para os finais de 2013, 2014».
«Estes dois anos são absolutamente decisivos para a paz social em Portugal, mas também para a estabilidade do nosso país do ponto de vista político», adiantou Luís Amado.
A crise europeia é preocupante «porque há uma situação quase paradoxal».
«Sabemos que uma solução federalista para a Europa não é possível, não é aceitável no actual quadro de relacionamento entre os Estados, na relação de forças que existe na Europa (…), mas, não sendo possível uma solução federal para o problema político europeu, não há a forma de nós garantirmos a estabilidade do euro sem uma solução federal», considerou Luís Amado.
«Um exercício de quase quadratura do círculo» a ser resolvido «sabiamente, sensatamente com grande abertura e grande disponibilidade de todos os principais responsáveis», disse.
Luís Amado declarou-se, no entanto, convicto de que agora «o processo europeu está provavelmente nos carris», se correr bem a operação de troca da dívida grega, visando limpar mais de 100 mil milhões de euros da dívida do país, que ascende a 350 mil milhões de euros.
«Se esse processo correr bem eu acho que o processo europeu está nos carris e poderemos eventualmente olhar com mais confiança para o desenvolvimento deste processo a partir de agora», disse.
Ao mesmo tempo que resolve o problema europeu, Portugal deverá ir «projectando influência no mundo árabe, no espaço da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), (apostar) na relação no Atlântico Sul, mesmo na relação com a China e outras regiões do continente asiático», defendeu.
A valorização do país servirá a relação com os Estados Unidos, «que continuará a ser seguramente a potência hegemónica do sistema internacional», disse o ex-chefe da diplomacia portuguesa, nomeado para a presidência do Conselho de Administração do Banif.
Lusa/SOL