O PS defendeu hoje que as conclusões da OCDE mostram que é preciso «mudar de vida» porque a «austeridade» para lá do «necessário» provoca uma «espiral recessiva» e considera que os números do desemprego poderão «ser piores».
«Este relatório vem confirmar um dos nossos piores receios e um dos piores receios dos portugueses, mais um ano de recessão em Portugal e, em consequência, mais desemprego, a ultrapassar os 16 por cento e, inclusivamente, as falhas das metas do défice», afirmou o deputado Pedro Marques.
«Pensamos até que, provavelmente, os números relativos ao desemprego poderão ser piores, algumas das confederações patronais também já o disseram», frisou.
O deputado falava aos jornalistas no Parlamento sobre o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) hoje divulgado.
«Esta receita não está a correr bem, estamos numa espiral recessiva, a dose de austeridade foi para lá do que era necessário e do que estava previsto no memorando da 'troika'. Precisamos mesmo de mudar de vida, precisamos de política económica e precisamos de uma política orçamental que não estrangule a economia», argumentou.
Pedro Marques ressalvou que o PS não põe «em causa a necessidade de consolidar as contas públicas», defendendo que «as metas a longo prazo são de consolidação das contas públicas, do défice a três por cento e a redução da dívida».
«Quando nós falamos de mais tempo para a consolidação não é nenhuma obsessão de facilitar uma meta, é tornar exequível o programa. Nós precisamos de condições para aplicar a consolidação orçamental sem destruir a economia», justificou.
Segundo um relatório da OCDE divulgado hoje, a economia portuguesa irá encolher 3,2 por cento este ano e 0,9 por cento no próximo; estas previsões são as mais pessimistas das até agora apresentadas por instituições internacionais para Portugal no curto prazo
Para o défice, a previsão da OCDE é que o Governo falhe as metas da 'troika', embora por margens relativamente curtas: 4,6 por cento do PIB em 2012 (a meta é 4,5 por cento) e 3,5 por cento em 2013 (a meta é 3 por cento).
A dívida pública manterá a sua trajectória ascendente, atingindo os 114,5 por cento do PIB este ano e os 120,3 por cento no próximo.
A OCDE também espera que o desemprego continue a subir, situando-se nos 15,4 por cento em 2012 e 16,2 por cento no próximo ano.
Lusa/SOL