Mais de metade dos asmáticos tem controlada a doença que afecta um milhão de portugueses, mata 100 por ano e é responsável por custos superiores a 117 milhões de euros, um valor que podia descer com a estabilização dos doentes.
A propósito do Dia Mundial da Asma, assinalado na terça-feira, o especialista e responsável da Clínica Universitária de Pneumologia da Faculdade de Medicina de Lisboa/Hospital Universitário de Santa Maria António Bugalho de Almeida disse que cerca de 10,5% a população tem asma brônquica.
Dessas, «há uma percentagem muito razoável de pessoas, 57%, que tem a sua asma perfeitamente controlada, mas ainda temos 43% que ainda não tem a asma controlada», explicou.
Segundo o professor, 90 a 95% dos doentes pode ter a doença controlada.
E, uma vez estabilizada a asma, «as pessoas podem ter uma qualidade de vida e um bem-estar como se não tivessem doença alguma», referiu o especialista, frisando que «dá-se qualidade de vida e bem-estar à pessoa e reduzem-se os custos da doença em muito».
Bugalho de Almeida citou estudos europeus que apontam para que «uma asma não controlada tem um custo que ronda os 1.604 euros por ano e uma asma controlada 232 euros por ano. Basta fazer contas e vemos que são 85% menos».
Para Portugal, os estudos europeus, nomeadamente o Livro Branco Europeu da Respiração, referem «custos que ultrapassam 117 milhões de euros», um valor que o especialista disse acreditar estar abaixo da realidade.
Os custos relativos à asma incluem internamentos, medicamentos, assistência, actos médicos e exames complementares, assim como dias de trabalho perdidos, tanto pelos doentes, como pelas famílias, quando se trata de uma criança.
«Espero que todo este problema económico que nos está a afectar não traga consequências de alterações nas comparticipações para os doentes asmáticos", salientou Bugalho de Almeida, que vai participar em acções de sensibilização e esclarecimento sobre asma, em Lisboa.
Lusa/SOL