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'Só um regime autoritário pode impor segundo pacote de resgate' [vídeo]

10 de Julho, 2012por Manuel A. Magalhães
O Congresso Democrático das Alternativas é o primeiro passo para mudar de governantes, com 'entendimentos alargados' à esquerda. Mas os tacticismos partidários seriam fatais, avisa Carvalho da Silva, co-organizador.

A convocatória do Congresso Democrático das Alternativas, que co-assina, diz ser «fundamental denunciar o memorando com a troika». Isso significa rasgá-lo?

Quem defendeu o termo ‘denunciar’ foram juristas... havia várias outras hipóteses e tivemos cuidado com a formulação.

Se o significado é jurídico então é mesmo não cumprir, ou seja, rasgar.

Não é bem assim. Não cumprir o memorando é a interpretação mais ‘dura’. E é preciso sublinhar que na mesma frase se acrescenta que é preciso «abrir uma negociação com todos os credores para a reestruturação da dívida pública». A parte da renegociação é fundamental.

O congresso é a repetição de outros ‘encontros das esquerdas’? Tem o apoio de Manuel Alegre, a participação em massa do BE...

É absurdo comparar o congresso com o que aconteceu na Aula Magna. Manuel Alegre, Mário Soares e os líderes partidários foram informados, mas há que lhes perguntar a eles se apoiam o congresso. Eu não posso falar por eles, aliás, nesta entrevista falo apenas por mim. Mas posso esclarecer que não há nesta iniciativa agendas escondidas ou tentativas de nos impormos aos partidos, ou de os federar.

O PCP pôs-se à margem e disse que vê com reservas este congresso. Não é um mau começo?

Não vou fazer qualquer apreciação individualizada dos partidos. Qualquer pronunciamento só pode gerar guerras. Seria uma tontaria – matávamos o nosso objectivo! Não quero dar lições aos partidos. Vai ser preciso encontrar novas dinâmicas, denominadores comuns à esquerda e reforçá-la. Mesmo que os entendimentos tenham de ultrapassar a esquerda e impliquem entendimentos alargados noutras áreas políticas – por interesse patriótico. Os tempos que vivemos são únicos e gravíssimos.

A esquerda nunca conseguiu governar junta. É suficiente resistir, protestar?

Portugal só sai do buraco em que está com outros mandantes políticos. E o reforço da esquerda é fundamental, imprescindível, para isso acontecer.

Isso passa por alianças nas autárquicas? Por encontrar já um candidato presidencial?

As respostas eleitorais competem aos partidos. Neste momento não é isso que está em causa. O tempo é de construção de alternativas que minorem o sofrimento dos portugueses. Quanto aos objectivos do congresso, é natural que haja vários entendimentos e interesses sectoriais, contudo tem de haver uma linha de demarcação: Ai de nós se há agendas escondidas! Não pode haver tacticismos.

O Congresso é a 5 de Outubro. Até lá a esquerda faz o quê, quando se põe a hipótese de mais austeridade e há quem fale de novo pacote de resgate?

Seria preciso um Estado autoritário, um regime com componentes de autoritarismo, para impor um segundo memorando em Portugal. Espero que haja uma tomada de consciência crescente de que mais austeridade é inadmissível e que é uma mentira que os nossos credores tenham todos e mais alguns direitos. Devemos libertar-nos da ideia de que vivemos todos acima das nossas possibilidades. A esquerda deve ir formulando propostas que dêem esperança às pessoas.

O que espera do PS? Os socialistas assinaram o acordo com a troika e têm-se comprometido com o seu cumprimento.

O apoio a um novo memorando com agravamento das condições de vida dos portugueses seria desastroso. Até agora, o PS e a social-democracia europeia não têm feito o suficiente para sacudir esta pressão neo-liberal que diz que vivemos acima das nossas possibilidades e que o empobrecimento é o caminho necessário. Do PS prefiro pensar positivo, ou seja, que fará melhor do que até aqui.

Como vê o papel do Presidente da República?

O Presidente da República faz uns discursos piedosos, mas não age quando é preciso. A Constituição é sistematicamente posta em causa e está em curso uma revisão do regime.

O facto de haver ‘um governo, uma maioria e um Presidente’ faz a diferença?

Temos um Presidente que converge com o Governo, mas infelizmente também há que registar a complacência e a cumplicidade do PS e o facto de termos um governo externo – a troika.

Se houver mais mudanças nas leis do trabalho, a UGT terá condições para aceitar a concertação social?

A UGT responderá. Mas não há um mínimo de diálogo social. Para Passos Coelho (disse-o na Festa do Pontal), o papel dos parceiros é o de ‘credibilizar a política das inevitabilidades’. Em 2008 fui a primeira pessoa em Portugal a usar a expressão ‘retrocesso civilizacional’. Está a acontecer.

Os sindicatos têm capacidade de resistir?

Os sindicatos são as estruturas sociais mais perenes da sociedade moderna. Levaram ‘porrada de criar bicho’, mas resistiram a tudo desde o século XIX. Já foram testados pelo liberalismo e não desapareceram. Se os sindicatos forem encostados à parede – nomeadamente pondo em causa o direito à contratação colectiva – teremos um descalabro na sociedade.

Concorda com a intensificação da luta da CGTP? É esse o caminho?

Não queiramos que os sindicatos tenham resultados imediatos. As pessoas começam a perceber que não se está numa ‘curva do caminho’ e que as coisas não voltarão a ser como antes. E a mudança de política, a luta contra a ameaça liberal, tem de ser europeia.

manuel.a.magalhaes@sol.pt

 

Tags: Política



18 Comentários
QUIMTUGA
11.07.2012 - 15:59
Ó MADNESS


COM TANTA FORÇA A DEFENDER O COMUNA, NÃO TEM VERGONHA DE FAZER A APOLOGIA DE UMA TESE, COMO A QUE ELE DEFENDEU.

TESE QUE,OBJECTIVAMENTE REPRESENTA, A VIDA DE SINDICALISTAS?
DE FACTO GRANDE CONTRIBUTO PARA A SOCIEDADE...

vendap
11.07.2012 - 13:39
- Damn the Torpedoes -
Agora já é tarde!
http://rt.com/usa/columns/peter-schiff-economics-crisis/economy-too-economic-zandi/
vendap
11.07.2012 - 13:37
Tuberculose ganha asas nos EUA.

Florida ignores deadly tuberculosis outbreak.

http://rt.com/usa/news/outbreak-state-tb-officials-768/
vendap
11.07.2012 - 13:30
Em Espanha com os mineiros e em Portugal com os médicos é caminho certo para mandar abaixo a direitalha na Europa. Vai saír daqui um movimento à escala global e a Europa arrisca a ficar em escombros. Quando a 'franga' se soltar nem polícia, nem exército terão o poder suficiente para a aplacar. Desta vez não será com argumentos. Será a Primavera Europeia e tudo o que ela significará.
pedrox
11.07.2012 - 11:34
Bom é na Coreia do Norte ...grande paraíso comunista...lá ninguém tem sequer o desplante de pensar em greve ,meia tigela de arroz ao dia basta!
GUEDES1955
11.07.2012 - 10:24
A REVISTA SABADO DA SEMANA PASSADA TRÁS UMA NOTICIA SOBRE UM BOM PORTUGUES NASCIDO EM SANTA COMBA DÃO! UM HOMEM HONESTO, DEDICADO A PORTUGAL!
ACONSELHO ALGUNS COMUNAS E SOCIALISTAS RESSABIADOS A LER!
Madness
11.07.2012 - 08:39
"Nandez
10.07.2012 - 21:34"
Imbecil, Carvalho da Silva é doutorado, e com uma excelente nota. A sua tese foi defendida com a presença de milhares de pessoas inclusivé figuras políticas.
concei01
11.07.2012 - 08:15
Uma das causas da actual situação do País é a fuga de muitas empresas para o estrangeiro devido ao excessivo numero de greves! Portanto é melhor calar a boca, senhor Carvalho da Silva!
Antonyjunior
11.07.2012 - 00:31
Na Coreia não há pacotes...
maameGUI9
10.07.2012 - 23:54
A HISTÓRIA OS JULGARÁ!
Os últimos governos, com o propósito de justificar uma enorme ofensiva contra os direitos dos funcionários públicos, avançaram com algumas falsas ideias que, depois, apareceram papagueadas por conhecidos comentaristas e foram recentemente invocadas na deliberação do Tribunal Constitucional sobre os cortes de subsídios. Disseram, então, que os funcionários tinham o seu vínculo laboral mais protegido e um nível de remuneração, em regra, mais elevado.
Comecemos pelo tal vínculo laboral mais protegido. O Estado tornou-se no maior empregador de trabalho precário. Enquanto no sector privado, um trabalhador que tenha certo número de anos de trabalho se torna efetivo, por exemplo nas escolas, há professores com 10 ou 15 anos de serviço, que permanecem como provisórios. De modo que, agora, o Estado se prepara para promover o maior despedimento de que há memória, nada menos que 25 mil contratados, a que, possivelmente, ainda se juntarão alguns efetivos. E o caricato é que, depois, o governo, em mais uma manobra propagandística desmentida pela realidade, virá apregoar a sua preocupação com o desemprego.
Falemos, agora, do nível de remuneração. É princípio inscrito na Constituição da República que «todos os trabalhadores, sem distinção de idade, sexo, raça, cidadania, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, tem direito à retribuição do trabalho, segundo a quantidade, natureza e qualidade, observando-se o princípio de que para trabalho igual salário igual, de forma a garantir uma existência condigna». É, pois, natural que juízes e médicos, generais e almirantes, professores e delegados do ministério público, enfermeiros, engenheiros e economistas, todos os elementos qualificados do Estado tenham a remuneração correspondente à sua qualificação e responsabilidades. E nenhuma empresa do país tem percentualmente gente com nível idêntico. Contudo, para um mesmo nível de qualificação, a retribuição do Estado é, em regra, inferior. E até o subsídio de refeição dos funcionários públicos é mais baixo que o dos trabalhadores privados. O pretexto é poupar. Só não poupam nas suas regalias e no que pagam a «boys» de vinte e poucos anos, a ganhar mais que professores em fim de carreia.
Os últimos governos recorreram ao velho princípio de dividir para melhor governar. Só que está por provar que se consegue governar melhor atacando os funcionários públicos, Pelo menos Salazar e Caetano, homens de direita que governaram em ditadura, tinham um extremo cuidado em não hostilizar aqueles que executavam a sua política. Bem pelo contrário. Salazar até criou para o funcionalismo um serviço de saúde próprio, a ADSE. E quanto tempo teria durado o Estado Novo, se tivesse hostilizado militares e polícias, juízes e delegados, médicos e professores, economistas e administradores?
Os últimos governantes também são gente de direita. Mas não parecem ter, nem de perto, a habilidade e a inteligência de Salazar. Desencadearam um ataque multifacetado contra o funcionalismo. Ameaçam veladamente acabar com as forças armadas. Retiram subsídios ao funcionalismo público. E a médicos até querem pagar à hora menos do que recebe uma mulher a dias.
No manicómio em que vivemos só faltava um Tribunal, depois de declarar inconstitucional o corte de subsídios, vir admitir que esta inconstitucionalidade deve continuar até ao fim do ano.





Nandez
10.07.2012 - 21:34
c****** da silva, formado na universidade nocturna, onde as notas são exigidas de forma a passar sempre, tal como actualmente na escola, com leis do sócrates.
queres formar-te em doutor? vai estudar de noitem que em meio ano ficas doutor, ne, domingos precisas para os exames.
como dizia o outro, doutor da mula russa...este gajo foi sempre um grande calaceiro..
pinto2007
10.07.2012 - 21:28
o cinismo e hipocrisia no seu pleno!
como pode um dinossauro do pcp, o partido que destruiu politica, socialmente e economicamente Portugal, apresentar-se como paladino e salvador da patria?
é preciso ter muito topete!
pedrox
10.07.2012 - 21:11
Sim se fosse num pais comunista nem manifes havia ,comiam e não bufavam...tens razão....basta ver os exemplos ....
quijote
10.07.2012 - 21:04
A dívida da abrilada tem de ser paga, e com juro alto. Bem dizia o professor Marcelo Caetano que o comunismo acabava sempre na valeta.
NORTHWIND
10.07.2012 - 20:06
LEGALISED AND INSTITUTIONALISED CRIME !!!!!!

Este Pais esta cheio de ELITES DEMOCRATICAS, REPUBLICANAS, ECLETICAS, ETICAS, RACIONAIS E MISTICAS !!!!!!!!!!!
SALVE-SE QUEM PUDER !!!!!!!!!
parasol
10.07.2012 - 20:02
Portugalix
09.07.2012 - 16:40
Portugalix
09.07.2012 - 16:40
A vossa solução é pedir? Mendigar? E dizem que são de esquerda?
Que tal em vez de esmolas trabalharem?
TerraQueimada
10.07.2012 - 18:28
Como disse o prof parcelo, o TC já deu o álibi perfeito para o governo fazer o que quiser e bem entender, portanto, daqui para a frente, é um salve-se quem puder...
QUIMTUGA
10.07.2012 - 18:26
SÓ UMA ESQUERDA MODERNA PODE RESOLVER COMO O EXEMPLO A SEGUIR.

Portugalix
09.07.2012 - 16:40 denunciar

Peçam ao fugitivo de Paris os 90,000 milhões de euros que aumentou na dívida pública entre 2005 e 2010.
Peçam ao fugitivo de Paris, que decidiu nacionalizar o BPN, colocando-o às costas do contribuinte, aumentando o seu buraco em 4300 milhões em 2 anos, e fornecendo ainda mais 4000 milhões em avales da CGD que irão provavelmente aumentar a conta final para perto de 8000 milhões, depois de ter garantido que não nos ia custar um euro.
Peçam ao fugitivo de Paris os 695 milhões de derrapagens nas PPPs só em 2011.

Peçam ao fugitivo de Paris, que graças à sua brilhante PPP fez aumentar o custo do Campus da Justiça de 52 para 235 milhões.

Peçam ao fugitivo de Paris os 300 milhões que um banco público emprestou a um amigo do partido para comprar acções de um banco privado rival, que agora valem pouco mais que zero. Quem paga? O contribuinte.

Peçam ao fugitivo de Paris os 450 milhões injectados no BPP para pagar os salários dos administradores.

Peçam ao fugitivo de Paris os 587 milhões que gastou no OE de 2011 em atrasos e erros de projecto nas SCUTs Norte.

Peçam ao fugitivo de Paris os 200 milhões de euros que “desapareceram” entre a proposta e o contrato da Autoestrada do Douro Interior.

Peçam ao fugitivo de Paris os 5800 milhões em impostos que anulou ou deixou prescrever.

Peçam ao fugitivo de Paris os 7200 milhões de fundos europeus que perdemos pela incapacidade do governo de programar o seu uso.

Peçam ao fugitivo de Paris os 360 milhões que enterrou em empresas que prometeu extinguir.

Peçam ao fugitivo de Paris para cancelar os 60,000 milhões que contratou de PPPs até 2040.

Peçam ao fugitivo de Paris, que usou as vossas reformas para financiar a dívida de SCUTs e PPPs.

Peçam ao fugitivo de Paris para devolver os 14000 milhões que deu de mão beijada aos concessionários das SCUTs na última renegociação.

Peçam ao fugitivo de Paris os 400 milhões de euros de agravamento do passivo da Estradas de Portugal em 2009.

Peçam ao fugitivo de Paris os 270 milhões que deu às fundações em apenas dois anos.

Peçam ao fugitivo de Paris os 3900 milhões que pagou em rendas excessivas à EDP tirados à força da vossa factura da electricidade


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