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Louçã desconfia das garantias do Governo de que não haverá mais aumento de impostos

30 de Junho, 2012
O líder do Bloco de Esquerda afirmou hoje suspeitar da credibilidade da garantia do Governo de que não haverá mais aumentos de impostos, e pediu aos portugueses para terem «cuidado» com as suas carteiras.

Francisco Louçã falava aos jornalistas momentos antes da sessão de lançamento da revista de intervenção política «Vírus», que tem o dirigente do Bloco de Esquerda Fernando Rosas como director.

«Não acredito num Governo que nos disse que tudo estava bem e que depois apresenta um enorme buraco orçamental, um desvio colossal nas contas públicas», disse o coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda, depois de ser confrontado com a posição de oposição do CDS-PP a novos aumentos de impostos e com a intenção do executivo de não voltar a aumentar a carga fiscal.

Francisco Louçã observou a seguir que o actual Governo já aumentou os impostos «como nunca se imaginava», e que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, durante a última campanha eleitoral, afirmou que seria «impensável tocar no subsídios de natal» dos trabalhadores do sector público e dos pensionistas.

«Eu não acredito nestes governantes, porque sempre que eles nos dizem que agora tudo vai correr bem, depois de tudo ter corrido mal, nós só lhes perguntamos então por que motivo quiseram que tudo corresse tão mal. Eles sabiam o que estavam a fazer e enganaram o país. Se agora nos prometem que não vai haver mais aumentos de impostos, eu digo só aos portugueses: Cuidado com as carteiras», advertiu Louçã.

Na perspectiva do coordenador do Bloco de Esquerda, a via pelos aumentos de impostos «é a política com que este Governo tem continuado sempre a atacar o trabalho».

«Os governantes não conhecem outra solução. Para eles, não pode haver impostos justos e esforço para criar emprego», sustentou.

Interrogado sobre a possibilidade de Portugal ter mais um ano de ajustamento para cumprir a meta dos três por cento de défice, Louçã contrapôs que os primeiros três meses deste ano de execução orçamental «provam o enorme embuste» da linha seguida pelo Governo.

«No Bloco de Esquerda não esperamos nenhuma solução por parte dos criadores desta crise. Precisamos que haja uma viragem na Europa, uma recusa das políticas de austeridade com aumentos de impostos e corte de salários, porque só assim Portugal e a Europa podem recuperar um caminho em que a economia sirva para criar emprego», disse.

Sobre o eventual alargamento para 2014 do prazo para concretizar o programa de ajustamento económico e financeiro de Portugal, Francisco Louçã argumentou que «é preciso recuperar a economia já, sem esperar mais um ano».

«Se o que nos estão a dizer é que são necessários quatro e não três anos de austeridade da 'troika' [Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia], então é o mesmo que optar entre cortar uma mão ou cortar uma perna. Portugal precisa é de recuperar a economia já, não perder mais tempo», declarou.

Lusa/SOL




5 Comentários
jocas
02.07.2012 - 16:40
1º Os partidos de esquerda colaboram com o regime, querem diminuir o desemprego? mudem de regime, este regime é uma ditadura dos representantes, o povo não escolhe nada já está tudo escolhido à partida, 2ºnão se pode negociar sem trunfos, e defesas, 3º o povo só se pode defender se tiver numa posição de força, o que não é o caso o povo precisa de comer, 4º quem quiser ajudar o povo só tem uma maneira de o fazer, que é ensinar o povo a como ter ENERGIA própria gratuita, a partir daí também tem água, e comida, então aí porque tem defesas, já terá uma posição de força mínima para negociar o trabalho com os patrões em condições aceitáveis, tudo o resto esse falatório lutas, greves, manifestações na rua, isso não vale nada, isso não dá comida, isso é só para entreter o Zé povinho, ensinem mas é o povinho a pensar a caminhar para uma nova civilização onde o povinho possa evoluir para ser um POVO.
CurvaDeLaffer
01.07.2012 - 11:48
Se o governo quer aumentar a receita, o que tem de fazer é baixar alguns impostos, nomeadamente o IVA. E se quer que as receitas das auto-estradas aumentem e deixem de ser as "auto-estradas lá vai um", tem de baixar as portagens.
Ainda alguém duvida da veracidade da teoria de que existe um ponto no nível de impostos a partir qual os impostos arrecadados descem em vez de aumentar? E de Portugal está nessa situação?
Zedk
01.07.2012 - 00:59
Mentir é um vício; denunciar, uma arte que, como tal, pode ser discutivel mas não ignorada.
gipsyking
01.07.2012 - 00:30
"Read my lips: no more taxes."
TerraQueimada
30.06.2012 - 21:35
Como disse o Pimenta Machado no futebol, que se aplica para outras coisas: "O que hoje é verdade, amanhã é mentira"


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