Castelo Branco é testemunha-chave da defesa
4 de Outubro, 2011por Margarida Davim

A defesa do empresário acusado de obrigar a mulher a participar em orgias aposta tudo em levar José Castelo Branco a depor em tribunal. A estratégia passa por demonstrar que os actos sexuais eram consentidos e não havia ameaças ou violência doméstica entre João Liberal Ferreira e Maria da Conceição.
«É determinante ouvir o senhor Castelo Branco, porque ele conhecia bem o casal», assegura o advogado do arguido, Miguel Brochado Teixeira. Segundo o jurista, o famoso marchand de arte mantinha contactos sexuais «de forma assídua» com João Ferreira e a mulher. Para o provar, juntou ao processo um vídeo que mostra o casal a manter relações sexuais com Castelo Branco. «É um filme com cerca de meia hora onde só aparecem os três. Mas há uma quarta pessoa presente, a segurar a câmara». Quem é o quarto elemento é algo que o advogado recusa revelar.
Este será o único documento que comprava a alegada relação de índole sexual com o comentador da TVI, mas o processo tem «várias dezenas de vídeos com orgias» e fotos onde o casal aparece com famosos, não em situações de intimidade, mas apenas em ocasiões sociais. Ao que o SOL apurou, a maioria das imagens corresponde apenas às típicas fotos que as celebridades tiram com os fãs.
Mas existem também no processo algumas fotografias que mostram Conceição Ferreira com «chicotes, fatos de cabedal e máscaras sado-masoquistas». E são essas imagens que a defesa pretende usar para justificar as duas fotos onde a mulher aparece com ferimentos na face e nos braços que diz serem resultado da violência do marido. De resto, o advogado do arguido afirma não haver qualquer perícia médico-legal que confirme os abusos.
Quanto ao envolvimento de figuras conhecidas nas festas de sexo, o advogado não se alonga em pormenores. «Depende do que se entende por famoso, mas nos vídeos de orgias só aparecem duas pessoas conhecidas: uma relações públicas de uma discoteca do Porto e a filha de um político», assegura Brochado Teixeira.
A relações públicas já depôs, aliás, no processo, garantindo que «participou em orgias e que nenhum dos participantes sofreu qualquer tipo de coacção».
margarida.davim@sol.pt