O coordenador do BE disse hoje que «pela primeira vez» sente-se na Alemanha «o medo de um abalo financeiro» pelas situações da Grécia e Espanha e que a crise está a afectar as exportações e a economia germânicas.
«Sente-se pela primeira vez o medo de um abalo financeiro, principalmente pelas situações da Grécia e da Espanha e pela percepção de como Angela Merkel é intransigente e trata até o novo presidente francês, François Hollande, como se fosse um criado de quarto», afirmou à agência Lusa Francisco Louçã.
O líder bloquista falava ao telefone a partir de Frankfurt, na Alemanha, depois de ter discursado no III Congresso do ‘Die Linke' (A Esquerda), o partido de coligação de esquerda, alemão.
Louçã assinalou que a Alemanha «começa a sofrer por estar a substituir milhões de empregos fixos por trabalhos muito precários, temporários e mal remunerados» e também por, devido à crise europeia, haver uma quebra nas suas exportações.
«Há uma grande substituição do trabalho industrial e de serviços, que é bastante qualificado, por empregos muito precários. Há zonas da Alemanha já com 20 ou 25 por cento de desemprego jovem, é óbvio que há mais protecção social para os desempregados aqui, mas começa a sentir-se este efeito dominó da crise», salientou.
«A Alemanha cresceu muito enquanto os outros países tinham défice, mas isso já não acontece neste momento, a redução das exportações alemãs está a ter um efeito muito agravado na economia», acrescentou.
O líder do BE, que pela primeira vez discursou num congresso do Die Linke, partido há vários anos próximo dos bloquistas, adiantou que este está a ser «concentrado nestes primeiros sintomas de crise na Alemanha e pela enorme incerteza que se vive na Europa, que está institucionalmente bloqueada».
Louçã referiu que o tratado orçamental, cuja votação foi adiada na Alemanha, está a dividir as forças políticas e que «há percepções dos riscos do que podem significar a Grécia e a Espanha ao nível do euro», até pela «intransigência da Alemanha e da senhora Merkel em acomodar uma política anti-recessiva europeia».
«A forma como Merkel está a conduzir a Europa, a um risco excessivo de crise institucional, com o Banco Central Europeu sem conseguir acomodar as pressões recessivas e os efeitos da desregulação, e também o peso social desta situação está a ser bastante criticada», declarou.
Na visão de Francisco Louçã, «a Alemanha está com mais atenção aos países do sul e de média dimensão da Europa».
«Creio que as próximas semanas são cruciais para a Europa com as eleições regionais na Alemanha, a situação da Espanha e novas eleições na Grécia a 17 de Junho, pela primeira vez a senhora Merkel pode ser desafiada para além das palavras», defendeu.
Sobre o Die Linke, que alcançou 11,9 por cento dos votos nas últimas legislativas, Louçã considerou que um resultado à volta dos 10 por cento nas eleições de 2013 o tornará «decisivo do ponto de vista da política alemã».
Lusa / SOL