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PCP diz que renegociação da dívida é inevitável, Governo fala em 'implicações devastadoras'

1 de Junho, 2012
O PCP defendeu hoje que a renegociação da dívida será inevitável devido à degradação da economia portuguesa, com o Governo a responder que isso teria «implicações devastadoras» e colocaria Portugal na «lista negra» dos incumpridores.

No encerramento do debate agendado pela sua bancada sobre a renegociação da dívida, o líder parlamentar comunista, Bernardino Soares, afirmou que «a alternativa que está em discussão não é renegociar ou não renegociar, é renegociar agora com algumas condições ou renegociar depois».

«Não há alternativa à renegociação, a opção é termos uma palavra a dizer agora ou não termos uma palavra a dizer e esta ser-nos imposta de forma abrupta», declarou, rejeitando as acusações da maioria de que renegociar significa «não pagar».

O deputado do PCP sublinhou que renegociar «é rever os prazos, as taxas de juro e eliminar a dívida ilegítima». «Há juros agiotas e especulativos têm de ser julgados e condenados».

«Quando nos for imposto um novo resgate, todos os senhores que aqui estão, PS, PSD e CDS-PP, serão responsáveis pelas suas condições», afirmou, em jeito de aviso.

Neste contexto, Bernardino Soares advertiu também para os aumentos da dívida pública e dos juros: «Os juros em 2011 foram de 184 mil milhões de euros e em 2014 serão de mais de 200 mil milhões de euros. Com a vossa política, a dívida pública aumenta e não diminui. Mais, os juros da dívida em 2011 foram de 6200 milhões de euros, em 2014 serão de 8300 milhões de euros».

O comunista considerou ainda que a fórmula do Governo para resolver os problemas do país está «ao contrário» e que antes da consolidação é preciso assegurar crescimento da economia.

«Com esta situação nós não vamos pagar a dívida, digam-nos qual foi o país que pagou a sua dívida sem crescimento económico (...) sem crescimento económico não se põem as contas públicas em ordem», disse, tendo sido secundado pelo deputado do BE Pedro Filipe Soares.

O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, classificou a renegociação proposta pelo PCP como sendo «nem mais nem menos o incumprimento unilateral dos nossos compromissos».

«É importante que o PCP assuma também as responsabilidades desta proposta absolutamente irrealista», exortou, acrescentando que se a proposta se concretizasse, Portugal «entraria na lista negra dos países que não cumprem a sua palavra e os seus compromissos».

«Isto teria efeitos absolutamente devastadores para Portugal, como aliás teve para todos os países que seguiram este caminho no passado e implicações devastadoras na economia portuguesa e no seu financiamento por um longo período de tempo, no pagamento de salários, de pensões, criaria uma situação inaceitável de carência de bens de primeira necessidade», considerou.

Da bancada do CDS-PP, pela voz do deputado João Almeida, veio uma intervenção que provocou exaltação na bancada do PCP, depois de o centrista ter comparado a proposta dos comunistas a uma «negociação de feira».

«A renegociação é completamente impossível e demagógica e parece uma negociação do tipo são mais seis pares de meias e um jogo de atoalhados, este tipo de lengalenga pode resultar em feiras mas não resulta no debate parlamentar», disse.

Almeida aconselhou os comunistas a «olhar para o clube da bancarrota, que não é um clube muito feliz», onde estão Chipre, «curiosamente é liderado por um governo comunista», ou a Argentina.

«É muito fácil falar quando não se tem responsabilidade», rematou o deputado e porta-voz do CDS-PP.

No debate, o deputado do BE Pedro Filipe Soares atacou o Governo por ter ameaçado os portugueses «com uma chantagem que não é real», com a tese de que da entrada da ‘troika' em Portugal dependia a «capacidade de pagar salários».

Segundo o bloquista, o que esteve em causa foi uma «escolha entre pagar aos credores e pagar os salários».

«O Governo disse que nunca colocaria os credores em causa, esta é que é a verdadeira escolha», concluiu.

Lusa/SOL




5 Comentários
asousabarbosa
03.06.2012 - 13:43
O PARLAMENTO SOBREVIVIA SEM O C? ClARO QIE SIM! MAS MÓS DIVERTIAMO-NOS MUITO MENOS: É UM GOZO OUVIR O SR. JERÓNIMO A FALAR . . .
vendap
02.06.2012 - 02:45
paralelo40
01.06.2012 - 19:17
Só se encontra um paralelo40 a cada mil e quinhentos quilómetros. São aves raras de basalto. Chatice o PCP ser notícia, logo agora com os portugueses de mobília às costas.
paralelo40
01.06.2012 - 19:17
Bela pintura. O querido líder e o delfim. Estarão a leilão? Devem valer muitíssimo, parece-me uma obra clássica, mas deve ser de Goya.
Se me saír o euromilhões, ofereço já 100 000 000,00 Euros.
paralelo40
01.06.2012 - 19:06
Estes PCP ´s Não dizem coisa com coisa. Absurdo, serem notícia. Será por se não recordarem que o 25 de Novembro de 1975 já sucedeu há quase 37 anos?
parasol
01.06.2012 - 14:28
O problema é que o governo mandava o Relvas renegociar mas depois ele dizia que não tinha negociado nada nem sequer falado com os membros da Troika...


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