O irmão da primeira mulher de Paco Bandeira quer reabrir o processo de investigação da sua morte, ocorrida a 10 de Março de 1996. Francisco Castelo não acredita que Maria Fernanda se tenha suicidado e pretende ver esclarecidos factos que considera «muito estranhos e que nunca foram devidamente investigados».
Quase quinze anos depois de a irmã ter morrido, Francisco viu no processo de violência doméstica que está a decorrer no Tribunal de Oeiras contra Paco – e noticiado pelo SOL em primeira mão, na passada edição – uma chave para abrir um caso que foi arquivado pelo Ministério Público (MP).
O facto de a última companheira do cantor o acusar agora de violência doméstica e de este ter usado para a ameaçar a mesma arma que tirou a vida a Fernanda reavivou antigas suspeitas da família da primeira mulher de Paco Bandeira.
Paco Bandeira e Maria Fernanda em jovens. © DR
«É a mesma arma, usada numa situação de violência doméstica, pelo mesmo protagonista», diz Francisco Castelo ao SOL, para comparar o caso da sua irmã com o que agora pôs Paco Bandeira no banco dos réus, por crimes de violência doméstica exercida sobre a ex-companheira, maus tratos, devassa da vida privada e detenção de arma ilegal.
Francisco Castelo já contactou uma equipa de advogados para estudar a possibilidade de reabrir o processo. «Mas estou convencido de que o próprio MP devia tomar essa atitude», defende, dizendo estar à espera de Justiça.
A família quer que o corpo de Fernanda seja exumado e sujeito a novas perícias médico-legais e pretende analisar dados que terão ficado por investigar.
Hugo Marçal foi o advogado, amigo de infância de Francisco, que em 1996 a família contactou para acompanhar o caso. «Cheguei a ter os pedidos de novas perícias e o requerimento de abertura de instrução prontos, mas acabei por não ter nenhuma intervenção no processo», recorda, explicando que nessa altura foi opção dos irmãos de Fernanda deixar cair o caso.
«A minha mãe, que na altura já tinha mais de 80 anos, pediu-nos muito para deixarmos a alma da nossa irmã descansar», justifica-se Francisco Castelo, que agora vê nas notícias sobre o caso de violência doméstica que envolve o cantor alentejano «um sinal» para apurar as circunstâncias da noite de 10 de Março de 1996, quando Maria Fernanda perdeu a vida.
Não é a primeira vez que questiona publicamente a tese de suicídio. Em 1996, confessou aos jornais Crime e Público ter dúvidas sobre a morte da irmã. Na altura, as declarações valeram-lhe uma queixa-crime por difamação, interposta por Paco Bandeira. «Mas foi tudo arquivado», salienta.
Bala nunca foi encontrada
Esta semana, Francisco Castelo voltou a procurar o amigo Hugo Marçal para estudar o caso. O advogado (arguido no processo Casa Pia) admite que está «ainda a ponderar» se aceita ou não tentar reabrir o processo – no qual está a trabalhar com outros dois advogados –, mas revela que a morte de Maria Fernanda é, para si, ainda hoje um mistério que gostaria de ver resolvido.
«Nunca acreditei na tese de suicídio. Não posso afirmar que se tratou de um homicídio, mas a verdade é que a investigação deixou muitas interrogações», sublinha Hugo Marçal, que dá um exemplo: «A Polícia nunca encontrou a bala que provocou a morte de Maria Fernanda».
A noite da morte da primeira mulher de Paco Bandeira
margarida.davim@sol.pt