O PS recusou hoje a sugestão do PSD para abdicar de levar a votos já na quarta-feira a sua resolução sobre crescimento e emprego, alegando que a situação do país não permite mais adiamentos.
A resposta negativa do PS ao PSD foi transmitida pelo presidente da bancada socialista, Carlos Zorrinho.
«Neste momento, o país não permite mais adiamentos e é preciso tomar decisões. O PSD teve muito tempo para analisar a nossa resolução. Não faz qualquer sentido adiar a votação de quarta-feira», declarou o presidente do Grupo Parlamentar do PS.
Carlos Zorrinho frisou que «o PS manterá a votação do seu projecto de resolução na quarta-feira, porque é muito importante que essa resolução seja usada pelo primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho] na reunião do Conselho Europeu também na quarta-feira».
«Está em jogo saber se o primeiro-ministro irá a essa reunião do Conselho Europeu representando-se a ele próprio, ou representando todos os portugueses e a vontade da Assembleia da República», considerou Carlos Zorrinho.
Ainda em resposta ao PSD, Carlos Zorrinho disse que a adopção da resolução do PS «dará ao primeiro-ministro um mandato mais forte» junto das instâncias europeias.
Fonte socialista disse à agência Lusa que o PS apenas está disponível para aceitar que a sua resolução, na qual se propõe um ato adicional sobre crescimento e emprego ao Tratado Orçamental da União Europeia, seja votada por alínea.
Momentos antes desta posição assumida pelo líder parlamentar socialista, o PSD afirmou esperar que o PS abdicasse de levar a votos na quarta-feira a sua resolução para promover o crescimento na União Europeia, manifestando-se disponível para acordar um projecto conjunto com os socialistas que pudesse ser votado na sexta-feira.
Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da bancada social-democrata António Rodrigues adiantou que, se o PS insistisse em levar a votos o seu projecto de resolução na quarta-feira, em vez de permitir que este baixasse à comissão sem votação, o PSD reservaria o seu sentido de voto até ao final desse debate.
«Se o PS forçar a votação do seu projecto, é porque não pretende qualquer tipo de consenso», considerou o vice-presidente do grupo parlamentar do PSD.
«Para nós o relevante é encontrar um consenso entre os partidos da maioria e o PS. Até estamos na disponibilidade de reunir na quinta-feira para termos um projecto final pronto para ir a votação na sexta-feira», acrescentou.
Lusa/SOL