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PS desafia Governo a repensar fim das Novas Oportunidades

5 de Julho, 2012
O deputado do PS Nuno Sá desafiou hoje o Governo para que «repense a extinção» do programa Novas Oportunidades, afirmando que o ministro Miguel Relvas «foi pioneiro» na obtenção de uma licenciatura no «mesmo espírito» daquele programa.

«Este é o momento oportuno para que [o primeiro-ministro] Passos Coelho repense as políticas que tem seguido no que toca à Educação e qualificação dos portugueses e designadamente refiro-me à extinção do programa Novas Oportunidades e aos epítetos que Governo e Passos Coelho têm lançado sobre os programas que valorizam a experiência profissional e de vida dos portugueses com a aprendizagem concedendo-lhes, com certificação e com rigor, determinadas qualificações e graus de estudos», disse.

O deputado referia-se às notícias que revelam que o ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, concluiu a sua licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais em apenas um ano através do reconhecimento das suas habilitações profissionais na Universidade Lusófona.

Segundo o reitor da Universidade Lusófona, Mário Moutinho, o procedimento é comum desde a aplicação do Processo de Bolonha – que uniformizou o ensino superior no espaço europeu.

O deputado do PS disse que nada tem, do ponto de vista dos princípios, contra a possibilidade de se obter um grau académico por reconhecimento de competências no âmbito do processo de Bolonha, considerando que o ministro dos Assuntos Parlamentares «deve é explicar um acontecimento que revela no mínimo alguma hipocrisia».

«Miguel Relvas foi o primeiro português, um pioneiro, a recorrer à filosofia Novas Oportunidades», ironizou, acrescentando que o Governo deve tomar como exemplo o percurso do ministro para reconhecer que «é possível certificar as qualificações dos portugueses» avaliando o currículo, as competências adquiridas na vida e a experiência profissional.

Lusa/SOL




19 Comentários
JoaquimVaz1234
08.07.2012 - 23:20
Vilardemacada
07.07.2012 - 17:36

Deve haver algum equívoco: Não sou diplomado, não senhor: os cursos que tenho são rodos de nível secundário ou, como se diz agora, são cursos na linha transversal que as contingências da vida me obrigaram a tirar ou que tirei por gosto!

Não fui trabalhador estudante, foi o que eu disse e está escrito, é pena não saber ler!

Nunca andei na faculdade: “exames ad hoc” era assim que se chamavam, na altura, os exames a que se apresentavam os “alunos externos” sem ter frequentado as aulas regulares. Exames para maiores de 23 anos, como hoje se chamam.

Como vê, nem sou doutor nem comi marmelada nenhuma.

Não sei que habilitações ou idade o senhor tem. Mas com a minha idade e ao nível do 12º ano posso pedir-lhe meças para ver quem mais sabe de “taboada” (será que quis dizer “tabuada”?

Tenho mais horas de aulas efectivas, sempre à noite, depois de dias de trabalho do que o senhor imagina... Chumbar? Repetir? Nunca! De conversas está o inferno cheio: quer experimentar um teste?

Tudo resto que o senhor diz é verdade... Como é verdade que o senhor errou o alvo!

Não me trate por V. Exa, tratar-me por senhor já chega!


Vilardemacada
07.07.2012 - 17:36
Ó sr.Joaquim Vaz:depois de ter feito aqui um autêntico compêndio com todo o seu saber,o que me fica de tanta literatura é que V.Exª.é um "diplomado" ex-trabalhador estudante,que transitou para a faculdade após ter feito um exame "ad-hoc"!Como eu me lembro das duas situações!Esses exames ad-hoc foram das grandes vigarices que se fizeram neste país nos gloriosos anos do PREC!Mas descanse que não foi só V.Exª.que se aproveitou dessa marmelada. Conheci muito indivíduos(normalmente os mais estúpidos)que fizeram esses exames e,sem quase saberem a taboada,se matricularam em gestão de empresas e,coisa gira,sem frequentarem aulas,apareceram com exames feitos e pautas assinadas por "camaradas"conhecidos!Quanto a trabalhadores-estudantes,é mais ou menos coisa idêntica. Conheço pessoas que aos 65 anos estão ainda a frequentar a universidade, que frequentam há 20 anos,pois só conseguem fazer uma disciplina por ano, porque a inteligência não dá para mais!Isto,Excelência,é uma grande treta!Essas pessoas até podem ser acarinhadas se a sua intenção for aprenderem mais alguma coisa,mas a sua intenção é obterem um diploma que,mesmo sem saberem interpretar um texto,lhe dê a possibilidade de ultrapassar o colega do lado que,por imposição quer do próprio brio,quer das chefias,acaba por fazer o trabalho daquele espertalhão que não passa dum chulo!
Não é minha intenção atirar-lhe este labéu à cara!Deus me livre!Mas V.Exª-há-de reconhecer que em 99% dos casos isto acontece!
jcesar
05.07.2012 - 23:14
O Relvas andou vários anos para fazer uma cadeira, e fez-la com 10 valores.

Mas depois de se matricular na Lusófona ficou esperto, até conseguiu uma licenciatura num ano.
JoaquimVaz1234
05.07.2012 - 22:45

Uma licenciatura num ano

O “Sistema Europeu de Transferência de Créditos” foi lançado em 1989, como um projecto-piloto no âmbito do Programa Erasmus.

O Sistema Europeu de Transferência e Acumulação de Créditos é um sistema centrado no estudante e baseado no volume de trabalho requerido ao estudante para que este alcance os objectivos de determinado programa de estudos. Estes objectivos são definidos preferencialmente em termos de resultados de aprendizagem e competências.

O objectivo na altura era facilitar o reconhecimento dos períodos de estudo efectuados no estrangeiro pelos estudantes de mobilidade através da transferência de créditos. O sistema de transferência, disseminou-se por trinta países e foi adoptado por mais de mil instituições de ensino superior.

Quarenta Estados aderentes ao Processo de Bolonha identificaram o ECTS como um dos pilares fundamentais do Espaço Europeu de Ensino Superior. Muitos países já o adoptaram como um sistema de acumulação dentro dos seus próprios sistemas de ensino superior, e outros estão em vias de o fazer.

Os objectivos não são facilitar uma licenciatura para a qual o aluno pouco contribui em termos de esforço e trabalho, mas facilitar o prosseguimento desse esforço porque já se realizou trabalho equivalente.

Todas as Universidades deviam divulgar os seus critérios específicos para atribuição de equivalências, o que está longe de acontecer.

O que é suposto é que estudemos, ou trabalhemos, e desenvolvamos competências, e não que, por ter chegado a determinados cargos, alguém se possa servir disso para obter a sua licenciatura.

Há um princípio jurídico segundo o qual ninguém pode invocar para sua defesa, o desconhecimento da lei. Nem podia ser de outra maneira pois, se isso fosse permitido, ruiria por completo todo o edifício jurídico.

Portanto, mesmo que sejamos analfabetos, todos que ter o conhecimento da lei que regula os nossos actos e a maneira de estarmos na vida num dado espaço e tempo! Mal sabemos as consequências da nossa ignorância... Outros mais embrenhados no mundo jurídico vão explorando as grandes benesses que as leis (iguais para todos?) lhes vão proporcionando...

Pouco importa, agora, falar de Sócrates ou Relvas. O que há a reter são os factos não subestimáveis de alguns saberem e outros não onde ficam “os buracos da chuva”...

Quanto tempo é preciso para tirar uma licenciatura em Portugal? E na Europa? Enos Estados Unidos?
Qual a formatação dessa licenciatura, Programas, Disciplinas?
Com que idade se pode entrar numa faculdade? E “ser corrido” dela por falta de aproveitamento?
Porque é que aos 40 e 50 anos de idade ainda há “estudantes” a chuchar na “acção escolar, com os que não estudam a pagar?
Por que razão um curso superior tem 36 disciplinas semestrais e não 18 ou 72?
Por que razão se hão-de perder 3 ou 5 anos a tirar uma licenciatura, se o cidadão tiver saberes para defender um exame final?
Porque razão se dá autonomia às Universidades e, com ela, um discricionário poder para se praticarem as maiores arbitrariedades?
Porque razão os “laureados” com uma licenciatura ou doutoramento não devolvem à Sociedade Civil os investimentos que esta fez neles?
Por que razão as “Ordens” obrigam os licenciados a fazer um exame prévio para ingressarem na Ordem, sem o qual não lhes confere a “carteira profissional”?
Por que razão o Estado anui a essas exigências das “Ordens”, como a estas competisse
Certificar os Cursos das Universidades?
Por que motivo técnicos estrangeiros, porventura especialistas, têm de se submeter as suas aptidões ao veredicto das nossas “Ordens”?
Para que servem os doutoramentos “honoris causa”?

Um mundo de interrogações a que só os privilegiados saberão responder.

Os “sabichões da praça” vão iludindo “semeando clareza” , mas tudo fazem para que continuemos a viver na mais completa obscuridade e a dar-lhes o lombo para poderem trepar...

A vida está, cada vez mais, para os que sabem “mexer” dentro do “sistema”. Aos outros só restará abrir os olhos de pasmo (não quando as coisas acontecem) quando a comunicação social nos dá a notícia...


JoaquimVaz1234
05.07.2012 - 19:04

A avaliação

A avaliação é o acto de verificar se os comportamentos dos alunos estão segundo o grau exigido pela escola e pelo professor, servindo de suporte para que o aluno progrida na aprendizagem e na construção do seu saber.
Tem, pois, o papel pedagógico de orientar o aluno na aquisição dos seus conhecimentos e saber se está avançando ou não na superação das dificuldades de acordo com o processo de ensino/aprendizagem.
O professor, tendo observado o “mau comportamento” dos alunos, sente-se tentado ameaça-los com a arma poderosa da avaliação, dizendo que irá tirar-lhes pontos, chamará os pais, irá colocá-los para fora da sala, encaminhá-los para a coordenação, etc..
Nesta concepção, o mais comum é o professor, não conseguindo motivar o aluno para o trabalho, começar a usar a nota como um instrumento de pressão para obter a disciplina e participação, contribuindo assim, para a sua alienação.
Outra forma, que a avaliação é utilizada pelo educador é a de uma mera reprodução e repetição dos conteúdos e conhecimentos; preocupam-se em leccionar os conteúdos programáticos, exigem respostas “mecânicas” como certo/errado valorizando o “produto” final e não valorizam todo o processo, mais ou menos ínvio, que o aluno utilizou para chegar ao resultado final que, por vezes, até estará certo.
Errou os cálculos, não os apresentou... portanto, zero!
A desvalorização por boa parte dos professores dos conhecimentos que os alunos trazem de sua vivência no quotidiano faz com que muitas vezes estes fiquem quase que totalmente desmotivados para a aprendizagem que deles vai ser exigidas pelo currículo escolar.
Se o aluno não conseguiu apreender os conhecimentos e competências que a instituição pretendia que ele fizesse, é tido como não apto e, portanto, retido. É um meio utilizado pela maioria dos professores, com a conivência do sistema escolar, como forma de demonstrar a sua autoridade.
O papel da avaliação e sua utilização pelo professor em sala de aula é um grande desafio, pois é através dela, que o acto de ensinar e de aprender vão estar inclusos no processo de ensino-aprendizagem. Nessa concepção, a avaliação é encarada como um aprendizado mútuo, interactivo, na qual o professor desafia o aluno na superação dos obstáculos fazendo com que este tome consciência de sua dificuldade e avanço.
A avaliação escolar é muito importante, pois faz com que o aluno assuma poder sobre si mesmo, tenha consciência do que é capaz de melhorar. Desse modo, o professor assumindo uma pedagogia dinâmica deve oferecer ao aluno diversos tipos de estratégias que satisfaçam as competências e capacidades e que sejam significativas.
Portanto, avaliação deve fazer parte do processo de ensino/aprendizagem, para que professores acompanhem o desenvolvimento dos conhecimentos dos alunos e os mesmos saibam se estão progredindo, interagem um com outro, sancionem dúvidas. Para isso, a prova não deve conter matéria para além do que o professor ensinou.
Todo o nosso sistema de ensino está imbuído de um inefável sentimento de carreirismo que dá aos seus agentes um elevadíssimo sentimento de um perverso sentimento de poder: gosto deste (porque vai à missa aos Domingos), passo-o, não gosto daquele (porque o apelido me faz lembrar certo herege, activista ou revolucionário), retenho-o!
Gosto deste porque os pais me dão flores e, portanto, dou-lhe boas notas; este, cujos pais não me vêem mimosear, pode bem ficar retido! Também posso encomendar ao aluno um trabalho de casa de inusitada dificuldade, para que ele o não consiga fazer...
Ou, então, o melhor é reter todos os alunos que não vêem a minha casa para receber explicações!
Em face disto, o que faz a encarregada de turma, o Conselho Directivo, a Comissão de pais? Nada!
O Ministério ou a Inspecção-Geral do Ensino do já se deram ao trabalho de indagar quantos alunos são perseguidos ou postergados pelos professores por estas causas mesquinhas?
É a prepotência em acção! Duvidam? Tornem-se as aulas abertas a observadores independentes... Compare-se o desempenho de cada aluno nas aulas com as notas correspondentes e tirem-se as conclusões...
Sabemos de uma professora que, após o seu regresso da situação de doença, anulou todas as notas dos alunos de uma turma completa só porque não esteve presente para discutir a nota que a sua substituta deu à aluna que perseguia por causa do seu apelido pretensamente herege!
É por isso que o poder de decidir nunca deve residir na palma da mão de um só professor, nem dos conselhos de direcção, nem dos concelhos de turma. O regime de faltas e o Estatuto do Aluno perdem grande parte da sua razão de ser enquanto estas monstruosidades não foram eliminadas nas nossas escolas.
É por isso que a avaliação do aluno se devia concretizar em ambiente muito mais humanista, dando-se-lhes todas as “chances” possíveis, incluindo, para quem o quisesse, uma avaliação individual, no fim de cada período ou ano.
Os professores e as escolas também devem ser avaliados; mas, quanto à avaliação dos professores, digam estes o que disserem, vão sempre rejeitar liminarmente a avaliação. Quanto à avaliação escolas, muitos problemas se poderiam resolver se aos pais dos alunos, seus “encarregados de educação”, fosse reconhecido o direito de matricular os seus filhos na escola que achassem a melhor, sem terem de se subordinar ao espúrio critério de residência.
Aí sim, a escola que, pela sua fraca qualidade, visse todos os seus alunos debandar, devia pensar duas vezes antes de o Ministério a mandar encerrar.




JoaquimVaz1234
05.07.2012 - 19:02
Insucesso? Qual insucesso?

As taxas de insucesso escolar são particularmente elevadas no nosso País, sendo inúmeros os jovens que “abandonam” os estudos antes de completar, quer o 9º Ano, quer o Ensino Secundário.
Os “estudos” sobre o fenómeno responsabilizam, vagamente, a Escola, e muito mais a Família e a Sociedade pelo insucesso e abandono escolar; mas, facto curioso, nunca se responsabilizam, em concreto, os próprios agentes educativos...
A família é a primeira célula da sociedade e é no seu seio que se deveriam desenvolver os sentimentos cívicos e éticos capazes de formar os mais elevados valores do Homem e da Humanidade. Mas a Família é apenas um elo, porventura o “elo mais fraco” da vida em Sociedade. E também ela se encontra hiper-responsabilização e desprotegida de todas as investidas de uma “sociedade de risco”.
As respostas de combate ao insucesso e abandono escolar só podem ser produzidas envolvendo pessoas concretas e escolas reais.
Queixam-se as Empresas de que a Universidade não lhes fornece saídas profissionais capazes de competir com as economias estrangeiras; queixa-se a Universidade da fraca matéria intelectual vinda do Ensino Secundário; este queixa-se das matérias curriculares ou da fraca qualidade dos alunos que lhe são fornecidos pelo 3º ciclo do Ensino básico e este, enfim, lamentam-se amargamente da má preparação ministrada ao nível do 2º ciclo...

Se adicionarmos a isto uma taxa de abandono escolar precoce igual a 45,1%, que mais precisávamos para saber que é a Escola e não os alunos que está em crise?
O “Abandono Escolar” tem servido de tema a inúmeros “estudos científicos” congressos e simpósios muito bem organizados e, até, de temas de teses para doutoramentos...
Por estranho que pareça, estes estudos escolásticos nunca tiveram a coragem de “por o dedo na ferida”: a questão, tão mesquinha quanto real, dos procedimentos comportamentais dentro da própria sala de aula.
Importa, pois, que os professores sejam capazes de perceber que a Escola é um lugar de Aprendizagem e não um lugar de Ensino, que o centro fulcral da Escola é o Aluno e não o Professor e que é preciso analisar como, e até que ponto, é que o seu comportamento dentro da sala de aula pode também potenciar muitas situações de insucesso.
“O aluno de risco” tem geralmente um rendimento escolar insuficiente, vive num meio familiar pobre, culturalmente desfavorecido, tem falta de auto-confiança, baixas expectativas para o futuro e vive mal a sua relação com a Escola”.
No fundo, segundo esses “estudos científicos” que vão vendo a luz do dia, o insucesso proviria sempre de disfunções sociais e de famílias marginais, quais habitantes de “favelas” brasileiras...
Enfim, uma interminável litania para justificar a incapacidade atávica da própria Escola na formação dos Homens do Futuro.
Este modo de encarar o problema revela, no seu âmago, um enorme cinismo e uma grande falta de habilidade para lidar com o problema: a Escola e os seus agentes nunca se prepararam verdadeiramente para a massificação do ensino que ocorreu em Portugal nem para a integração de alunos de diferentes etnias e estratos sociais , numa palavra, para a democratização do ensino: como se o ensino, para ser eficaz, tivesse de retroceder à barbárie de antigamente, quando as “elites privilegiadas” ocupavam exclusivamente os Liceus”, as Universidades e os cargos públicos!
Como se vê no quotidiano, a relação professor/aluno está, , ainda muito inquinada: o professor é quem “tem a faca e o queijo na mão” , é ele que manda, é ele que corta como melhor lhe aprouver... e ponto final!
Significa isto dizer que os professores, mais vezes do que seria desejável, dispõem ainda de elevado sentido de autocracia, confundindo a pedagogia com o poder.

O aluno sente-se, a miúdo, rechaçado pela escola (que deveria ser sua e não é). Falta-lhe o gosto para a frequentar e a motivação para estudar porque não está numa “escola democrática”, onde os professores sejam não só competentes mas também justos e tratem os alunos ainda jovens com a equidade e o respeito que merecem...
A Escola, ela própria, tem de se regenerar para sobreviver e para cumprir as missões que, sucessivamente, a Sociedade lhe irá confiar.
Não se culpe, portanto, apenas a condição sócio-económica dos alunos e das respectivas famílias, e a falta de interesse pala literacia: a Escola, quando quer, sabe bem como chutar os alunos pela borda fora...
A Escola não empolga os alunos: é uma entidade distante, fria e pedagogicamente ineficaz. Não foi na Escola que ouvi falar pela primeira vez de físicos como Albert Einstein, Niels Bohr, Fermi, Thompson, Louis de Broglie, Marie Curie, Pierre Curie, Born, Max Plank, Dirac e outros, de matemáticos como Cantor, Isaac Newton, Fermat, Gauss, Gustavo de Castro ou Bento de Jesus Caraça, muito menos ainda de filósofos como Freud, Hegel, Marx, Nietzsche, Russel ou Sartre ou de psicólogos como Adler, Jung, David Hume, Orttega y Gasset ou Piaget...
Também não foi na Escola que ouvi falar na Teoria da Relatividade, de modelos atómicos, dos corpos negros, da entropia ou do princípio da incerteza...
Na época da “Fibra Óptica”, onde os mais vulgares instrumentos que usamos na nossa vida (telemóveis, termómetros, GPS, televisões, computadores, DVDs, máquinas fotográficas, vídeos...) são de natureza “digital”, os programas curriculares, ao nível do 9ºAno não fazem uma única alusão a este tipo de tecnologias!!!
A Escola confina-se às chamadas “orientações curriculares”, e aos inúmeros manuais escolares, deixando para o grande negócio das “explicações” o ensino mais selectivo e eficaz, que há-de catapultar os “apelidos sonantes e endinheirados” para os lugares superiores da política, da administração e das grandes empresas financeiras que vão dominando o País...
As críticas que faço à Escola “que se quer obrigatória” é igualmente, ou, sobretudo válida para o Ensino Superior onde, ainda hoje, há alunos que fazem “os exames semestrais” em “data e ambiente mais conveniente”, isto é, professor e aluno combinam quando devem fazer a prova no remanso bucólico de um escritório particular ou em gabinete fechado, longe dos olhares indiscretos dos alunos não privilegiados...
Por isso, creio que podemos proclamar:
Insucesso? Que insucesso? O sucesso que os alunos não conseguem alcançar? Ou a incapacidade inata da Escola Clássica para formar alunos de sucesso?
É na hora em que nos sentimos na corda bamba que as certezas balançam e a imaginação se põe a divagar...
Podemos seguir caminhos ou enveredar por atalhos ou encruzilhadas de onde nem sempre é possível regressar; e, com tranquilidade, escolher o rumo que, talvez por falta de tempo, ou de maturidade nunca demos às nossas vidas...
Comecei a juntar pedaços, daqui e dali, dos erros que cometi, dos conselhos que me deram e não segui, daquilo que podia ter sido e não fui: o homem com um bom emprego, a faculdade que não cursei, o tipo de educação que poderia ter tido, o dinheiro que poderia ter conseguido com um pouco mais de esforço, os relacionamentos que teria mantido se me tivesse empenhado, e tantos outros.

Nada há de condenável em deixar a imaginação voar em direcção a um passado que não existiu, desde que isto sirva de breve alento para dores do presente e nos impulsione para a construção de um futuro que a “escola clássica” nos amputou.
Prender-se a um passado ilusório, ou arrastar o seu peso vida fora, é não se perdoar pelas escolhas feitas, mesmo que não tenham sido as melhores, é jogar fora o que foi capaz de realizar e realizou, é fugir da responsabilidade pelo que ainda é possível viver.

Quando se fala de abandono escolar, devíamos ponderar bem se é verdadeiramente o aluno que abandona a Escola ou se é a Escola que chuta o aluno!

JoaquimVaz1234
05.07.2012 - 18:58

Políticas de Ensino

As desigualdades sociais estão presentes, são resultantes das “diferenças de classe”, e são elas – diz-se - que “marcam” o fracasso escolar nas camadas populares.
De acordo com vários estudos, os alunos de nível sócio-económico mais baixo têm um menor índice de rendimento e, de acordo com alguns autores, são mais propensos à evasão.
É uma lapalissada: Já entram na escola em desvantagem! Não possuem os meios instrumentais de que os ricos dispõem! Não podem competir no mercado escolar nem no mercado do trabalho! Já estão excluídos antes de serem incluídos!
Embora medidas governamentais tenham sido tomadas para erradicar a evasão escolar, como por exemplo, o Programa de Novas Oportunidades, parecem não ser ainda suficientes para trazer a criança ou o jovem de volta aos estudos interrompidos.
Todo o nosso sistema de ensino está imbuído de um inefável sentimento de carreirismo que dá aos seus agentes um elevadíssimo sentimento de poder: gosto deste (porque é da minha religião), passo-o, não gosto daquele (porque o apelido me parece filho de activista), retenho-o! Gosto deste porque os pais me dão flores, logo dou-lhe boas notas; este, cujos pais não me vêem mimosear
pode bem ficar retido! Ou, então, o melhor é reter todos os alunos que não vêem a minha casa receber explicações!
O Ministério e seus pedagogos, já se deram ao trabalho de indagar quantos alunos são perseguidos pelos professores por estas causas mesquinhas?
É a prepotência em acção! Duvidam? Tornem as aulas públicas a observadores independentes... Comparem-se o desempenho de cada um nas aulas com as notas correspondentes...
É por isso que o poder de decidir não deve residir na palma da mão de um só professor, nem dos conselhos de direcção, nem dos concelhos de turma.
Em face da realidade do desemprego no país, a evasão escolar cresce bastante, pois muitas crianças acabam desistindo da escola pela necessidade de contribuir (diz-se) para a subsistência da família.
Os excluídos da escola nunca irão enveredar pelo mundo do trabalho que –também ele- fecha as portas a pessoas desqualificadas... Pois se patrões e chefes se podem dar ao luxo de terem pessoas licenciadas a servir-lhes cafés...
A evasão escolar é uma questão gigantesca que não tem tido uma discussão relevante por parte das entidades responsáveis pelo ensino em Portugal.
O estatuto dos professores, o estatuto do aluno, as aulas extracurriculares, a retenção por falta de assiduidade (ainda que o aluno obtenha mais créditos fora da escola do que dentro dela!) nada são quando comparados com a tarefa hercúlea que o Estado tarda a iniciar...
Os programas curriculares contêm matéria que pouco ou nada prendem o aluno à escola: não dão a explicação do modo como funcionam os “gadgets” que todos os dias têm entre mãos, preferindo debruçar-se sobre princípios ou teoremas, alguns até muito ultrapassados , dos Séculos XVII ou XVIII, quando já estamos em pleno Século XXI. Uma total incapacidade da escola para acompanhar os tempos modernos...
Reter um aluno por desconhecer alguns princípios mais que questionáveis da Física das nossas escolas ou por meras panaceias da literacia portuguesa (quando, na prática, a Língua é árida e rude e até na comunicação social se faz questão de eliminar os modos infinito e conjuntivo dos verbos), não será enviá-los para a exclusão?
O que é preciso é dar asas aos devaneios de –sabe-se lá quantos- pedagogos e demagogos sentados nas suas poltronas na 5 de Outubro.
É chocante ver um aluno proactivo ser objecto de uma perseguição tenaz por parte de professores que querem dar aulas descansados...
O Polvo Escolar é enorme e, como de costume, alimentado por pressões irredutíveis das respectivas corporações.


JoaquimVaz1234
05.07.2012 - 18:53


“Sensor
05.07.2012 - 14:01
As Novas Oportunidades são uma fraude. Ponto.”
Os Centros Novas Oportunidades são unidades orgânicas promovidos por entidades formadoras com um conjunto de valências diversificadas no âmbito da resposta às necessidades de qualificação da população adulta, competindo-lhes o encaminhamento para ofertas de educação-formação ou para o reconhecimento, validação e certificação de competências adquiridas ao longo da vida para efeitos escolares e/ou profissionais.
Os Centros Novas Oportunidades constituem-se, assim, como a “porta de entrada” dos adultos para novas qualificações, respeitando e valorizando o seu perfil individual.
Os Centros de Novas Oportunidades sensibilizam e recuperam para a vida útil os cidadãos que foram postergados pela “Escola Clássica” e pela sua Corporação.
Com eles foram experimentados em Portugal processos pedagógicos mais consentâneos com o capacidade de saber, baseados não no “Ensino”, mas na “Aprendizagem”.

As Novas Oportunidades, ao nível do 9º ano, foram para muitos o sonho de voltar a estudar, de saber algo mais e seguir em frente, na via que, por crueldade ou inépcia, a escola clássica lhes tinha interrompido.

Muitos destes jovens foram recuperados, retirados ao grupo dos sem-abrigo e às palafitas onde homens e abutres vão disputado o mesmo espaço para viver.

Agora, quando perguntarem a esses jovens, proscritos das escolas por serem hiperactivos ou pró-activos, por terem distúrbios de memória ou dislexia, ou simplesmente porque não suportavam a falta de motivação dos programas, o autoritarismo ou prepotência dos professores, eles respiram de alívio porque o seu pequeníssimo canudo os retirou da ilegalidade.

Quanto ao CNO ao nível do 12º ano, a história não é bem igual. Mas devemos ter a visão de compreender o que se passa mais longe, ao nível das “licenciaturas de Bolonha”, onde as Novas Oportunidades dão lugar a “Grandes oportunidades”, de que os casos de Sócrates e Relvas são apenas a ponta do iceberg.

É preciso, portanto deixarmo-nos de ser mesquinhos, pois, enquanto nos vamos digladiando, outros se vão servindo...

Os cursos que tirei não foram nas Novas Oportunidades, nem ao abrigo do Estatuto do Trabalhador-Estudante! Trabalhava de dia e estudava de noite, ponto final! ou apresentava-me a “exames “ad-hoc”, em igualdade com os estudantes-estudantes. Nesta história sou, portanto, insuspeito.
joseduarte
05.07.2012 - 17:14
oscardarocha - 05.07.2012 - 16:32

A Rosinha a falar em «honestidade intelectual», é como o seu TRAFULHA a falar em inglês: só dá para rir.

Fez umas cadeiras em Coimbra? É verdade, e tornou-se assim BICHAREL SANITÁRIO.

Só que, chegado a Lisboa e já em ascensão no Partido da Sucata, o seu parolo decidiu que havia de ter um canudo a sério - de ingenheiro.

Por isso, comprou-o na UnI, e aproveitou para fazer mais umas amizades altamente recomendáveis, como o agora famoso António José Morais.

O resto é história: ameaçou e tentou silenciar todos os que expuseram a trafulhice, como o Prof. Balbino Caldeira, até mandar fechar a UnI. Antes disso, o seu compincha VARA também lá tirou o canudo-na-hora, e o Prof. Morais foi mamar na Cova da Beira.

Rosinha, faça lá os serviços de joelhos que quiser ao seu herói, mas não faça da malta parva.

Por maus que sejam os canudos do Relvas e do Passitos, nenhum deles, até ver, chegou às alturas do seu TRAFULHA. Este continua a ser, de pleno direito, o pior ESCROQUE já parido por esta Partidocracia.
oscardarocha
05.07.2012 - 16:32


CANUDOS HÁ MUITOS, Ó PALERMA !

Registo com interesse o paralelo que os indefectíveis laranjas procuram estabelecer entre o "canudo" de Miguel Relvas e o percurso académico do anterior Primeiro-ministro, José Sócrates.
Tanto quanto é sabido Sócrates fez mais cadeiras em universidades públicas do que muitos mestres fizeram. É público o grau de engenheiro técnico obtido por Sócrates num politécnico de Coimbra, uma série de cadeiras feitas no ISEL com vista à licenciatura, para além das que terá feito, por fax ou não, com mais ou menos inglês técnico na U. Independente. O facto é que obteve equivalências de cadeiras feitas em universidades públicas o que parece não ser o caso de Relvas, no ensino público não fez nada e na Lusófona terá feito uma cadeirinha.

A comparação Sócrates/Relvas é bem ilustradora da honestidade intelectual dos comentadeiros.
Licenciatura expresso, um ano, só para artistas como Relvas.
Qual terá sido o papel das Secretas? E a Maçonaria não ajudou? Será que também ameaçou o reitor tal como fez com a jornalista do Público?

oscardarocha
05.07.2012 - 15:43

A RASCARIA ÉTICA

Não deixa de haver um certo cinismo nesta intervenção do deputado socialista.
O caso do ministro Miguel Relvas, só marginalmente se poderá integrar no espírito do programa Novas Oportunidades, na medida em que se trata de oportunismo, compadrio ou corrupção.

A formação académica do Primeiro-ministro Passos Coelho e do seu número dois, o ministro Relvas, são mais do que duvidosas uma vez que foram obtidas muito tardiamente e em instituições que nada devem ao bom nome, ao prestígio, dignidade académica ou honorabilidade, ou seja, são canudos comprados a melhor ou pior preço.

No caso das Novas Oportunidades não consta que os professores traficassem diplomas ou obtivessem ganhos de qualquer natureza, o mesmo não poderá ser dito dessas "universidades" de ópera bufa que conferem graus académicos a analfabetos.

Desde sempre se percebeu que o núcleo duro do actual governinho, era fraco, impreparado e culturalmente medíocre, o que não sabíamos era da sua rascaria ética.

veritatis
05.07.2012 - 14:34
Não podia imaginar que o ensino em Portugal tuivessse chegado a esta lástima.....depois de 23 cadeiras feitas numa das melhores faculdades do País reputo estes diplomas tipo relvas de uma vergonha clamorosa. Já bastava o outro que fazia exames por fax......tinha vergonha que alguém me chamasse doutor com diplomas emitidos com este (de)mérito!........................
GUEDES1955
05.07.2012 - 14:16
Manter o novas oportunidades para quê?
Invistam esse dinheiro nas empresas e na economia e deixem-se de andar a brincar de escolinha!
Alguns trafulhas já comeram o que tinham a comer.
Com este governo não t~em sorte nenhuma, pois o actual governo não pactua com ilegalidades
Sensor
05.07.2012 - 14:08

E a fotografia da noticia não deixa de ser eloquente.

Dois canastrões ("formados" em escolas privadas aos 40) a rirem-se da sua própria cabulice.

E quem são eles? por acaso até são o PM de PORTUGAL e o seu mentor.

E por aqui se vê onde esta choldra chegou!
Sensor
05.07.2012 - 14:01
As Novas Oportunidades são uma fraude. Ponto.


Se a intenção é mesmo conferir títulos e habilitações fictícias, para inglês vêr, então façam-no arbitrariamente mas sem o recurso a mais um sorvedouro do erário público.

Se a intenção, por outro lado, é transmitir conhecimento e novas competências então as tais NO são um fiasco completo.


A verdade é que, antropologicamente, a "licenciatura" tem um valor simbólico que vai muito para além do conjunto de competências académicas supostamente adquiridas com esse grau. Ela destina-se, fundamentalmente, a marcar "ritual e arquetipicamente" o fim de um ciclo na idade humana, o fim da juventude, e o inicio da vida adulta como ser social e activo, apto a uma integração mais lata no compromisso da vida. Nesta acepção arquetipica só secundariamente a licenciatura tem valor enquanto um capital garantido de saber, ainda que - mesmo secundariamente - esse capital nada despiciendo seja decisivo para o futuro do individuo.

Por isso mesmo ver tipos madurões, já entradotes nos 40 ou 50, ansiosos por adquirir a sua "licenciatura" é ridículo. Nem eles se dão conta da caricatura a que se prestam. Todo o ensino a adquirir na "maturidade" deve ser, por isso mesmo, menos o de conferir "títulos" como o de fornecer efectivas competências e novas capacidades aos seus destinatários. E para isso é preciso ENSINAR. MAS ENSINAR A SÉRIO.

parasol
05.07.2012 - 13:31

parasol
05.07.2012 - 13:31
joseAldrabarte
05.07.2012 - 13:09 Aldrabulha
sibila
05.07.2012 - 13:10


as NO ou novas oportunidades agora são só para licenciaturas ou mestrados ou doutoramentos dos ministros especiais e excecionais ...

joseduarte
05.07.2012 - 13:09
Pioneiro, o Miguel Reles? Nem por sombras.

Dez anos antes dele, já o TRAFULHA tinha um canudo-na-hora, conseguido por fax a um domingo.

O grande mérito, e esse ninguém lho tira, foi estender o conceito a todo o país: através das Novas Barbaridades, qualquer cidadão podia ter o seu canudo-na-hora, levando ainda de brinde um Cagalhães.

Claro que o canudo não serve para nada, e tudo isto não passou de uma fantochada caríssima para iludir carneiros, mas o TRAFULHA limitou-se a aplicar a sua própria experiência pessoal.

É que no caso dele, o canudo também foi só para inglês ver. É tão "engenheiro" como eu sou astronauta.


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