O presidente do Governo da Madeira, Alberto João Jardim, realçou hoje a importância dos arquipélagos atlânticos para a República portuguesa, afirmando que, "sem as regiões autónomas, Portugal é a Albânia da Europa Ocidental".
"Todos sabemos que Portugal sem as regiões autónomas é uma Albânia do ocidente da Europa", disse Jardim, na inauguração de uma estrada na freguesia dos Prazeres, concelho da Calheta, na zona Oeste da ilha da Madeira.
O governante argumentou que "Portugal só tem qualquer peso porque tem as Regiões Autónomas, tem a décima maior área economia exclusiva marítima de todo o Mundo graças às regiões autónomas, o que dá ainda algum prestígio internacional a Portugal".
O líder madeirense considerou que "Lisboa teme aquilo que se foi verificando ao longo da história", o facto de "todos aqueles territórios que se desenvolveram mais do que a terra-mãe acabarem por se emancipar".
"Não sei o que se passa em Lisboa, que em vez de haver um entusiasmo, principalmente da classe politica, no sentido de ter os madeirenses satisfeitos de estarem na Pátria comum, pelo contrário, vai desenvolvendo politicas que os fazem ficar cada vez mais aborrecidos com Lisboa", adiantou.
Segundo o chefe do Governo regional, esta situação "também é prova de incapacidade e irresponsabilidade de quem tem competências a nível nacional".
"Estou convencido que temos o maior interesse em termos a menor dependência possível do Estado português", declarou Jardim, reforçando que a República apenas deve ter cinco competências neste território insular: os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e segurança social iguais em todo o território nacional, os tribunais de recurso, a política externa, a defesa e segurança internas.
"Fora disto deixem-nos trabalhar à vontade. Não nos ponham aqui encravados, limitados e, sobretudo, não nos façam pirraças", expressou.
O líder regional apontou que a sua "posição é clara: enfrentar as dificuldades e ir para a frente aproveitando todos os meios possíveis, como foi o caso desta estrada em que se aproveitaram fundos europeus".
Aos jornalistas, à margem da inauguração, o também presidente do PSD-M admitiu uma recandidatura à liderança, se houver um congresso extraordinário do partido na região.
"Se houver um congresso extemporâneo, obviamente que candidato-me para continuar a desenvolver o plano que tenho para o PSD até ao final de 2014", disse, ironizando "nunca ter ouvido falar" na candidatura do atual presidente da câmara municipal do Funchal, Miguel Albuquerque, à liderança do partido.