O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu hoje que a estabilidade política é «da maior importância» para Portugal, considerando estar «ultrapassada» a «eventualidade» de uma crise política, que seria «dramática» para o país.
«Cada português pode imaginar o que é que sucederia a Portugal, país que depende enormemente, todos os dias, do financiamento das instituições internacionais para o desempenho das funções do Estado, para o funcionamento das empresas e dos bancos, se juntássemos a essa situação uma crise política», alertou Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas depois de presidir à cerimónia de inauguração das duas fábricas de Évora da construtora aeronáutica brasileira Embraer.
Contudo, Cavaco Silva disse pensar que a «eventualidade» de uma crise política «está ultrapassada».
«Seria dramático para Portugal, e cada um, de certeza, está consciente do que é que sucederia a Portugal, se juntássemos às dificuldades de financiamento externo uma crise política», argumentou.
O resultado, segundo o Chefe de Estado, aludindo indirectamente à situação da Grécia, seria apenas um: «Resvalaríamos, inevitavelmente, para a situação em que se encontra um outro país europeu».
Cavaco Silva foi questionado sobre a concentração de trabalhadores que, à sua chegada, se manifestava na zona do complexo fabril da Embraer. Os participantes no protesto encontravam-se a algumas centenas de metros de distância e a comitiva do PR não passou nessa área.
«Estamos numa democracia e, portanto, todas as pessoas têm a liberdade de fazer ouvir a sua voz, desde que cumpram a lei», disse, reforçando, perante outra pergunta dos jornalistas, que «a estabilidade política é da maior importância».
Uma mensagem em que insistiu quando instado a comentar a decisão, anunciada quinta-feira, das direcções do PSD e do CDS de criar o Conselho de Coordenação da Coligação.
«A estabilidade política é essencial para Portugal. Quando a acções de natureza partidária, o PR não faz qualquer comentário».
«O PR tem que ser o primeiro a actuar ponderadamente, actuar com bom-senso e nunca pode deixar envolver-se em disputas políticas partidárias, porque, se o fizer, com certeza que consegue boas notícias da comunicação social, mas deixa de ter influência sobre as decisões», sustentou.
Aludindo à sua experiência como primeiro-ministro e também como Presidente da República, Cavaco Silva frisou que esta «mostra que um presidente que não mantém alguma equidistância entre as diferentes forças políticas e que tem a tentação de falar muito para a comunicação social não tem qualquer influência sobre as decisões».
E, neste momento, acentuou, «aquilo que interessa é que o Presidente da República possa ajudar o país a ultrapassar o momento difícil que atravessa».
«Por isso, compreendem que eu seja ponderado, cuidadoso na utilização das palavras, porque o país está muito à frente do que qualquer exposição mediática», argumentou.
Lusa/SOL