O presidente do Governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, recusou hoje existir um 'buraco' nas contas da região autónoma e afirmou que o caso se destina a «entreter» o povo português.
«Não há buraco nenhum, está-se a repetir a mesma conversa tida durante as eleições regionais. Acho muito estranho que se ande a insistir na mesma coisa e a entreter o povo português, quando não se vai saber porque é que o país entrou na bancarrota, isso é que é grave», disse Alberto João Jardim.
Na segunda-feira, no âmbito de um inquérito-crime relacionado com a alegada omissão de dívida pública da região autónoma da Madeira, a GNR interditou o edifício que foi sede da Secretaria Regional do Equipamento Social para a realização diligências de busca e apreensão.
As diligências, determinadas pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), visaram «serviços da extinta secretaria com atribuições relacionadas com o exercício de obras públicas» culminou na apreensão de «documentos físicos e respectivos registos informáticos», referiu fonte do Comando Regional da Madeira da GNR.
Hoje, em declarações no final de um debate na Figueira da Foz, em que também participou o Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, Alberto João Jardim disse ainda que a Madeira está a ser alvo de um «ataque cirúrgico» aos seus sectores produtivos.
«A Madeira vive da zona franca, vive do turismo e construção civil. Atacou-se a construção civil, fixando um teto de investimento», disse o presidente do governo regional.
No turismo acusou a transportadora aérea nacional (TAP) de praticar «preços muitíssimos mais baratos» para outros destinos, situados à mesma distância entre o Funchal e Lisboa e, no caso da zona franca, «a única» de Portugal, «anda a ser desmantelada, a pouco e pouco, para se estar a beneficiar zonas francas estrangeiras», argumentou.
«Portanto, isto é um ataque cirúrgico à Madeira», reforçou Alberto João Jardim.
Acrescentou ainda que a Madeira «estava a crescer muito mais do que o continente» e que, perante um «temor» desse crescimento económico, «corta-se as pernas» à região autónoma, observou.
«E todos estes ataques, que são repetitivos, quando não se respeita o princípio do contraditório, devo dizer que estamos todos fartos deste regime político português», afirmou.
Lusa/SOL