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Lisboa cantou 'Alentejo é a nossa Terra' para que mundo inteiro oiça

8 de Janeiro, 2012
A Casa do Alentejo, em Lisboa, acolheu hoje a primeira reunião para recolher contributos para a candidatura do cante a património imaterial da humanidade UNESCO. Ouviram-se explicações, problemas, experiências e o cante «Alentejo é a nossa Terra».

No dia dos 83 anos do etnomusicólogo corso Michele Jacometti, que entre a década de 60 e 80 recolheu canções tradicionais portuguesas, o português José Carlos Castro, de 85 anos, testemunhou como «estremece» a cantar e a ouvir o cante e António Caxeiro, de 20 anos confessou «amar» aquela música.

António tinha na família um tio do pai e a avó como contadores.

«Mas já era longe essa herança». Há quatro anos surgiu o convite pelo mestre e um dos elementos do Grupo Coral Ceifeiros de Cuba. O jovem aprendeu a cantar do «zero» e agora ninguém lhe tira o «amor».

«Qual é o jovem que não gosta de festivais (de verão) de música? Mas também é importante gostar daquilo que é nosso, do que é genuíno e não deixar morrer aquilo que é tão importante para nós», defendeu António à Lusa.

Desde 1978 no Grupo Coral Amigos do Barreiro, José Carlos Castro diz ter nascido com a «costela de líder e a impor respeito pelo cante».

Aos oito anos juntava na sua casa em Cuba 40 rapazes, «mas só os bem comportados é que lá tinham cabimento».

Porque «afinal o cante tem de ser respeitado e não é para brincadeiras», afirma alguém que tem muitos anos de experiência para dar lições: «Eu trato o cante como se fosse uma flor que tem de ser estimada e do pouco que tenho ainda tenho de pagar para cantar».

Estas foram apenas duas vozes que se juntaram a muitas outras para demonstrar o que é o cante no final da reunião com responsáveis da candidatura, autarcas e elementos de grupos.

À frente da comissão executiva está Carlos Medeiros que explica como o trabalho começou em Setembro e que a candidatura será entregue a 30 de Março.

«São seis meses, a candidatura do fado decorreu durante sete anos. Mas achamos que com a situação difícil da UNESCO (Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), ou avançávamos ou podíamos ter dificuldades e nunca mais avançar», argumentou.

«Achámos que era o tempo certo», acrescentou à Lusa, admitindo ser uma «tarefa ciclópica».

Contudo, considera, os portugueses mesmo sem «muita organização, conseguem muitas vezes fazer coisas fora do vulgar».

Carlos Medeiros é um 'não alentejano' e acredita que o sucesso pode estar nesta candidatura de «fora e sem interesses partidários e locais» porque o cante é feito de «rivalidades às vezes difíceis de ultrapassar».

«O cante foi sempre muito utilizado politicamente. Primeiro pelos católicos, numa terra muito pagã, depois pelo Estado Novo. É um cante alentejano que é a canção do 25 de Abril e depois o Partido Comunista de alguma forma apropriou-se do cante», enumerou.

Com mudanças da cor política nas autarquias os apoios também podem mudar, o que pode levantar problemas.

«Nós vamos fazer a candidatura com os que quiserem estar connosco e queremos todos», garante.

Na Comissão de Honra já se juntaram o Presidente da República, Cavaco Silva, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, o Bispo do Porto, Manuel Clemente, e o presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, Rui Vilar. A comissão científica é liderada pelo musicólogo Rui Vieira Nery, como aconteceu com a do fado.

Envolvidos estão ainda a Confraria do Cante Alentejano, a Casa do Alentejo e a Associação MODA, enquanto a Câmara de Serpa e a Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo são patrocinadores.

O programa de promoção e divulgação da candidatura inclui um filme documental, do realizador Sérgio Tréfaut, exposições, conferências, concursos fotográficos, concertos e manifestações de rua.

A 30 de Março deverão ouvir-se cantes alentejanos durante todo o dia na tentativa de, em Novembro de 2013, Portugal possa ter mais uma tradição autenticada mundialmente.

Lusa/SOL




1 Comentário
greenylion
09.01.2012 - 01:31
Porra! Ao menos escrevam bem o nome do homem: Michel Giacometti


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