O líder do Bloco de Esquerda (BE) disse hoje que a reacção do Governo à decisão do Tribunal Constitucional, relativamente à inconstitucionalidade do corte dos subsídios, revela «tensões dentro da coligação» PSD/CDS e uma «incapacidade» de resposta.
«Esta resposta do Governo demonstra simultaneamente as tensões dentro da coligação que dá sinal de fragilidade, mas sobretudo a incapacidade do Governo de responder ao desafio que o Tribunal Constitucional colocou», disse hoje Francisco Louçã aos jornalistas no final da reunião, em Lisboa, da mesa do BE.
Louçã afirmou que o TC declarou «ilegal» o Orçamento do Estado e que a única correcção possível é a restituição [dos subsídios] como a abertura de um caminho de consolidação orçamental que não persista na ilegalidade nem na discriminação.
O líder do BE afirmou que «o Governo está incomodado porque a máscara da consolidação orçamental caiu», argumentando que o Executivo «queria disfarçar um aumento de impostos que era a retirada dos dois subsídios de férias e de Natal como se fosse das despesas».
O líder bloquista advertiu ainda que o Governo não «se atreva a cortar qualquer cêntimo dos subsídios dos trabalhadores do público ou do privado ou dos reformados com o pretexto mentiroso que o TC assim o deseja».
O dirigente afirmou que, «um dias antes da tomada de decisão do TC, havia um buraco de dois mil milhões de euros», fruto da «derrapagem orçamental» e da «política de austeridade do Governo que só leva ao afundamento da economia».
«O que o Governo nunca poderá fazer, não é aceitável, e é uma mentira, é dizer que é o TC que empurra o Governo para, depois do fracasso da austeridade, fazer ainda mais austeridade», advertiu.
Louçã responsabilizou o Governo de ter provocado uma «crise na economia portuguesa» que se transformou num «desvario, disparate e descontrolo».
Tendo ainda salientado «o contraste entre o que [PSD e CDS] prometeram na campanha eleitoral e o estão a fazer no Governo».
«Um Governo que faz exactamente o contrário do que prometeu é um Governo que está a montar uma armadilha ao seu país a atacar o seu país, e portanto, está na ilegalidade», sentenciou.
Lusa/SOL