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AR: Falta de consenso entre PS e PSD atrasa eleições

6 de Maio, 2012
A falta de consenso entre os dois maiores partidos parlamentares quanto a eleições que competem à Assembleia da República tem-se repetido nos últimos anos, com destaque para a substituição do antigo Provedor de Justiça Nascimento Rodrigues.

Presentemente, arrasta-se desde Janeiro a eleição de três juízes para o Tribunal Constitucional, que voltou à estaca zero na semana passada após a Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, ter mandado arquivar o processo de candidaturas por dúvidas quanto à elegibilidade de um dos candidatos e quanto à forma como as candidaturas foram apresentadas.

No despacho de arquivamento, Assunção Esteves reitera o entendimento de que «existem dúvidas» sobre se o candidato indicado pelo PS, o ex-secretário de Estado Conde Rodrigues, «detém a qualidade de «juiz dos outros tribunais» por se encontrar em situação de licença sem vencimento.

Até este processo, o impasse mais polémico entre PS e PSD em eleições da competência do Parlamento tinha ocorrido em 2009 com o processo de substituição do falecido Provedor de Justiça Nascimento Rodrigues, falecido em 2010.

PS e PSD começaram por discordar sobre a qual partido caberia indicar o candidato, quebrando um consenso de 18 anos quanto à nomeação do Provedor de Justiça.

Sem acordo, o PS indicou o nome do constitucionalista Jorge Miranda, que falhou por duas vezes a eleição, e o PSD indicou Maria da Glória Garcia, que também não conseguiu reunir os dois terços de votos exigidos.

Agastado com a morosidade da substituição, Nascimento Rodrigues acabou por renunciar ao cargo em Junho de 2009, um ano depois de ter chegado ao fim do seu mandato sem que tivesse sido substituído.

A 10 de Julho de 2009, o Parlamento elegeu finalmente o juiz conselheiro Alfredo José de Sousa para a Provedoria de Justiça, nome proposto pelo PS e pelo PSD e que reuniu apoio noutras bancadas, pondo fim a um inédito processo que levou até o Presidente da República, Cavaco Silva, a apelar à rápida resolução do problema.

Já em 2010, a substituição do juiz conselheiro Benjamim Rodrigues, que se reformara em Julho de 2010 do Tribunal Constitucional (TC), esteve adiada por vários meses, por a primeira a candidatura proposta pelo PSD suscitar dúvidas junto das restantes bancadas.

Maria dos Prazeres Beleza já havia exercido um mandato no TC, entre 1998 e 2007. Na altura, PS, PCP, BE e PEV defenderam que este facto inviabilizaria uma nova candidatura por a Constituição da República Portuguesa prever que o mandato tem a duração de nove anos e não é renovável.

O PSD recusou este entendimento, avançando com outra interpretação da lei, mas Maria dos Prazeres Beleza acabou por retirar a candidatura em Dezembro de 2010 perante a falta de consenso entre os partidos.

Após nove meses e sucessivos adiamentos, a eleição viria a ser marcada para 6 de Abril, com o segundo nome proposto pelo PSD, José da Cunha Barbosa, juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, a reunir finalmente o consenso necessário.

Em Setembro de 2011, a falta de consenso entre os dois maiores partidos levou também ao adiamento da eleição dos elementos do conselho regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, que tinham terminado o mandato em Fevereiro.

Com um «atraso» de 17 anos, a 22 de Novembro do ano passado foi empossada na Assembleia da República a Comissão de Fiscalização da Lei do Segredo de Estado, que é composta por um juiz indicado pelo Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais e por dois deputados.

A criação desta comissão, que de acordo com a lei zela pelo cumprimento da lei do segredo de Estado, tinha sido prevista em 1994.

Lusa/SOL




3 Comentários
partidocracia
06.05.2012 - 17:00
NÃO NOS REPRESENTAM
Nas democracias, são os eleitores que escolhem os seus representantes. Mas nas partidocracias como Portugal, são os "representantes" a escolherem-se a si próprios, ao fazerem listas de "candidatos" que não aparecem no boletim de voto e cuja ordem já está decidida no momento de votar. Com estas regras, o voto não não decide nada. O voto não é só para "escolher partidos", é também para cada cidadão ESCOLHER QUEM O REPRESENTA no parlamento. Os portugueses não se sentem representados por deputados que não podem escolher ou rejeitar.
Saojorbebeira
06.05.2012 - 14:04
O PS agora está numa birra que mais parece ser de "criancinhas mimada" !
ABA
06.05.2012 - 12:04
O TC deveria desaparecer quanto mais não fosse para se pouparem milhões inutilmente gastos. Noutros países o mesmo serviço é feito por uma secção do STJ e basta. O TC tem servido apenas para que isaltinos fiquem em liberdade sine die. Este tribunal foi inventado em período de vacas gordas para que uns quantos tivessem choruda reforma ao fim de 10 anos. Este país pelintra alimenta estas mordomias à custa da pobreza. Retira-se aos pobres para alimentar disto e dezenas de quartéis inúteis com hectares sobre hectares à espera doutra guerra colonial ou de uma invasão de espanhola. Estes governantes estão a soldo de interesses que nada têm a ver com os portugueses que estão a pagar a bancarrota socrática!


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