O presidente do conselho geral e de supervisão da EDP, Eduardo Catroga, disse hoje que a suspensão da garantia de potência «é uma decisão política», que a eléctrica pretende respeitar.
«A EDP adoptou sempre uma postura construtiva e vai continuar a adoptar», afirmou hoje Eduardo Catroga, à margem de um debate promovido pelo Internacional Club of Portugal, em Lisboa.
Em declarações aos jornalistas, o presidente do conselho geral e de supervisão da EDP disse que «a garantia de potência existe em Espanha e é significativamente superior à que existia em Portugal”, realçando que “é uma tendência europeia para que a prazo não haja apagões».
«São decisões políticas e respeitamos», declarou, quando questionado sobre a decisão da Endesa de fechar a central de ciclo combinado do Pego, enquanto vigorar a suspensão da garantia de potência, cumprindo a ameaça feita quando o Governo começou a pôr em causa os incentivos à disponibilidade das centrais térmicas.
«Vamos hibernar a central e por tempo indeterminado, porque não sabemos quanto tempo dura esta medida», afirmou hoje o presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, acusando o Governo de «má-fé e incumprimento das negociações».
Em declarações à Lusa, Nuno Ribeiro da Silva reconheceu que esta decisão limita a acção comercial da Endesa no sector eléctrico e impede a empresa de competir no sector do gás, além de colocar problemas ao país em caso de seca prolongada e de falta de vento, como aconteceu no primeiro trimestre do ano.
O Governo revogou a garantia de potência, renda anual que o sistema eléctrico paga aos produtores para compensar os dias em que as centrais térmicas estão paradas e de sobreaviso, decidida pelo Executivo de Sócrates em Agosto de 2010, que voltará a ser reposta «a partir do final do Programa de Assistência Financeira até ao final da vida útil de cada centro electroprodutor».
Lusa/SOL