O Representante da República para a Madeira disse hoje que as sucessivas greves no sector da aviação prejudicam «profundamente» a região, considerando que «todos os direitos têm os seus limites» e existem «mecanismos» para quando estes são ultrapassados.
«A região é profundamente prejudicada, não só em termos pessoais dos residentes na Madeira, mas também aqueles que querem cá deslocar-se como turistas», declarou Ireneu Barreto aos jornalistas, à margem de uma visita que efectuou ao Estabelecimento Prisional do Funchal, cujo «esforço nítido» na ressocialização dos reclusos destacou.
Segundo Ireneu Barreto, «a região sente-se prejudicada, não só na falta de mobilidade», mas também «no prejuízo económico derivado da falta de turistas que não chegam cá porque não têm ligações aéreas e não têm outro meio para cá chegar».
O responsável salientou que as greves no sector da aviação «prejudicam e prejudicam, sobretudo, as regiões ultraperiféricas que dependem, essencialmente, das ligações aéreas».
«Todos nós sabemos que o direito à greve é um direito sacrossanto, que está inscrito na nossa Constituição, e é um direito fundamental do trabalhador, mas não há direitos absolutos em democracia», sublinhou.
Para Ireneu Barreto, «todos os direitos têm os seus limites e quando se ultrapassa determinados limites há mecanismos para fazer regressar as situações extremas à normalidade».
«Eu não vou dizer se se justifica ou não se justifica a requisição civil, não sou eu, felizmente, que tenho de tomar uma decisão dessas», acrescentou o Representante da República.
Na terça-feira da semana passada o presidente do Governo da Madeira, Alberto João Jardim, defendeu a requisição civil na greve dos controladores aéreos.
«Um governo que se preze teria já feito a requisição civil e teria tomado as medidas de emergência que a situação exige», declarou Alberto João, sustentando que «o país está numa situação que não pode ficar refém de interesses corporativos que andam à volta dos transportes».
Dois dias depois, a secretária regional da Cultura, Turismo e Transportes, Conceição Estudante, declarou que a greve dos controladores aéreos está a representar a entrada de quase menos 2.000 turistas por dia na região.
«Esta situação tem afectado à ordem de quase dois mil passageiros por dia e se chegarmos ao final do mês e vermos 12 mil passageiros a menos, por exemplo, numa altura em que a greve está a acontecer, temos que encontrar também essa explicação para muito do agravamento que o destino está a sofrer», disse Conceição Estudante.
Segundo a responsável, «deviam ser encontradas soluções que evitassem a continuidade no tempo e, sobretudo, a instabilidade que cria a forma como a greve se tem vindo a desenvolver».
Conceição Estudante realçou que «todas as semanas há uma greve, durante o dia, em períodos que aparentemente parecem uma coisa boa por serem apenas durante duas horas, mas não é verdade, porque o dia inteiro fica afectado, os voos ficam todos atribulados, o que desincentiva as pessoas de viajar».
Lusa/SOL