O movimento autárquico Com Faro no Coração (CFC) exigiu hoje a demissão de Macário Correia da câmara de Faro, para sair da actual «situação bloqueada e a apodrecer», que põe «em risco o Estado de Direito democrático».
Em comunicado, o movimento liderado pelo ex-presidente da Câmara de Faro José Vitorino reclama também a demissão do presidente da Assembleia Municipal de Faro, o socialista Luís Coelho, que considera co-responsável com a «conduta anti-democrática» de Macário Correia.
Em declarações à Lusa, José Vitorino acusou a coligação autárquica PSD/CDS e o PS de constituírem uma «troika partidária» e de estarem «sempre concertados no pior sentido», apontando como exemplo os «comportamentos anti-democráticos» do presidente da Assembleia Municipal nas últimas semanas.
«O PS deve assumir a co-responsabilidade plena de todas as decisões deste mandato relativamente ao PSD e ao CDS, o que é muito grave, porque deixou de haver oposição e estamos a caminhar para uma situação de pré-ditadura», sustentou.
Assegurou que o pedido de demissão de Macário Correia não se deve à deliberação judicial que determina a perda de mandato por actos lícitos alegadamente praticados em Tavira, mas sim por um conjunto de comportamentos praticados em Faro.
Entre eles estão os que levaram a um pedido de explicações do Ministério Público devido à utilização da figura dos «estudos de conjunto» em substituição do Plano Director Municipal (PDM).
O CFC reivindica a autoria da queixa ao Ministério Público, que posteriormente avançou com uma acção para declarar a ilegalidade de seis deliberações da Assembleia Municipal no sentido da suspensão do PDM em algumas situações.
«Mais uma vez, e em todos os casos, a concertação PSD, CDS e PS funcionou, com votos a favor», observa o comunicado do CFC, sublinhando que as primeiras queixas apresentadas pelo CFC datam já de 2010.
Além desse «facto novo», José Vitorino apontou também o alegado boicote dos três partidos à comissão de estudo dos novos parquímetros da cidade e a «conduta antidemocrática» da «troica partidária» nas últimas sessões da Assembleia Municipal de Faro.
«O que fizemos hoje foi dar dois valentes murros na mesa, porque em termos deste mandato autárquico a situação revela-se perfeitamente pantanosa», afirmou o ex-presidente da Câmara de Faro à Lusa, referindo-se ao pedido de demissão dos dois mais importantes responsáveis autárquicos do concelho.
No comunicado, o CFC pede à população de Faro que dê «uma enorme vassourada democrática» nos três partidos mais votados nas últimas eleições de 2009, «a bem dos munícipes e para inviabilizar mais concertações entre o PSD, CDS e o PS».
Contudo, defende que esse acto só deve ter lugar nas próximas eleições, «porque faltam apenas 13 meses para terem lugar».
Lusa/SOL