domingo, 20 de Abril de 2014, 11:47
Pesquisa
pesquisar
Emprego Imobiliário Motores
iPad
Presidente da República e patrões contra eleições

6 de Abril, 2013por David Dinis, Ricardo Rego e Tânia Ferreira*
No Palácio de Belém reina uma certeza: o Presidente da República (PR) não espera receber de Passos Coelho uma carta de demissão, por consequência da decisão do Tribunal Constitucional (TC).

A leitura que se faz do estado de espírito do país não é idêntica à que se fez aquando do polémico PEC IV, cujo chumbo ditou a saída de Sócrates. O país agora, diz-se, não pode ir para eleições – como foi já pedido pelo PS.

Um conselheiro do chefe de Estado dizia esta semana ao SOL registar com agrado que a época de Páscoa «serenou os ânimos» de um lado e do outro, com o PSD a desmentir a hipótese de demissão do primeiro-ministro e os socialistas a carregarem menos no pedido de eleições já. E deixava um recado directo para São Bento: caberá ao Governo encontrar os paliativos para o problema que o TC colocar.

«Não vejo razões para o Governo sair de cena. Tem condições para governar, independentemente da contestação. Senão, ficaria com o ónus de uma crise política», dizia um cavaquista, na certeza de que Passos «não irá a Belém deixar uma bomba para desarmadilhar».

E até as sugestões de dois conselheiros de Estado, Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa, para o PR convocar um Conselho de Estado é, por ora, descartada: «Tinha que acontecer muita coisa antes».

Três meses depois de Cavaco Silva ter enviado ao TC o pedido de fiscalização do Orçamento, até entre os seus mais próximos se sente o incómodo com a demora da decisão. Que aumentou a pressão sobre todos e pôs «tudo nervoso». A tese que mais corria em Belém era a de que os juízes ainda procuravam argumentos e justificações. «Devem estar lá muito divididos», admitia uma destas fontes, acrescentando que «encontrar um texto tecnicamente irrepreensível, sem desgraçar tudo, não é fácil».

O que também não caiu bem em Belém, apurou o SOL, foi a pressão que Passos Coelho colocou sobre o TC. A tese de que pode ter efeito contrário era levada a sério. E só a hipótese de o Governo querer pôr pressão também na troika, preparando um pedido de maior flexibilidade, era vista como racional.

Entre os conselheiros de Estado – ouvidos sob condição de anonimato pelo SOL – reina também a máxima de que o Governo tem que continuar. «Tudo depende da magnitude de um chumbo, mas é inusitado dizer-se que não há ‘plano B’, seja por 400, ou mesmo 700 milhões de euros», dizia um.

Outra voz, a mesma tese: «Eleições seriam um disparate, era o caminho para o segundo resgate». Mas o que podia fazer o Presidente, se houvesse uma demissão do Executivo? «Podia tentar um governo a três, mas um PR tem sempre pouca margem de manobra, como vimos na Grécia e em Itália». Restaria manter este Governo – com o adicional de Vítor Gaspar ficar fragilizado face ao segundo chumbo de um Orçamento.

O problema do day after é o que mais preocupa os conselheiros do PR. Há quem não esconda ver o Executivo «em perda», ou até embrulhado em «coisas incompreensíveis». Pior, a dimensão do chumbo pode deixar tudo num limbo onde o Presidente teria que vir para a linha da frente.

Por ora, Cavaco Silva mantém intacta a viagem programada para 15 a 20 de Abril, à Colômbia e ao Peru. Mas admite-se que poderia ser «revista» em caso de crise iminente.

Depois, virá o 25 de Abril: «O discurso não será fácil», admitia uma fonte próxima do PR.

Empresários: estabilidade ou governo de salvação

Na gestão de um problema sempre difícil, o Presidente conta pelo menos com um trunfo: entre os banqueiros, associações patronais e empresários, ninguém aparece a defender eleições.

Nuno Amado, presidente do BCP, é claro e sucinto numa declaração ao SOL: «O país precisa de estabilidade».

António Saraiva, presidente da CIP, vai mais longe: diz «não» a eleições e sugere que o Governo arranje «formas de ultrapassar o problema» do TC – «não do lado da receita» –, bem como um «entendimento PS, CDS e PSD nas reformas que o país precisa, sob pena da democracia não avançar por causa dos jogos político-partidários». Para o PR segue, porém, um conselho: «Que possa influenciar estes acordos».

Outro líder patronal, João Machado (CAP), vai mais longe no pedido de acção ao Presidente: antecipar eleições «seria dramático», mas, se for preciso, é possível «um novo governo de iniciativa presidencial». Há uma voz mais veemente: Carlos Martins, da Martifer. «Eleições não resolvem nada. Nesta fase, precisamos de um novo governo, de um novo primeiro-ministro, de iniciativa presidencial, com um entendimento entre os três partidos», diz o empresário.

Entre os empresários que responderam a um inquérito do SOL, outros admitem essa hipótese. Jorge Armindo (da Amorim Turismo) rejeita eleições e admite «a formação de um novo Governo no actual quadro parlamentar com um entendimento entre os três maiores partidos», com um papel activo do PR. Filipe Soares Franco (Opway) pede, «de uma vez por todas, um governo de salvação nacional».

João Vieira Lopes, líder da CCP, tem mais dúvidas: ir para eleições «depende da estabilidade política que se consiga obter». Mas «o programa de ajustamento terá de ser renegociado».

Numa linha mais cautelosa estão outros gestores, como Patrick Monteiro de Barros: «Eleições são contraproducentes e um acórdão do TC não as justifica». E Francisco Van Zeller: «Há um Governo legal no Parlamento que foi eleito para ter dificuldades e não facilidades».

Mais ligados ao Governo, Pires de Lima (CDS), Eduardo Catroga e Ângelo Correia (PSD) mantêm-se cautelosos. «Se acrescentarmos aos problemas que temos uma crise política de dois em dois anos, isso põe em causa a própria sustentabilidade do país. Só faltava que o TC fosse pretexto para despedir Governos», diz o líder da Unicer. «Qualquer novo Governo iria estar sujeito a tais eventualidades, seja no Parlamento, seja a nível do TC», desvaloriza o chairman da EDP. Ângelo Correia (Fomentinvest) prefere apontar a um «acordo que perdurasse por vários anos, independentemente do partido que forma Governo».

david.dinis@sol.pt
ricardo.rego@sol.pt
tania.ferreira@sol.pt
* Com João Madeira

Texto publicado na edição impressa do SOL de 5 de Abril




34 Comentários
Antonyjunior
07.04.2013 - 18:05
No Palácio de Belém reina uma certeza: o Presidente da República (PR) não espera receber de Passos Coelho uma carta de demissão, por consequência da decisão do Tribunal Constitucional (TC).

---Pois está errado!
O Passitos devia demitir-se e entregar Portugal ao PR ou ao Conselho da Revolução.

Ao primeiro porque quer as reformas intactas.
Ao segundo porque decidiram em causa própria.

Tanto uns como outros não passam de lambões a passar um certificado de burrice a todos que têm de pagar por eles...

Os calotes têm de ser pagos mas os coronéis e doutores deste portugalito dizem sempre que esses pagamentos é para o povo burro.
maameGUI9
07.04.2013 - 14:07
A alternativa é clara. Continuamos a aceitar o memorando e os ditames da «troika», aumentando impostos, reduzindo o consumo interno (nunca compensado pelas exportações), provocando falências e desemprego e os desequilíbrios sempre a acentuar-se, arrastando o país de resgate em resgate até à derrocada final. Ou rompemos com o memorando e a «troika», declarando que com a actual política não é possível pagar a dívida e restabelecer os equilíbrios, renegociamos montantes, juros e prazos de pagamento da dívida, encaramos a saída do euro como única possibilidade de promover uma outra política. Com uma taxa de câmbio, incentivaríamos os sectores produtores de bens transacionáveis. E com emissão de moeda própria evitaríamos a bancarrota.
LuaLuar1
07.04.2013 - 11:27
Vai Tudo Bem em Portugal

Quem Cala!!!!

Os Portugueses em Abril de 2013 ,
Perante o BURACO HISTORICO E SEM IGUAL.
Recessão que JÁ É ENDEMICA da Económica da Destruição do Emprego do Aumento descontrolado do Desemprego e da Catástrofe Social Criada por este executivo lançou o País
• Não tem o Direito nada a Dizer sobre a Condução do Seu Futuro?
• As Instituições Democráticas estão a Funcionar ???????
• Que Faz e onde está o Garante da Liberdade de Voto e de Expressão do Povo Português que devolveu ao Povo em 1974 ?
Quem é Aníbal Cavaco Silva?
Foi Eleito Presidente da Republica em 2011 por Unicamente 25 % dos Votos dos Portugueses
Presidente da Republica Cavaco Silva que em Abril de 2013 apos a Revelação ao Mundo das Permanentes inconstitucionalidades ,cujo MEMORANDO DA TROIKA , não contem ,mas que este Executivo da Maioria PSD/CDS/PP Impos.
Presidente da Republica que Declara do Alto da SAPIÊNCIA Democrática
• A Manutenção do Desastre Governativo da Maioria PSD/CDS/PP
• BLOQUEIA E SEQUESTRA A DEMOCRACIA AO POVO PORTUGUES
LuaLuar1
07.04.2013 - 11:26
Portugueses

A Qualidade dos Empresários Tornados PATRÕES preferem a Estabilidade da DITADURA
ASS1719
07.04.2013 - 01:25
ELEIÇÕES NESTE MOMENTO, É MUITO PERIGOSO. O 1º MINISTRO, TEM QUE REMODELAR, E MUITO O GOVERNO. E ELE PRÓPRIO, TER OUTRAS ATITUDES, COM OS PORTUGUESES. TERÁ QUE SER MAIS HONESTO, E RECOLHER DINHEIROS, DAS PPP, TAXAR MAIS OS BANCOS, DEIXAR DE DAR DINHEIROS ÀS DITAS FUNDAÇÕES, ETC, ETC; ELE SABE AONDE SE ENCONTRA O DINHEIRO, MAS, COMO NÃO TEM TOMATES, ANDA A ROUBAR ONDE NÃO DEVE. EM MINHA OPINIÃO, O MINISTRO DA SAÚDE, DEVIA OCUPAR A PASTA DAS FINANÇAS. TENHO A IMPRESSÃO, QUE VICTOR GASPAR, JÁ PEDIU A DEMISSÃO!...E TALVEZ OUTROS MINISTROS.
Antonyjunior
07.04.2013 - 00:25
Presidente da República e patrões contra eleições

---Claro...mas o Passitos deve ser carne para canhão enquanto os presidentes de coisa nenhuma cantam a vila morena...

Vão chupar na 5.ª pata do cavalo
RSM
06.04.2013 - 22:33
Já é mais do que tempo deste (des)Governo deixar de destruir a vida dos portugueses e a economia do país !
Contudo, não basta correr com o Governo actual ! É necessário garantir que o que venha a seguir tenha uma política completamente diferente da que tem vindo a ser seguida e que mais não é do que a política da alta finança, da banca e do grande capital.
Cumprimentos,
RSM
almaviva
06.04.2013 - 20:24
Artilio: Mais vale um caradealho na mão do que um caradealho no cu.
RSM
06.04.2013 - 20:12
Já é mais do que tempo deste (des)Governo deixar de destruir a vida dos portugueses e a economia do país !
Contudo, não basta correr com o Governo actual ! É necessário garantir que o que venha a seguir tenha uma política completamente diferente da que tem vindo a ser seguida e que mais não é do que a política da alta finança, da banca e do grande capital.
Cumprimentos,
RSM
artilio
06.04.2013 - 20:05
SÓ A ESQUERDALHA IRRESPONSÁVEL É QUE QUER ELEIÇÕES!!!
Ninguem minimamente responsável,deseja juntar uma crise política a outra económica,já existente.
Seria uma tragédia para o país se,por ventura,este governo pedisse a demissão.
Como cidadão responsável,SOLICITO ao governo para continuar em funções e,como vem fazendo desde que foi eleito,que continue a lutar para normalizar a crise económica que Portugal atravessa,por irresponsabilidade do partido político que,agora,quer assaltar o poder a todo o custo.
artilio
06.04.2013 - 20:00
SÓ A ESQUERDALHA IRRESPONSÁVEL É QUE QUER ELEIÇÕES!!!
temp
06.04.2013 - 19:56
o governo acaba de pedir a demissão!.
RSM
06.04.2013 - 19:55
Já é mais do que tempo deste (des)Governo deixar de destruir a vida dos portugueses e a economia do país !
Contudo, não basta correr com o Governo actual ! É necessário garantir que o que venha a seguir tenha uma política completamente diferente da que tem vindo a ser seguida e que mais não é do que a política da alta finança, da banca e do grande capital.
Cumprimentos,
RSM
almaviva
06.04.2013 - 19:26
O TC foi demasiadamente, muito para além da racionalidade humana, contra os reformados. Com efeito, somos nós, os reformados, que, nesta altura, estamos a garantir a continuidade de um Portugal, não grande, mas enorme. Somos nós que adormecemos no colo os vossos filhos, nossos netos. Somos nós que vos abrimos a casa quando vos fecham os empregos e o direito de trabalhar. Somos nós, quase a morrer, que vos garante o direito de viver. E isto apesar do TC, em vez de estretina, nos ter receitado o pagamento da CES. A nós, não nos roubam. Só roubam aqueles, nossos netos, que embalamos.
Saleiro
06.04.2013 - 19:25
Olhe lá ó Piedoso! Quem lixou este país foram os 10 anos de desperdícios e obras faraónicas do presidentes de todos os BPNs (aliás o homem há mais tempo no poder em Portugal), os que se seguiram limitaram-se a levar com tudo em cima. Não seja piedoso com esta corja que disse-nos para "não sermos piegas" e incentivou-nos a emigrar. Mais, o atual desgovernante de Massamá disse que não mexia nos subsídios de Férias e Natal e enveredou pelo "nem mais tempo nem mais dinheiro" que provocou "ótimos resultados" no desemprego e que foi mais forte com os fracos e mais fraco com os fortes.
Piedoso
06.04.2013 - 19:21
Olhe lá oh Almaviva.
Quem lixou,quem mandou às lonas o país antes dos que você refere foi o Fdp do Socrates,não se esqueça,por favor.Esse ilusionista de golpes já estafados é que abriu esta fossa onde ele havia de ser metido,cheia de trampa!!!
jcesar
06.04.2013 - 19:19

pedrox
06.04.2013 - 18:04

Também os atuais Governantes o ano passado o tiraram, e não foi metade, foi todo, mais o subsídio de férias, e talvez por isso abusaram este ano.

E o pior de tudo é que não valeu de nada, porque vamos de mal a pior todos os dias.

Ao passo que com Mário Soares o programa de ajuda teve êxito.

tativincenrt
06.04.2013 - 19:19

Mas, Sr. Presidente da República:
Substituir um Governo que, por manifesta incompetência e idoneidade, não é digno de /continuar em funções, não implica-
Obrigatoriamente, a realização de eleições!! A prerrogativa existe! E é tão simples, coMo isto:
A NOMEAÇÃO DE UM Governo de iniciativa Presidencial, em que os supremos interesse do País e da Nação, estariam salvaguardados e, para além do mais, é previsto na Constituição da República! Portanto, Sr.Presidente, Aja em conformidade com a Lei Maior e, demita o Governo, nomeando outro, de SUA confiança-e dos Portugueses, TAMBÉM-!!!”
URGENTEMENTE!
erm2011
06.04.2013 - 19:13
Quando os patrões t~em uma opinião, eu tenho logo outra, é que os intecesses não são os mesmos de quem os serve.
yourlastLover2007
06.04.2013 - 18:58
demitam-se todos seus grandes inuteis e o povo que se erga e os responsabilize ! Cavaco é o pior inimigo de Portugal, que seja ja julgado !



PUB
PUB
Siga-nos
CD Carríssimas Canções de Sérgio Godinho
Assinaturas - Revista FEEL IT (PT)
Siga o SOL no Facebook


© 2007 Sol. Todos os direitos reservados. Mantido por webmaster@sol.pt