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Portas e a Guiné-Bissau: 'Aqueles que persistem na ilegalidade conduzem país ao isolamento'

18 de Abril, 2012
O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, advertiu hoje em Bruxelas que aqueles que, na Guiné-Bissau, persistem na ilegalidade conduzem o país ao isolamento pela comunidade internacional, que julgará de forma diferente aqueles que «caírem em si».

Falando à margem de uma reunião de ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros da NATO, Portas revelou ainda que na quinta-feira de manhã rumará a Nova Iorque para participar na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas que vai dar uma atenção urgente à situação na Guiné-Bissau e que foi convocada na sequência de um esforço diplomático conduzido por Portugal, em associação com o Brasil, a presidência angolana da CPLP e o «legítimo» ministro dos Negócios Estrangeiros guineense.

Paulo Portas disse esperar que a reunião de Nova Iorque, que será realizada na quinta ou na sexta-feira, «constitua um passo importante na avaliação firme que a comunidade internacional tem feito», e do ponto de vista português «bem», de uma situação «extremamente grave» na Guiné-Bissau, que o Governo português encara com extrema preocupação.

Lembrando que em situações como aquela que se vive na Guiné-Bissau «há muitos rumores e incertezas», Paulo Portas disse que é precisamente em momentos como este que é necessário reafirmar valores essenciais, como «tolerância zero com golpes de Estado que podem em causa a ordem constitucional».

O ministro sublinhou ainda, entre outras exigências, que «a vida dos dirigentes legítimos da Guiné-Bissau tem de ser preservada, a sua integridade física tem que ser respeitada e devem ser libertados sem condições», e que «é preciso concluir o processo eleitoral que foi interrompido, porque a força do voto prevalece sobre a força das armas».

Por fim, assinalou, «é necessário uma força internacional que tenha várias parcerias, de forma a ajudar a Guiné-Bissau a libertar-se deste clima de golpe de estado permanente».

Numa mensagem para os atores no terreno, o ministro dos Negócios Estrangeiros português advertiu que «aqueles que persistirem na violência, na interrupção do processo eleitoral, na ilegalidade e na violação da Constituição conduzem a Guiné-Bissau para o isolamento, para sanções e para embargos», enquanto «aqueles que, pelo contrário, pensarem melhor, caírem em si e arrepiarem caminho a tempo certamente merecerão uma avaliação diferente da comunidade internacional».

Por fim, questionado sobre o papel da União Europeia, Portas manifestou-se convicto de que «quer o Serviço de Acção Externa, quer o presidente da Comissão (Europeia, Durão Barroso) foram muito claros».

«A Europa felizmente apoia projectos de desenvolvimento e de transformação de regimes ainda sob tutela militar em regimes democráticos com prevalência do poder civil. É isso que a Europa deve fazer, e isso é o contrário do que está a acontecer na Guiné-Bissau, onde, por força das armas, quiseram interromper aquilo que o povo da Guiné expressou através da força do voto», concluiu.

Lusa/SOL




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