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Minorias da CGTP querem acordos com UGT

27 de Janeiro, 2012por Manuel A. Magalhães
Arménio Carlos sucede hoje a Carvalho da Silva na CGTP. Minorias ponderam candidatura alternativa
A eleição de Arménio Carlos como novo secretário-geral da CGTP é uma certeza. Mas a capacidade de somar mais do que os lugares maioritários da maioria comunista é o desafio que o porá à prova esta noite, no momento alto do XII Congresso da central sindical.

As tendências socialista, bloquista, renovadora, e católica, que juntas ocupam um terço do Conselho Nacional, jogam um braço de ferro com os comunistas. Adoptando uma postura crítica em relação ao documento oficial do congresso – o programa de acção para os próximos 4 anos – esta correntes minoritárias querem discutir o modelo de sindicalismo da CGTP. Uma das pretensões passa por uma maior convergência com a central rival, a UGT, isto num momento tenso entre ambas.

A maior eficácia na mobilização dos trabalhadores exige «a unidade de acção com todo o movimento sindical português, incluindo a UGT», lê-se no manifesto alternativo, assinado pelas correntes não comunistas, com excepção, para já do Bloco de Esquerda. No entanto, o bloquista António Chora, líder da comissão de trabalhadores da Auto-Europa informou o SOL que assinou «a título individual».

Além das pontes para a central sindical de João Proença (recentemente ameaçada com um processo judicial por difamação pela direcção da CGTP), os signatários propõem maior ligação com todos os partidos e com os movimentos sociais. E querem que os trabalhadores precários sejam integrados na acção sindical. Actualmente a CGTP não os reconhece, a não ser que se filiem como associados. À maioria comunista, implicitamente, lançam um repto: que não constitua «uma semente de fechamento».

O processo de escolha do secretário-geral concretiza-se à porta fechada, no final do primeiro dia de congresso. Antes do almoço Carvalho da Silva já terá feito o último discurso de despedida como líder, pondo um ponto final nos 25 anos de liderança. Um balanço, com recados de aviso ao enquistamento de métodos que ameaçam a eficácia da acção sindical. «Há um prática sindical que faz de conta que não saímos da sociedade industrial, que é muito feita de rotinas estéreis. Temos de nos adaptar», resume um dirigente próximo de Carvalho da Silva.

 

A alternativa do PS
A eleição de Arménio pode no entanto ficar assinalada por um facto inédito. A apresentação de uma candidatura concorrente está em cima da mesa. Sem hipóteses de vitória, mas para vincar a divergência de opções para a linha comunista ortodoxa. Carlos Trindade, o líder da corrente socialista, é o candidato a esse medir de forças.

O mais provável porém, será a maioria comunista fazer algumas cedências para evitar partir a central. E estas já começaram no texto oficial do congresso. O programa de acção «parecia, na versão original, saído dos anos do PREC», diz um dirigente ao SOL. No capítulo primeiro há referências a uma sociedade mítica, no capítulo 6 uma visão da União Europeia que não recolhe unanimidade. «Só falta dizer que foi um erro entrarmos na Europa», protesta um socialista.

Carvalho da Silva também se envolveu na polémica dos textos preparatório. Coube-lhe escrever a introdução do programa de acção. O texto foi tão alterado que o ainda líder ameaçou não o assinar. «Chegaram a tirar-lhe do texto uma referência ao multiculturalismo da sociedade portuguesa», dia ao SOL um dirigente não alinhado com correntes partidárias.

Mas outras mudanças acentuam um virar de página na CGTP. Ulisses Garrido, próximo do líder cessante, que era o porta-voz das minorias também sai. Por limite de idade, um terço do Conselho Nacional e metade da Comissão Executiva renova-se. Como número dois da CGTP deve surgir o comunista Augusto Praça, um advogado com experiência na concertação social, favorito para o pelouro da acção reivindicativa José Manuel Oliveira, líder dos ferroviários, é outro nome forte. O congresso acaba amanhã. Na semana seguinte há uma greve de transportes em Lisboa (dia 2) e no dia 11, Arménio Carlos surgirá à frente de uma grande manifestação nacional da CGTP.

manuel.a.magalhaes@sol.pt

 




3 Comentários
ravp
27.01.2012 - 11:49
Qual o contributo da CGTP para a concertação social desde Vasco Gonçalves? Zero (0). Carvalho da Silva vai-se embora ao fim de 25 anos e não deixou nada. NADA!
quijote
27.01.2012 - 11:33
A CGTP é um mero apendice do PCP.
cevaso44
27.01.2012 - 11:18
...com recados de aviso ao enquistamento de métodos...
...Há uma pratica sindical que faz de conta que não saímos da sociedade industrial,que é muito feita de rotinas estéreis...
Mas será que isto é novidade paa alguém ?
Será que ainda existe algum português que não tenha ouvido as "cassetes"do Jerónimo de Sousa,ou antes dele do Alvaro Cunhal ? Sim, porque todos sabemos que é o PCP que dá as coordenadas de accção á CGTP.
Eles enquistaram, como enquistaram todos os outros partidos Comunistas. Por isso é que estão como estão...


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