O Presidente da República defendeu hoje que os níveis de desemprego em diversos países europeus irão tornar-se socialmente insustentáveis e que é urgente adoptar novas medidas de emprego à escala nacional e à escala europeia.
«O combate à falta de emprego, sobretudo entre os mais jovens, deve estar no topo das prioridades da agenda social europeia. Diversos Estados europeus defrontam-se actualmente com níveis de desemprego que, do ponto de vista social, se irão tornar insustentáveis a curto prazo e a coesão interna de cada país irá projectar-se negativamente na coesão da Europa como um todo», afirmou Cavaco Silva.
«É urgente passar das palavras aos actos e adoptar novas políticas de emprego, quer à escala europeia, quer à escala nacional», acrescentou o Presidente da República, durante a sessão comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, no grande auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Antes, Cavaco Silva voltou a defender que «a imprescindível consolidação orçamental não constitui um valor em si mesmo» e que é necessário «conjugar a dimensão orçamental com medidas destinadas a criar condições propícias ao crescimento competitivo e a promover o emprego e a justiça social».
Em seguida, o Presidente da República considerou que «os líderes da União Europeia estão hoje mais atentos à necessidade de uma política de crescimento e de combate ao desemprego».
O chefe de Estado dedicou a primeira parte do seu discurso ao projecto de integração europeia, lembrando os tempos da assinatura do Tratado de Maastricht e da primeira presidência portuguesa do Conselho das Comunidades Europeias, que teve como lema "Rumo à União Europeia", há vinte anos.
«O Centro Cultural de Belém, simbolicamente situado nas imediações do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém, foi o espaço que acolheu a histórica cimeira dos líderes europeus realizada em Junho de 1992», referiu.
Cavaco Silva considerou que «a união e a solidariedade europeias» que na altura «eram uma opção de futuro são agora «uma condição de sobrevivência do projecto europeu», e advertiu: «Se nos deixarmos abater pelo pessimismo, se crescerem os egoísmos nacionais, se os Estados-membros não valorizarem a coesão e a solidariedade, se não houver coragem para defender a moeda única, se não for adoptada uma verdadeira agenda europeia para o crescimento económico e para o emprego, a União Europeia arrastar-se-á penosamente numa profunda crise».
De acordo com o Presidente da República, «para que o espírito europeu prevaleça sobre os egoísmos nacionais» é também necessário «que cada Estado mostre, perante os seus parceiros, sentido de responsabilidade e empenhamento solidário no reforço da União», que cada um «saiba honrar os seus compromissos, que cada qual saiba merecer a solidariedade dos outros Estados».
Cavaco Silva manifestou-se confiante que «o bom senso e o sentido de responsabilidade irão prevalecer» e que, «à semelhança do que ocorreu há 20 anos, a audácia europeia será o trunfo decisivo».
«Cabe aos líderes europeus de hoje mostrar que possuem a mesma grandeza e o mesmo rasgo estratégico daqueles que, em 1992, dirigiam o rumo da Europa», rematou.
(notícia actualizada às 14h37.)
Lusa/SOL